Eu faço assim Organização

Como sobreviver a uma mudança de casa

No mês passado mudámos de casa.  Numa quinta-feira vi um anúncio, na manhã seguinte visitámos a casa, daí a 15 dias estávamos a dormir na nova casa e 15 dias depois tinha tudo arrumado, não tinha uma única caixa por arrumar e tinha todos os quadros e cortinados pendurados. Tudo isto com três bebés. Como? Não faço ideia, mas acho que a minha queda para ser obsessiva-compulsiva ajudou.

A verdade é que não sou novata em mudanças. Esta foi a nossa 6.ª mudança de casa (numa delas mudámos de cidade). Antes de viver com o meu marido já tinha mudado de casa outras tantas. Sou Era meio nómada. Agora é para ficar muito tempo (só de imaginar mudar, tenho vontade de cortar os pulsos).

Embora não pareça, odeio mudar de casa. Irrita-me não saber onde estão as coisas, irrita-me ter a casa de pantanas, irrita-me olhar para todo o lado e sentir que estou a acampar. Irrita-me não ter as coisas prontas, olhar para as coisas por pendurar. Odeio sentir que a casa antiga já não é casa, mas a nova também ainda não o é.

Não consigo compartimentalizar e dedicar-me a outras coisas antes de ter a casa arrumada. E não consigo achar que a casa está arrumada antes de estar TUDO arrumado.

A maneira que arranjei para combater esta sensação é diminuir ao máximo o período de arrumação — na casa antiga tento só começar a arrumar mesmo em cima do dia da mudança e na nova tento arrumar tudo nos dias seguintes. Acho que o segredo é organização.

De mudança para mudança fui aprendendo muita coisa e organizando-me cada vez melhor.

Para quem vai mudar de casa, deixo a minha lista de coisas a fazer numa mudança com alguns conselhos à mistura. Preparem-se, é loooonga:

  • Parece óbvio, mas pode falhar: assim que estiver decidida a mudança, decorar imediatamente a nova morada, código de postal incluído. A morada vai ser requisitada dezenas de vezes, há que não perder tempo a procurar em papéis perdidos na carteira.
  • Decidir o dia de mudança. Também parece óbvio, mas não é assim tão fácil. Há que pensar se um fim-de-semana chega, ou se não será melhor tirar dias de férias para fazer a mudança. Fazer uma mudança de casa num dia da semana tem vantagens: os miúdos têm ocupação (a escola), algumas empresas de mudanças têm preços mais baratos durante a semana, se for numa sexta, tem-se o fim-de-semana para os organizarmos na nova casa. Mas como tudo, também tem desvantagens: quando se tem bebés em casa que ainda não andam na escola é mais difícil de gerir e os amigos e família trabalham e não podem ajudar. Se tiverem ajuda de avós, é de tentar perceber se dá para as crianças dormirem com os avós pelo menos no dia da mudança. Os gémeos dormiram sempre connosco, mas o Gonçalo dormiu em casa da avó no dia anterior ao da mudança e no dia da mudança dormiu em casa dos outros avós. Foi essencial!
  • Procurar empresa de mudanças. Se se optar por uma empresa de mudanças, podem perguntar a amigos, pedir recomendações em grupos de Facebook ou procurar na internet. Numa das mudanças que fizemos enviei pedidos de orçamento para várias empresas e escolhi a que me ofereceu o orçamento inferior. Foram rápidos e eficazes. Posteriormente voltei a recorrer à mesma empresa e já não fiquei tão satisfeita. Desta vez, pedi recomendações de empresas de mudanças num grupo de Facebook de pais de Coimbra e as recomendações foram praticamente unânimes. Conselho: conversem bem com a empresa antes da mudança, esclareçam o preço/hora, o que está ou não incluído, tentem dar uma indicação pormenorizada da quantidade móveis e caixas que tem para levar para não haver surpresas e demorar-se mais do que esperado. As empresas costumam levar um determinado preço por material de empacotamento, peçam para não abusar do mesmo com o simples intuito de cobrar.
  • A maioria das nossas mudanças foi sem empresas de mudanças e apenas com ajuda de amigos. Também é possível e fica muito mais em conta. Se conhecerem alguém com uma carrinha de mudanças, tanto melhor, se não, é possível alugar (há dias vi que a Leroy Merlin tinha um serviço de aluguer de carrinhos por qualquer coisa como 8 € /hora ao que parece é só para transporte de compras feitas na Leroy, peço desculpa pela dica má). A poupança de dinheiro é mesmo grande, mas se pensarmos que não é tão rápido, que dependendo do número de coisas é preciso muita gente e que depois é preciso oferecer algo para agradecer às pessoas que andaram a alombar com a nossa tralha, às vezes é preferível recorrer a profissionais. O trabalho é menor e há outro aspecto importante: as empresas responsabilizam-se por eventuais estragos que ocorram na mudança. Nunca me aconteceu nada grave (de todas as mudanças acho que o cômputo final é um candeeiro partido, um quadro, a cabeceira da cama lascada, e uma cómoda lascada), mas agora que temos mais coisas e coisas melhores demos valor a este pormenor.
  • Fazer uma lista de entidades nas quais é preciso mudar a morada e dividir por categorias de prioridade. A minha é assim:

