Maternidade

Neste dia

Na primeira foto, em 2016, grávida de 40 semanas certas, confiante que o fim da seca da gravidez estava para breve e que iria conhecer o meu amor rápido. Não esperei muito mais, foi no dia seguinte. A ideia era tirar uma foto no ano seguinte, no mesmo dia, e mostrar a minha espectacular recuperação pós-parto, aquela que na altura estava empenhada em ter. A segunda foto, é a tal, no mesmo dia, em 2017. Grávida, de gémeos, de 21 semanas, na recuperação pós-parto menos aconselhável de sempre. A promessa ficou então para o ano seguinte, ou seja, para hoje. E como tantas outras promessas, fica por cumprir. Não há foto porque também já não há ilusões. Não há foto porque não recuperei como queria, não há foto porque não estou como antes queria estar hoje. Isto da aceitação é um processo e a maior parte do tempo não estou preocupada, sei que tenho tempo e gosto-me assim. É verdade que já fui mais magra, já tive a barriga lisa, mas também é verdade que não me gostava, queria mais disto e menos daquilo, vivia numa insegurança típica da idade e da falta de juízo. E a confiança também é bonita. Mas também tenho dias em quero lá saber se as maleitas de que me queixo foram consequência de fazer crescer três bebés, quero as barrigas lisas que vejo a banhos. Quando prometi fotos impossíveis achava que recuperar no pós-parto era sobre o peso, mas aprendi que é sobre não maldizer este corpo que nunca me deixou, nunca fraquejou. Pode estar dois números acima do habitual, três acima do que quero, mas nunca me deixa, nem quando a cabeça desliga e alma precisa de descanso. Um corpo que acorda automaticamente e embala, que sem lhe pedirem licença aguentou duas gravidezes no espaço de 9 meses, o corpo que fez nascer e alimentou três bebés e esteve em esforço, em risco. Recuperar nos pós-parto é agradecer. Não dá para fotos, mas dá para recordar. Há dois e um ano estava assim, grávida. Hoje estou feliz.

3 Comments

  • Patricia Couto

    Ola Ana.
    Em primeiro lugar, parabéns! Pelas palavras, pela partilha e pelos 3 rebeldes.
    Percebo bem as tuas palavras deste post. Tenho 31 anos (faco 32 sabado) tenho dois filhos, uma menina de 7 e um rapaz de 4 que me levam à loucura!! 😂
    Sinto muitas vezes o mesmo que descreves. Ha alturas em que me borrifo pras estrias, pra celulite e barriga que ainda tenho (ao fim de 4 anos)… há outras em

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  • Patricia Couto

    Há outras em que queria ser como as elegantes que ainda ontem vi na praia!!
    Barriga lisa, sem celulite, esculturais…
    Que tem tempo pra ir ao ginasio, sair com as amigas….
    Mas no fundo, acho k perdem mais que nos. Temos marcas sim. Mas marcas de amor! Nossos bens maiores 😍
    Bjinho e obrigada pela partilha

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