Tudo e Nada

2018

Adoro balanços de fim de ano. Sou uma pessoa que funciona por objectivos por isto aproveito esta altura — e a dos meus anos — para alinhar as coisas. Ou era. Porque nos últimos anos o lema foi «going rogue». Sou organizada e pessoa de regras, mas a melhor que instituí foi se as listas ficarem por fazer, que fiquem, se a organização se furar, que fure e se o caos quiser entrar, abrir-lhe-ei as portas. Não vos vou dizer que foi o ano que quis. Teve muitas coisas boas. Superámos imensa coisa. Ajudaram-me muito para poder descansar uns quantos dias e passear outros. Tenho fotos lindas. Mas não se fotografa a saudade. Não saí do país. Não dormi. Não fui a um único concerto, nem a uma peça de teatro. Fui só quatro vezes ao cinema. Faltei a ajuntamentos vários de amigos. Tenho três livros há meses na mesinha de cabeceira que quero mesmo ler e nem os abri. Continuo com a dissertação por entregar. Ainda não fiz a minha Master Class do Aron Sorkin. Chorei rios de água. Desesperei. Tive vontade de atirar os meus filhos à parede porque nalgumas noites de cansaço vi tudo vermelho. Mas joguei ao esconde-esconde com a loucura e continuo a ganhar, sei onde ela está e deixo-a lá. Agarrei-me ao sol que nasce sempre, mesmo nos dias mais feios. Saí para dançar duas noites apenas, eu que adoro tirar o pó dos ossos. Passei 6 noites fora com o meu marido sem filhos, precisava de 20. Discuti muito com ele, mais do que em toda a nossa vida e às vezes por coisas que não valiam dois segundos. Não mandei aquela pessoa que me disse que eu precisava de emagrecer «pelo Pedro também» à merda e às vezes lembro-me. Assim como não mandei a pessoa que no shopping me disse para não tirar fotos à Leonor de capacete e tapar o arnês com roupa. Já sei que me vão mandar não pensar nestas pessoas, mas quando uma pessoa está frágil, esconder as lágrimas por comentários estúpidos custa. Por isso em 2019 vou mandar mais pessoas à merda e chorar menos, prometo. Prometo também tentar não trabalhar aos fins-de-semana e namorar mais. Não quero mais filhos, mas quero mais destes.

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