Este é o meu tio. Há um ano, ele acordou, levantou-se, fez a vida dele e o azar ia a correr num corredor e esbarrou de frente com o tempo e levou-o para sempre. Este era o meu tio. Assim, a rir, comigo, de mim. Não me lembro exactamente do que ríamos neste momento. Horas depois eu casava com o meu amor, de quem ele sempre gostou e que dizia ser um gajo porreiro. Neste dia, entre os risos, teve tempo de falar a sério, aconselhou-me a ter juízo, não ligar ao que não interessa e confiar nele sempre, “porque no fim de contas és só tu e ele contra o mundo”. Aqui, provavelmente, ele metia-se comigo por parecer crescida de vestido de noiva. É difícil aceitar que ele não está. Que se carregar em “Titio” no telemóvel para lhe dizer que vou mudar de casa outra vez ele não vai atender e dizer «Outra vez? Foda-se, Ana, tu fazes mais nada?». Ele dizia muitas asneiras, não tinha medo delas, usava-as para rir, como tudo. Também o vi sem rir, claro, a vida não é só cocktails. Mas lembrar-me-ei sempre dele assim, a rir. A fazer(-me) rir. Guardo para sempre … Continue a ler Dos dias tristes
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