Muito importante:

– Cartão do cidadão (mudança que afecta Finanças, Cartão de Eleitor e afins).

– Carta de condução

– Empregadores / Clientes (basicamente entidades com as quais estamos contratualmente obrigados a indicar a nova morada de notificação)

Importante

– Subscrições de revistas

– Ordem/Associação profissional

– Seguro de saúde

– Seguros automóvel

– Livretes dos carros

– Bancos

– Centro de saúde

Sem prioridade

– Sites de compras (Continente, Amazon, Ebay, Aliexpress, Fnac, Zara, LaRedoute, etc.)

Relativamente ao cartão de cidadão, fui mudar a minha morada na loja do cidadão e aí informaram-me que poderia fazê-lo em casa gratuitamente através da internet com a Chave Móvel Digital. Confesso que não pesquisei sobre isso porque já lá estava e não me interessava, mas a mudança de morada implica duas idas à loja do cidadão (uma para fazer o pedido, outra para confirmar) e são 2 € o que para 1 nem se nota, para uma família de 5 € já dava para ir ao cinema, por isso fica a dica.

  • Tirar medidas da nova casa para ir decidindo tudo antes da mudança e no dia conseguir dar indicações precisas e não perder tempo a pensar. Passei umas duas horas a tirar medidas a tudo, mas foi bom para ver se determinados móveis cabiam onde imaginava, ver se conseguia aproveitar cortinados, ver se os tapetes cabiam, etc. Ainda assim no próprio dia da mudança pedi ajuda à minha irmã para mudarmos o armário no quarto…
  • Tratar dos utilitários: agendar instalação do serviço de net para o dia da mudança ou para o seguinte para não passar ficar dias sem internet (para nós que trabalhamos em casa é essencial); celebrar contratos de água e luz. Levar sempre as contagens porque pode ser preciso.
  • Ligar o frigorífico e congelador dias antes na nova casa para estar a postos para entrar. Se se utilizar o mesmo frigorífico, ter atenção que existe um período de tempo após o transporte do mesmo em que não se pode ligar por isso é melhor acautelar o local onde se vai guardar a comida.
  • Preparar comida congelada (especialmente sopa para os miúdos) para nos dias da maior confusão ser só aquecer. Guardar contactos de locais de entrega de comida para pedir nas alturas piores.
  • Contar com gastos extraordinários: não é só a empresa de mudança, é preciso contar com as coisinhas pequenas que individualmente consideradas parecem despesas pequenas, mas que quando somamos tudo tornam o mês da mudança num ataque às poupanças. As refeições fora, as despesas com caixas e material de embalamento, as pequenas coisas que se acabam por comprar, pois muitas vezes não dá para aproveitar (lâmpadas, candeeiros, prateleiras, cortinados, varões), etc.
  • Fazer mala para as crianças e para nós como se fossemos de viagem: em todas as outras mudanças não o fiz, no próprio dia da mudança tinha a roupa arrumada, mas desta vez senti necessidade. São três bebés, é muita coisa. Então preparei malas com os essenciais para dois dias e levei-a antecipadamente para a casa nova. Acontecesse o que acontecesse sabia que tinha roupa, lençóis, fraldas, toalhitas e leite enquanto arrumava tudo.
  • Com crianças é obrigatório estabelecer prioridades na mudança. As coisas deles eram as primeiras, especialmente as camas. Ficámos com os móveis todos na casa nova no próprio dia, mas se não tivesse acontecido pelo menos não teríamos tido problemas com as coisas deles porque foram as primeiras a serem montadas.
  • Como entreter crianças enquanto se arruma? No fundo só tive que entreter o Gonçalo, porque os gémeos ainda são muito pequeninos. Pedi-lhe ajuda, dava-lhe coisas e dizia para pôr dentro de caixas. Coisas como revistas, almofadas, etc. Claro que tinha que andar por trás a arrumar, mas foi uma maneira de o manter ocupado. Quando isso falhava, punha-a a ver vídeos no Youtube. Não adoro recorrer a este tipo de táctica, mas desperate times call for desperate measures. Numa mudança é preciso não complicar. Faz-lhe bem estar muito tempo a ver tv ou no telemóvel? Não. É para sempre? Não. É naquela altura em que é difícil orientar tudo, é preciso sermos práticos. Este lema é válido para tudo: refeições, dormir, etc. Nos dias mais difíceis da mudança, com três bebés o meu lema foi sobreviver. Pensei sempre: se for preciso dorme-se na mesma cama, come-se pior e não há livros e brincadeiras didácticas. Quando se retomar a normalidade, compensa-se.
  • Preparem-se para discutir: acho que nem os casais mais calmos e cheios de mindfullness sobrevivem a mudança sem uma picardia. O cansaço, a confusão, a quantidade de merdas coisas que há para arrumar são catalisadores, por isso é melhor mentalizarem-se que vão mandar a vossa alma gémea dar uma volta e receber votos parecidos. É desvalorizar e tentar rir. O meu marido é a pessoa ideal para isto, porque sabe sempre fazer-me rir quando estou a mandar vir com ele. Mesmo quando fica chateado, pouco depois passa-lhe e faz-me rir. Também tenho o meu mérito, porque deixo-o gozar com as minhas exigências, deixo-o imitar-me e dizer que sou perfeccionista. Deixem, não façam finca-pé porque disseram que queriam aquela caixa ali e não ali e não discutam até de manhã porque têm a certeza que avisaram que aquele casaco tinha que ser transportado como se a vida dependesse disso. Não vale a pena.

