Tudo e Nada

Valentine’s (every)day

Às vezes o my valentine irrita-me. Ui, se irrita. Por exemplo, a arrumação do pijama, essa quezília com anos: todos os dias ele tira o pijama e enrola-o em vez de o dobrar. Na verdade, não é bem enrolar… Ele aplica-lhe uma centrifugação filha da mãe digna de um furacão. E coloca-o debaixo da almofada. Eu não vou por trás e dobro bem, deixo estar, nem falo disso, limito-me à ocasional laracha passivo-agressiva “achas que é assim que se dobra a porra do pijama”, mas fico com um tique nervoso na pálpebra direita só de saber que ao lado do meu pijama dobrado está uma bola de roupa.

“Ai, estás tão casada, que tédio. Queixar-te no dia dos namorados…”

Calma, senhores, a parte boa, a parte this is us da coisa, é que o conflito pijama irrita-me tanto quanto me faz feliz. Adoro que ele seja ele e dobre a roupa a correr. Adoro que quando mando a minha boca, ele responda sempre com uma piada estilo “Desculpa lá, sra. da zara, não tenho um doutoramento em arrumar roupa”. Sei lá, adoro as tretinhas da nossa vida. Adoro as bocas da roupa, adoro tentar passar as piores fraldas para ele, adoro quando ele me irrita e depois me faz rir. Adoro a normalidade da coisa, sem desassossegos. Adoro as surpresas, que adoro, mas quero ficar todos os dias pelas rotinas. Não percebo aqueles que têm medo da rotina, que exigem das relações as constantes subidas e descidas dos amores iniciais. Eu quero o dia-a-dia, quero mandar vir com a roupa, planear a próxima viagem, refilar que é ele que tem ir pôr uma chucha e chamá-lo para vir ver como o nosso filho é lindo a dormir, tudo isto no espaço de meia hora.

Meu amor, hoje… é um dia como os outros. Mesmo. Não fiques muito entusiasmado com a declaração de amor, vê se não chegas tarde que temos que dar banho aos gémeos. Vá, por ser dia dos namorados eu não vou mandar vir quando puseres o jogo a dar no telemóvel enquanto damos biberões.

No Comments Found

Leave a Reply