A insustentável leveza dos meus bebés
Os gémeos fazem hoje uma semana. Continuam nos cuidados intensivos. Eu tive alta a meio da semana. Fiz o mesmo caminho de saída da maternidade que fiz quando o Gonçalo nasceu, andei com a mesma dificuldade de pós-cesariana e com as mesmas saudades de casa, mas sem os meus filhos. Senti-me roubada, é duro. Sinto-me culpada de não estar lá sempre, mas sei que em casa tenho o Gonçalo e descanso melhor. Os dias são passados a ir lá, estar com eles, brincar com o Gonçalo e extrair leite. Os meninos estão bem, evoluem a olhos vistos. Mas ainda não sabem comer e são muito pequenos. É difícil adaptar-nos às novas dimensões de bebés, mas ao mesmo tempo decorre tudo com naturalidade, adoro pegar-lhes. A UCIN, embora só tenha gente bonita, não é um sítio bonito. Todos os dias contamos gramas, andamos para trás e para a frente, com calma, sem esperanças de datas. Mas estamos animados e apaixonados. Todas as minhas dúvidas se dissiparam no momento em que nasceram: não é possível gostar mais de um filho que outro, sou mãe de três, tenho um meu coração fora do corpo espalhado por três pares de mãos pequeninas.
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