Passear Tudo e Nada

Quinta das Lágrimas

Nos meus anos, como contei aqui, a minha tia ofereceu-me uma noite na Quinta das Lágrimas. Há muito que queria lá ficar. Para quem é de Coimbra, não faz muito sentido ir passar uma noite à Quinta das Lágrimas, porque uma escapadinha sabe sempre melhor quando se é para mais longe, mas eu sempre quis lá ficar. Já conhecia o restaurante (havia lá ido há anos com os meus pais), já lá tinha estado em festas e conhecia o jardim, mas queria lá estar como turista por isso fiquei muito feliz de lá passar a noite dos meus anos.

O meu marido tinha marcado uma massagem no SPA com prenda de aniversário de casamento por isso assim que chegámos fomos para lá. Quase um mês depois (e que mês) já não sei onde foi aquela sensação de relaxamento com que de lá assim, mas adorei. Foi uma boa massagem, estava mesmo a precisar porque tenho imensas dores de costas e no ombro, tanto de estar ao computador como de lhes pegar, e senti um enorme alívio.

Depois jantámos no Hotel. O restaurante é bastante conhecido, consta que é considerado um dos 500 melhores do mundo pelo «Le Liste», e assume-se como uma cozinha com alma pelo Chef Vítor Dias. Eu adoro restaurantes, adoro jantar fora, adoro comer, e não sou elitista, nem populista, gosto de tudo. Não vou a restaurantes como o Arcadas frequentemente porque não posso, gastar 120 € numa refeição a dois é um luxo, algo próprio de um aniversário especial, não é norma e não acho que compense, porque conheço sítios muito bons em que gasto metade. Dito isto, gostei.

Eu escolhi o menu vegetariano porque não estava muito virada para a sardinha e o Pedro escolheu o menu santos populares (havia mais, mas achámos demasiado caros e optámos por escolher os mais simples). Não me arrependi nadinha porque os meus talharines eram maravilhosos. O bife de tofu com risotto também estava delicioso mas os talharines arrumaram comigo.

Adorei este porque era um bombom que partíamos e vertia licor vermelho sobre as pedras a simbolizar a Fonte das Lágrimas.
Pão tão bom, tão bom que ponderei encher-me de pão e não comer mais nada

O bolo delicioso que me trouxeram

O Pedro não gosta de menus gourmet, farta-se de refilar sempre e diz que vai ficar com fome. Desta vez saiu de lá a abarrotar, mal conseguimos comer o bolo que simpaticamente me ofereceram. O menu é enorme, tem imensa comida e é toda deliciosa. Bebemos cerveja (eu não gosto de vinho). Adorei o pão e a minha massa, achei mesmo incrível, muito saborosa e cozinhada no ponto. O bolo de aniversário que me ofereceram também era muito, muito bom. O serviço era fantástico, talvez onde se note mais a gama do restaurante. Eu atendi muitas chamadas durante a refeição, de pessoas a darem-me os parabéns e logo quando vieram buscar os pedidos o Pedro pediu desculpa por não ser eu a pedir e explicou que eu fazia anos. Não disse mais nada, e foi o suficiente para, no final da refeição, trazerem o bolo e agradecerem-me por ter escolhido o restaurante para comemorar. Achei um gesto simpático.

Depois fomos dormir que a noite já ia longa para quem quer mesmo descansar. Achei que a cama em si era a coisa mais cinco estrelas do quarto que era banal (arrisco-me mesmo a dizer simples demais). A cama tinha um sobre-colchão de penas fantástico que, aliado à qualidade dos lençóis e das almofadas, criava a sensação perfeita de estar a dormir numa nuvem (Isso ou eu não ter de me levantar para ir dar leite ou pôr chuchas).

Na manhã seguinte acordámos com o despertador (só quando se é pai é que se percebe a felicidade de acordar com um despertador, ou seja, à hora que queríamos, e não com choro, à hora que nos obrigam) e seguimos para o pequeno-almoço. O pequeno-almoço é servido no restaurante Pedro e Inês que é no mesmo espaço que o Arcadas. Comer ali de manhã, com a vista do jardim, é maravilhoso.

Já conhecíamos o Jardim, mas não deixámos de visitar.

E fui espreitar a Biblioteca, que não conhecia.

No cômputo geral, gostei bastante. Acho que os quartos são uma desilusão, para o espaço pede-se um pouco mais de luxo. E o hotel em si não é grande e tem pequenas falhas de acessos, mas acho que está bem decorado, é bonito e tem requinte. O jardim é sem dúvida o ponto forte. Toda a história envolvente é incrível. Depois de lá estar sinto que talvez achasse mais piada se não fosse de Coimbra e não tivesse crescido a ouvir a história dos amores de Pedro e Inês, não tivesse ido a festivais no jardim, não fosse a mercadinhos por ali. Se os meus olhos estivessem a descobrir o desconhecido, garantidamente ter-me-ia apaixonado de amores por aquele recanto. Tenho um fraco por história e tenho um fraco por histórias daquelas… Inês, coroada depois de morta? A mancha da Fonte das Lágrimas? São lendas fantásticas. Ouvi uns turistas no pequeno-almoço falar com muito entusiasmo da história, da cidade, e fiquei encantada.

Acho que é uma óptima escapadinha, mesmo para os coimbrinhas é um vá para fora cá dentro para dias especiais muito bom. O restaurante Pedro e Inês está aberto ao almoço durante a semana e com menus de executivo muito em conta para o espaço que é, por isso acho que qualquer dia aproveito para lá ir almoçar e aproveitar aquele jardim lindo.

Dias felizes, comemorações boas porque passear é das minhas coisas favoritas. Obrigada à minha tia pela surpresa boa, e à família por se orientar para ficar com os três para nós podermos passear e descansar.

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