Tudo e Nada

Um ano de blogue

Fez há dias um ano que decidi criar este boteco e escrever sobre o que me apetece. Continuo satisfeita com a decisão, tenho conseguido deixar de ter vergonha de fazer uma das coisas que mais gosto: escrever (e fazer piadas!). Já conheci pessoas através do blogue e passei a falar mais com outras que já conhecia e, portanto, o balanço é bom e estimo continuar.

Não temam que me torne uma blogger como às bloggers, na verdade, já estive quase, quase para me deixar enamorar pelo estrelato, mas aprendi a dura lição da realidade: no dia seguinte a ganhar uns quantos seguidores novos no Instagram fui ao hipermercado e reparei em muitos olhares indiscretos. Pensei logo “Ai não posso, as pessoas reconhecem-me, deve ser da página!! Tenho de ir ao cabeleireiro, não tarda vou às tardes da Júlia.”. Levei as compras todas a perceber o que havia sucedido, tinha a camisa toda aberta e andei a passear o meu soutien novo de renda pelos corredores de pensos higiénicos e enchidos. Não foi o Insta que me fez render olhares, foi mesmo o meu mamaçal a chamar a atenção, já devia ter aprendido que não há uma alma amiga que diga «então e esse botãozinho maroto?»…

Para comemorar o primeiro aniversário não há passatempos, nem códigos de desconto, mas aproveito para responder a uma das coisas de que mais me falam: o nome da blogue. Estive indecisa entre vários nomes tristes, porque originalidade para nomear coisas é algo que não me assiste. Escolhi Três antes do Trinta não, ao contrário do que alguns já me disseram, por achar que é raro ter três filhos antes dos trinta (porque sei bem que não é, é pouco comum no contexto das minhas relações, mas não é geral), mas sim porque eu ter três filhos antes dos trinta continua a ser uma das maiores surpresas da minha vida. Nunca fui uma pessoa maternal, nunca entendi a maternidade como obrigatória e quando era mais nova dizia até que não sabia se queria ser mãe. Entretanto, cresci, apaixonei-me e percebi que queria ter filhos, mas na verdade sempre disse que só seria mãe depois dos trinta, tinha planeado a coisa como planeio tudo na vida. O meu filho mais velho foi planeado, mas foi algo antecipado depois de perdermos um bebé que não tinha sido planeado (mas muito desejado). Percebi que estava preparada na altura pela maneira como fiquei feliz quando descobri que estava grávida e depois triste quando o perdi. Fui mãe de filho único com um pós-parto de loucos, senti-me enganada pelas visões românticas da maternidade e estava decidida a esperar no mínimo três anos para lhe dar um irmão (isto se conseguisse dormir até lá). Mas a vida deu-me a volta e engravidei sem o planear (sim, eu sei que tendo sexo uma pessoa arrisca-se, mas quando determinados métodos conceptivos falham como as notas de 500 é surpresa) e logo de gémeos. Portanto, em menos de nada, eu, que não me imaginava mãe antes dos trinta, que nunca sonhei ter três filhos, acabei mãe de três aos 29 anos. E foi assim que a coisa surgiu. As pessoas têm sempre tendência de ver críticas em todo o lado e até no nome do blogue já conseguiram pegar: eu não sou defensora da maternidade antes dos trinta, ou crítica da maternidade mais tarde, o nome é sobre mim e não sobre os outros.

 

Entretanto, passado um ano, já somos uns quantos por aqui, pela página de Facebook e pela página de Instagram e alguns perguntam-me o que quero da coisa e eu continuo sem saber. Os mais cuscos estão convencidos que já choveram artigos vários de fraldas e afins e que cada vez que falo de alguma coisa recebo imenso guito. Amigos, não, nada, continuo a pagar tudo o que consumo e é certo que já tive imensas propostas imperdíveis, mas foram só duas e incluíam vender a alma a 33 posts em troca de artigos que eu não ia ali abaixo levantar nem que me pagassem. [Uma nota para dizer que adoro que «as agências» adorem o meu blogue, mas não tenham conseguido sequer perceber que sou de Coimbra e odeio pessoas, pelo que um evento num shopping na grande Lisboa não entra na minha definição de i-m-p-e-r-d-í-v-e-l] Por esse motivo, continuo a ser uma mera influenciadora dos meus filhos e mesmo esses não fazem nada do que eu lhes digo.


Vamos a mais um ano! Prometo se continuar por aqui mais um ano faço um giveaway à grande: três miúdos lindos uma semaninha em vossas casas… Mal podem esperar, não é?

4 Comments

  • margarida

    Adoro ler-te. Estou a ser repetitiva e chata, bem sei. Mas é a verdade!
    Quando for mãe – se o chegar a ser – quero ser como tu. Talvez até arrisque num “4 antes dos 40″…que é para onde caminho (de idade, pois claro; filhos, nem vê-los).
    Um beijinho grande

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    • Ana Sousa Amorim

      Margarida, obrigada por aí estares. Alguma vez imaginei alguém dizer que quer ser como eu eu quando nem eu quero ser eu tantos dias? Tu és doida! Serás uma mãe de 4 aos 40 excelente, aposto 🙂 A minha vida mudou em 15 meses passei dos 0 aos 3, por isso nunca se sabe, vais muito a tempo 🙂

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  • Catarina

    Parabéns pelo aniversário do blogue 🙂 eu também quero muito ter 3 filhos e pelas minhas contas aos 30 também vou ser mãe de 3. Mas como nem tudo é linear vamos lá ver como corre a coisa. O problema é que o marido está traumatizado com as noites mal dormidas e ainda só vamos num mês e meio disto ahahah

    Beijinhos

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