Gémeos Maternidade Tudo e Nada

And now we are five

Os gémeos fizeram ontem seis semanas. Também fez uma semana que estamos de regresso a nossa casa.

Nós últimos meses da gravidez fomos viver para casa dos meus pais. Eu estava muito grávida, não podia fazer esforços e precisava de ajuda sempre que o Pedro não conseguia chegar a horas decentes. Os meus pais convidaram e não hesitei. Foram uma ajuda essencial (eles e a minha irmã que vive com eles).

Para nos albergar a todos foram necessários ajustamentos. Nós ocupámos a sala e o Gonçalo ficou no meu antigo quarto. Como a sala é longe do quarto, quando o Gonçalo acordava durante a noite eram os meus pais que o voltavam a adormecer. Não é comum acontecer (ou não era) e assim nós podíamos descansar e tratar dos gémeos (depois deles virem para casa). Foram mais que avós, foram mais que anjos.

A nossa estadia lá foi essencial para a minha recuperação, não tivemos que nos preocupar com refeições, com roupa, compras, nada. Sei bem que podia ficar o tempo que quisesse, embora tenhamos revolucionado aquela casa e sejamos mais cinco, os meus pais albergavam-nos de boa vontade mais tempo.

No entanto, desde que os gémeos fizeram um mês e eu me senti completamente recuperada começámos a falar de querer voltar e agendámos o regresso. Sabíamos que não ia ser fácil, mas precisávamos de vir para a nossa futura realidade para saber com o que tínhamos que lidar. Sou muitas vezes assim perante desafios, quando sei que tenho uma dificuldade pela frente quero enfrentá-la o quanto antes. Era assim na faculdade, mesmo que não me sentisse confiante com o estudo, só que queria que chegasse a data do exame. Quando estive grávida do Gonçalo temia o parto, tinha medo mesmo da dor, do que se iria passar, mas isso só fez com que não visse a hora de ele nascer, preferia ter que lidar com isso logo do que passar dias a imaginar.

Voltar para casa sem o apoio dos meus pais e irmã, sem a comidinha feita, a roupa lavada era mais difícil, mas era inevitável. Ia acontecer, esta é a nossa nova realidade por isso quis enfrentá-la o quanto antes. E como suspeitava, o Gonçalo é quem mais sofre com esta alteração e está a reclamar ser o centro das atenções. Ele, que dormia entre 10 a 11 horas seguidas por noite, sem despertares, tem acordado várias vezes durante a noite e nas últimas noites só aceita dormir se lá ficarmos com ele. Continuo a achar que por mais difícil que esteja a ser, passar por tudo isto o quanto antes é o melhor. Assim posso começar já a combater as dificuldades.

Por ora estamos concentrados em devolver normalidade ao Gonçalo, em habituá-lo às novas rotinas para que ele deixe de acordar durante a noite. Tratar dos gémeos, mesmo durante a noite, já está mais orientado. Temos uma máquina bem oleada de preparação de biberões e rotina e estação de mudança de fraldas. Ainda assim é sempre muito tempo que perdemos e que não dormimos. A privação de sono é dura e não deixa reféns, mata logo. Devo ter perdido 100 neurónios na última semana.

Mas estamos todos bem. O Gonçalo continua com a sua paixão por limpezas domésticas — que espero que evoluam para limpeza a sério, dava-me muito jeito — os gémeos continuam a crescer, e nós no limbo entre rifá-los e achar que não existem bebés mais bonitos no mundo.

It’s a wild world indeed.

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