Dito isto, deixo outro conselho: se sabem que o vosso parceiro/a tem um complicómetro que se liga à mínima coisa, ponderem excluí-lo do processo. Eu já o fiz. Na penúltima mudança, agendei a mudança para uma segunda-feira, mandei o Pedro ir trabalhar e orientei eu tudo. Estava grávida de 5 semanas, já sabia que ele ia passar o dia a dizer «não podes fazer isso», «não, deixa, ai, que ainda partes uma unha» e que ia dizer que tudo não cabe, tudo não serve, tudo se vai partir. Ele é assim, e eu não casei com ele para o mudar porque para missões impossíveis só o Tom. Adaptei-me. Ao final da tarde ele voltou do trabalho para a casa nova e jantámos confortavelmente como se lá morássemos há dias. A minha irmã ajudou-me o dia todo, porque há algumas coisas nas quais blood beats love e nisto ela é muito mais minha alma gémea que ele. Devo dizer que foi a nossa melhor mudança.

  • Antes de começar a arrumar, dar uma volta pela casa e ver o que vai para o lixo. Há sempre coisas para o lixo. No meu caso foram sobretudo caixas de coisas que fomos guardando por causa da garantia que já há muito tinha acabado.
  • Aconselho vivamente a usar um método de identificação das caixas. Pode parecer perda de tempo, mas na verdade poupa imenso tempo. Eu fiz umas folhas com uma tabela básica assim

e colei-as em cada caixa e numerava a caixa, preenchia o local para onde a caixa devia ir e o conteúdo da mesma (não detalhava, limitei-me a identificar a generalidade das coisas, por exemplo serviço de loiça branco, livros, etc.). Depois tinha esta lista geral

onde colocava os mesmos dados relativos à caixa. Esta lista é boa para saber sempre em que número de caixa se vai e para conseguir identificar as coisas rapidamente. Exemplo: a dada altura precisei de facas, fui à lista ver qual era a caixa onde estavam e depois foi só procurar a caixa n.º X e abri-la. É muito simples, é só imprimir bastantes cópias das folhas e andar sempre com as folhas, caixas, caneta e fita-cola atrás. Vai-se arrumando e apontando, não se perde tempo nenhum. A par disto também escrevia o número da caixa nas outras faces das caixas, caso a caixa seja arrumada com a folha para outro lado, o número fica sempre visível.

