Tudo e Nada

Sabes lá, porra, sabes lá

Já me disseram uma vez quando me queixava da logística que sabiam como era e eu não disse, mas pensei para mim «sabes lá, porra, sabes lá». É, eu já tive só um filho, e as coisas mudam, mas fiz uma viagem de carro 13h com ele, outra de avião, viajámos sem ele, saíamos de casa quase todos os dias e jantava fora frequentemente com ele e sem ele. Com dois bebés quando tenho um almoço de família preciso de dois minutos no espelho da casa de banho a dar-me uma pequena pep-talk com muitos «tu consegues, Ana, é só sair de casa, não é andar de avião, são 4 km, não é esta merda que te vai deitar abaixo e ter o esgotamento”. A logística de ter gémeos é um inferno que devia dar para colocar no CV como demonstração de grande capacidade de conformação, logística, mediação de conflitos, e por aí fora. Já nem falo do dinheiro (lágrimas), mas da logística, o não poder pegar num ao colo e correr para dentro do restaurante sozinha, porque há outro à espera no carro  é daquelas coisas que só mesmo quem passa é que sabe. Eu nunca sonhei com este mundo, aliás, nunca levei a sério as vezes infinitas que o meu pai dizia que eu ou a minha irmã íamos ter gémeos atendendo à genética que possuíamos, e quando pensava nisso só pensava «ui, não é para mim». E de facto, não é. Porque a verdade é que em vez de fazer face às adversidades, suar e dizer asneiras, eu eliminei-as. É difícil viajar? Não viajamos. É difícil jantar fora? Nunca o faremos. É difícil almoçar todos os fins-de-semana com amigos? Passará a ser de quatro em quatro meses. Foi o caminho que encontrámos para manter a sanidade e não aceito que ninguém o critique porque os sapatos podem ser bonitos, mas quem anda com eles sou eu. Sabes lá, porra, sabes lá.

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