Working mom

A mãe tem que ir

Eu tive uma formação em Lisboa. A mãe teve uma formação em Lisboa. Não gosto de me referir a mim como a mãe. Mas aqui é importante para explicar que quando eu tenho uma formação em Lisboa, compro os bilhetes de comboio, oriento a estadia e vou. Quando a mãe tem uma formação, a sogra está de serviço com o mais velho, a minha irmã e mãe de backup com os gémeos, a empregada de serviço exclusivo para bebés, o marido tem que ficar a trabalhar em casa, a comida tem que ficar orientada e a roupa dos miúdos escolhida.

A mim soube bem. Aproveitei que tinha que dormir uma noite em Lisboa e fui jantar com amigos. Com calma, sem pressas. Depois de um serão bom de conversa, dormi a noite toda seguida. Acho que nem dormi, desmaiei — foi das poucas vezes na minha vida que acordei exactamente na mesma posição em que adormeci sem despertar uma única vez. Mas a mãe fez falta aos gémeos que passaram a noite em alvoroço.

Eu fui em trabalho, a mãe faltou ao trabalho. Eu sou trabalhadora independente, a mãe é escrava. Eu adoro ir, a mãe não vê a hora de voltar.

[foto antiga, de Nova Iorque]

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