Este esquema das folhas com identificação e numeração permite uma arrumação muito mais rápida. Quem faz a mudança sabe em que divisão colocar a caixa o que evita encher-se uma divisão de caixas que até podem nem ser daí e depois ter que começar a colocar caixas noutra divisão. Assim, evita-se abrirmos uma caixa na sala com coisas do quarto e andarmos a carregar tudo de um lado para o outro.

As folhas, como se vê, são simples de fazer, mas eu tenho os ficheiros guardados, quem quiser é só pedir que envio.

  • Usar duas canetas com cores diferentes. Todas as caixas que contenham vidro vão com as folhas preenchidas a uma cor e as outras com a outra. Esta indicação é preciosa para quem as carrega saber qual o tratamento que determinada caixa suporta.
  • Usar lençóis, guardanapos, toalhas, e outros têxteis para embalar loiça. São coisas que se têm que transportar e assim vão a apoiar a loiça de forma a evitar que se parta. Também guardei as almofadas do sofá da sala em caixas para acondicionar garrafas, por exemplo.
  • Levar livros em malas de viagem com rodinhas. É preciso cautela nas caixas de livros porque facilmente ficam demasiado pesadas para transportar e podem romper a caixa. A maior parte dos livros fomos nós que transportámos numa mala de viagem grande que temos. Até eu sozinha conseguia. Nalgumas viagens, enchi demasiado a mala e não a conseguia elevar até à mala do carro, mas rapidamente abri, tirei alguns livros, meti na mala e depois quando estacionei na casa nova, voltei a encher. As rodas poupam muitas dores de costas.
  • Transportar roupa nos cabides, assim:
Imagem retirada do google

É eficaz, evita muita arrumação. É certo que quando se desce com a roupa assim não dá para levar mais nada, porque não se pode poisar a roupa assim, mas compensa fazer umas viagens assim porque fica logo tudo despachado.

  • No dia da mudança, andar sempre com as chaves das casas ao peito, penduradas num porta-chaves. Sempre. Se estiver sempre a balançar e incomodar, pôr por dentro da roupa, nunca poisar-só-aqui-enquanto-pego-nisto. Numa das mudanças, ficámos à porta da casa antiga cheios de tralha fechados com as chaves lá dentro. Tivemos que ligar à senhoria e esperar que ela nos fosse abrir a porta… Nem pudemos ir almoçar porque íamos deixar a tralha toda à porta e não pudemos começar a encher o carro porque também tínhamos deixado as chaves do carro lá dentro. Foi giro ficar uma hora à porta de casa sentados no chão. Muito giro.
  • Enquanto mudam, e para evitar levar com a porta do elevador no lombo 15 vezes, podem andar com pedaços de fita-cola grossa colada na roupa e colá-la à volta do sensor do elevador. Dobrem uma das pontas para ser só puxar e arrancar.
  • Furos: os finalmentes. Uns dias depois da mudança, agendei com o senhor que nos faz os trabalhos manuais cá em casa um dia e pendurei tudo o que queria: cortinados, candeeiros, estantes, estendal, varões, televisão, tudo! Fiz uma lista (não estavam à espera, pois não?) e ficou tudo.

 

Atenção que eu sei que nem toda a gente é como eu, mas para quem gosta de ter tudo arrumado rapidamente, e que gosta de organização em tudo, acho que pode ser útil. Eu vi muitos artigos no Pinterest sobre mudanças e tirei de lá ideias fantásticas (muitas das que aqui mencionei são adaptações de coisas que lá vi).

Boas mudanças!

2 Comments

  • Joana

    Parabens pela coragem de mudar com esses pimpolhos todos tão pequeninos 👏 eu acho que os verdadeiros pais já nascem dotados de super poderes 😅 Uma ressalva,a Leroy Merlin só aluga carrinhas para transporte de mercadoria comprada na loja e que exige assinar um contrato com seguradora..portanto é melhor não arriscarem 👍👍 um beijinho

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    • Ana Sousa Amorim

      Olá, Joana! Obrigada pela dica. Vou tirar do post!! Não fazia ideia…
      Como precisávamos de espaço, não hesitámos, mas houve alturas em que me arrependi da decisão! Mas já está e sobrevivemos 🙂 Beijinhos

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