Gémeos Maternidade

Quando descobri que ia ter 3 filhos antes dos 30 anos

Nunca imaginei ter um filho antes dos 30 anos. No fundo, não tínhamos muitos planos em relação a isso, mas sempre achei que ainda era cedo. No entanto, em 2015 engravidei sem o planear e depois do pânico inicial habituámo-nos muito bem à ideia. Foi com sofrimento que lidámos com a perda desse bebé, mas apercebemo-nos que estava na hora e não demorámos a voltar a tentar.

Quando fiz 28 anos estava grávida do Gonçalo, que nasceu meses depois. Claro que depois de engravidar achei que era cedo demais, que não estava preparada, que havia mil coisas para fazer antes, que não tinha a estabilidade de que precisava, etc. Acho que todos estes medos são normais e talvez os tivesse independentemente da idade — no fundo era só medo de não estar à altura do desafio.

O Gonçalo nasceu e tornei-me mãe. Não a que imaginava, não a que achava que devia ser, mas a que sou. E mesmo depois das noites mal dormidas, dos momentos de «o que é que eu estou a fazer», aí estava eu, uma mulher que ainda se vê como miúda, confortável no seu papel de mãe do Gonçalo.

Borrifei no diz que deve ser, e acabei por me sentir bem com o que era. Mais, a minha parte mãe era capaz de ser a faceta de mim de que mais gostava. Senti que não a privilegiei demasiado em relação às outras, e, apesar de a minha família ter passado por um ano muito difícil com a perda de duas pessoas, a dinâmica de namoro não se viu muito afectada. Com a ajuda preciosa dos nossos pais, eu e o Pedro retomámos a normalidade que nos haviam prometido que nunca mais voltava. Jantares fora, cinemas, até uma viagem grande sem filho fizemos.

Confortavelmente mãe de um, comecei a achar que se calhar ficaria pelo filho único, ao contrário do que sempre tinha imaginado. Adoro a minha irmã e queria dar um irmão ao Gonçalo, mas no fundo suspeitava que íamos ficar bem assim. Não pensava muito nisso porque ainda era muito cedo, mas cada vez que perguntavam (sim, porque logo depois de parir toda a gente acha apropriado perguntar «e então, quando é que vem o segundo?») eu, secretamente, pensava que se calhar o Gonçalo seria filho único.

No dia 4 de Junho, depois de um atraso na menstruação (que não me preocupou porque depois do Gonçalo nunca mais tinha sido regular), e de uma semana de enjoos, cedi à pressão do meu marido para fazer um teste de gravidez, convencida de que daria negativo. Mas não deu.

Pânico. Outro bebé? Mas o Gonçalo é tão pequeno. Eu entrei em parafuso, ele riu-se e pareceu-me até ficar entusiasmado.

Já tínhamos perdido um bebé, por isso não quis valorizar muito antes de fazer uma ecografia. Marquei consulta para dias depois, fui sozinha porque o Pedro tinha uma reunião inadiável. Enquanto me fazia a ecografia a médica exclamou algo. Pensei logo no pior, perguntei se tinha perdido o bebé. Tinha um leve sentimento de culpa, porque não tinha tido qualquer cuidado pré-natal e já estava de 9 semanas. A médica pediu-me para ter calma. Depois disse:

— Pois, era o que me parecia, são dois.

Como assim dois?

Explicou-me que eram dois bebés, gémeos falsos. Dois sacos, duas placentas. São dois.

SÃO DOIS?

Comecei, segundo me recordo, a hiperventilar de forma discreta. Atendendo a que me perguntaram se tinha acompanhante na sala de espera, e que veio uma auxiliar para o meu lado acalmar-me, talvez não tenha sido assim tão discreta.

EU TENHO UM BEBÉ DE 9 MESES! E NASCEU DE CESARIANA! Isto não me está a acontecer…

Saí do consultório e liguei logo ao Pedro, que me rejeitou a chamada. Tinha esperança que a reunião onde estava já tivesse terminado, mas percebi que não.

Fui para o carro chorar-rir. Não chorei como se chora numa tragédia, nem me ri como numa comédia. Chorei e ria ao mesmo tempo. Aquele choro/riso nervoso de «isto é mesmo verdade?». Não podia contar a mais ninguém antes de lhe contar a ele. Sabia que me devolveria a chamada assim que pudesse, o que aconteceu meia hora depois. Durante esses infindáveis minutos tentei processar sozinha que daí a meses seria mãe de três bebés.

Quando finalmente falámos ouvi o barulho inconfundível do alta voz do automóvel. Perguntei-lhe se podia parar o carro. Disse-lhe de rajada:

— São dois. São gémeos.

Do outro lado um breve silêncio, um riso desconfortável:

O quê?

SÃO GÉMEOS. DOIS BEBÉS. EU ESTOU GRÁVIDA DE DOIS BEBÉS.

Ele riu-se. Disse que não acreditava. Que loucura. E depois, com a sua boa disposição e descontracção habitual:

Agora é que temos mesmo que trocar de carro.

8 Comments

  • Madrinha

    Ahahah
    Morais a ser Morais! Adoro!
    Vocês nasceram pra isto, e é bom sentir-vos tão perto a ler estas coisas, parece que consigo ouvir-vos 🙂

    Reply
  • Sara Grade

    Que grande aventura!

    Reply
  • Ana Rita Trindade

    Apesar de não conhecer a Ana pessoalmente conheço a história bem de perto☺.Que venha a Leonor e o Duarte que a Lara está prontinha para os mimar.Nas férias escolares podem contar com ela.Adora o Gonçalo e vai adorar também o manos Leonor e Duarte😊

    Reply
    • Ana Sousa Amorim

      Olá, Rita! A Lara tem tanto jeito e carinho para tomar conta do Gonçalo que é uma delícia ver. A Leonor e o Duarte também vão gostar dos miminhos dela (e da avó, claro! 🙂 ). Beijinhos e obrigada por nos seguir!

      Reply
  • Nita

    Fantástica a aventura da vida! Um desafio à vossa altura com certeza!! Grande (mano) Morais!
    Parabéns!!

    Reply

Leave a Reply