Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba

Ser desleixada com a minha aparência

Lembro-me de estar grávida e estar a ver um daqueles artigos beras que tenho vergonha de admitir que abro com fotos de celebridades na rua de fato de treino todas descabeladas e pensei «não vou deixar de me arranjar». Arranjar-me é especialmente importante para mim que trabalho em casa e sei a importância de não deixar de ter determinados comportamentos sob pena de virar ermita. E, no início, esforcei-me. Depois de ser mãe houve dias em que sucumbi ao pijama o dia todo e cheguei a descer de pijama para ir ao lixo, mas não me sentia minimamente desleixada. No entanto, logo logo após os gémeos percebi que desleixe ia passar a ser uma questão de sobrevivência em determinadas alturas. Quando o trabalho aperta, tenho de escolher prioridades e francamente as unhas não são uma delas. Aí, entra a engole-sapos: cabelo tão sujo que faz comichão preso num totó que me deixa o pescoço gelado como a minha alma, lenço antigão para aquecer o pescoço, camisolão de «andar por casa» que me lembra que noutra vida viajava, olhos que não vêem maquilhagem há tanto tempo que me perguntaram se estava doente, unhas dos pés feitas com gelinho preto há três meses (que decidi que sairá por via de crescimento, pelo que parece que tenho as unhas sujas de terra na medida em que só sobra o final tipo manicure francesa mas com preto) e unhas das mãos cortadas com corta-unhas quando topo que já ando a arranhar os putos. Não quero dar ar de mártir, «olha aquela, tadinha, agora não tem tempo, ficou feia» porque continuo a ir ao cabeleireiro, à manicure e à depilação, simplesmente não vou tanto como ia (e queria). Jamais me imaginei neste ciclo de nem-olho-para-o-espelho, sei-lá-o-que-tenho-vestido, tenho-o-cabelo-tão-oleoso-que-quase-fica-preso-sem-puxo, tanga-agora-só serve-para-descrever-uma-coisa-fraca, vou-só-lá-abaixo-não-preciso-de-pôr-soutien-claro-que-tinha-de-encontrar-4-pessoas-conhecidas. Disse que ia continuar igual, a cuidar de mim e que nunca me ia desleixar e agora pumba. [e não há mal nenhum, feliz assim, não há truque melhor para levantar o astral: quando me pinto outra vez, porra, ninguém me atura, sinto-me uma estrela!]

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