Passear Tudo e Nada

Paris | Disneyland

Fomos e viemos em menos de um fósforo, foi há um mês e parece que foi há eras. Foi ótimo, mas estou certa que muito foi de estarmos sozinhos, de descansarmos e namorarmos, coisas que já não fazíamos há muito tempo. O objetivo primordial da viagem era ir à Disney. Ambos já lá tínhamos estado com os pais. Além disso, eu também queria mudar de ideias sobre Paris, cidade que não me tinha deixado especialmente deslumbrada quando lá estive, há anos.

DISNEY

Fazia questão de lá voltar. Tenho um fascínio por parques de diversões. Adoro o conceito: tudo e qualquer coisa tem a função única de nos divertir. Bem sei que o objetivo deles é fazerem dinheiro, mas na era das mensagens, das oportunidades de aprendizagem e dos momentos pedagógicos adoro que lá a única coisa a fazer seja divertirmo-nos.

Escolhemos ir em Janeiro porque é o mês com menos afluência. Não esperei mais de 20 minutos em nada e na maioria das coisas nem esperei. A parte negativa é que o próprio parque aproveita esta altura de menos gente para fazer manutenção e algumas atrações estavam fechadas.

Quando lá tinha estado, há 13 anos, não existia o parque Studios, que achei mais fraco que o Disneyland, mas tem a melhor atração de sempre: The Twilight Zone: Tower of Terror. Não é de todo para cardíacos e devem ponderar muito levar crianças, mesmo que tenham a altura recomendada. Também gostei da Rock ‘n’ Roller Coaster Starring Aerosmith. Achei o Ratatouille muito giro para miúdos, vale a pena, imagino que delirem com aquilo. A zona das lojas do Studios é excelente.

Do parque Disneyland lembrava-me de muita coisa. Adorei de novo o Big Thunder Mountain, a Space Mountain Star Wars (que acho que está muito mais giro com o tema Star Wars). Andei na Indiana Jones que achei MUITO melhor do que quando tinha andando, ainda assim acho que é muito violenta, nem gritei (o que em mim é péssimo sinal). Depois também andei em praticamente todas as atrações do parque para crianças. O Small World é das coisas mais bonitas que vi, lembrava-me bem e não me desapontou nada repetir. Com crianças é uma atração imperdível.

Acho que não é para todos, mas para mim, montanhas-russas é sinónimo de descomprimir, por isso era mesmo do que precisávamos.

 

Dicas:

  • Dá para levar comida para a Disney. Mais do que cara, que também é, a comida não vale nadinha. Com miúdos acho muito importante levar bucha. Aproveitámos os cafés e restaurantes para beber cafés e cappuccinos e reparei que os espaços têm micro-ondas o que com miúdos mais pequenos pode dar jeito.
  • Optámos por não dormir num hotel na Disney. Com crianças acho que faz sentido porque há toda uma mística nos hotéis, mas nós queríamos aproveitar o final de tarde e noite em Paris e não me arrependi.
  • Comprei os bilhetes na Agência de Viagens Abreu. Eu, que adoro comprar tudo online, achei o site confuso e preferi não arriscar e comprar na agência.
  • Os Fast Pass são bilhetes que se tiram em máquinas à entrada da atração que permitem aceder à mesma num período de tempo pré-determinado. O acesso por Fast Pass praticamente não tem fila. Está incluído no bilhete normal e nem todas as atrações têm, apenas as que têm mais afluência. Penso que compensa muito. A melhor maneira será dar uma volta geral, perceber o que tem muita fila e tirar o Fast Pass aí e organizar o dia de acordo com isso. Aqui está bem explicado.
  • Pelo que percebi há possibilidade de alugar um carrinho de bebé. Vi muita gente com carrinhos alugados pelo que, presumo, não devem ser caros e para miúdos que já andem e compense não levar o carrinho no avião pode ser uma excelente solução.
  • Se escolherem ir assim no Inverno como eu fui há sempre hipótese de apanhar neve e frio como apanhei. As filas, muitas, são na rua por isso faz sentido ir bem equipado. Vi muitos miúdos de galochas e calças impermeáveis de neve e acho excelente porque assim uma pessoa não se preocupa em estarem molhados.
  • Estive dois dias e dediquei cada um a um dos parques, mas no segundo ainda voltei ao Disneyland porque é mais giro só de estar e já tínhamos visto tudo o que queríamos (e que estava a funcionar). Um dia para os dois parques acho apertado. Dois dias, quando há assim pouca afluência, chega perfeitamente.
  • Se não tiverem dinheiro para gastar em prendas, afastem-se das lojas. São demoníacas. Dá vontade de trazer prendas para toda a gente, para a casa e, claro, para nós. Coisas com zero utilidade, mas como tudo o que tem carimbo Disney é excelente (desde Disney, a Star Wars, Marvel) eu deixava lá um salário com facilidade.

sdr

ESTADIA

O hotel foi escolhido tendo em conta que queríamos ir dois dias à Disney e queríamos estar próximo de um estação de comboios que tivesse comboio direto.

Escolhi um hotel com cancelamento gratuito no Booking (os miúdos podiam ficar doentes e termos de cancelar a viagem). Perto da data de fim da possibilidade de cancelamento, verifiquei a zona novamente a apareceu-me outro com promoção e então cancelei e marquei esse outro. Poupei 300 € e acho que fiquei melhor. Não era tão giro, mas tinha uma pequena kitchenette que acabou por dar jeito para tomar o pequeno-almoço e lanchar ao final da tarde. Foi este.  Era muito próximo da estação de RER Châtelet – Les Halles que tinha uma linha direta para Marne la Vallée Chessy, a estação da Disneyland. A viagem demora cerca de 45 minutos, entre sair do hotel, apanhar o comboio e estar a entrar no parque penso que levei 1h15min das duas vezes. A estação de RER é mesmo à porta da Disneyland (numa das agências de viagem que me tentaram impingir o hotel na Disney antes de me decidir por marcar a viagem por mim mesma disse-me que ainda se tinha de andar muito para entrar no parque desde o comboio e é mentira).

Achei a zona muito gira, cheia de sítios giros para comer e beber uns copos. Fica também muito próximo do Museu do Louvre. O hotel tinha 3 supermercados muito próximos que dão muito jeito para comprar coisas básicas (eu, fã de queijo, comi queijos excelentes ao pequeno-almoço e lanche comprados no supermercado).

O negativo: a cama não era confortável e as almofadas uma merda. Para aceder ao nosso quarto era preciso descer umas escadas depois do elevador e abrir uma porta pesadíssima (o que para mim não tinha mal nenhum, mas se estivesse com os bebés surtava). Não tinha limpeza de quarto.

O positivo supera muito o negativo: a localização e preço são ótimos.

RESTAURANTES

Fiquei com mil recomendações por experimentar porque optámos por um registo muito descontraído de ir andando e parar onde nos apetecia.

Marcámos apenas dois que nos indicaram e de que gostámos muito:

  • Daroco Paris. O espaço é maravilhoso, mesmo giro. A comida não é nada de especial e é caro, mas vale mesmo pelo espaço.
  • Ikône Paris. Muito bom, espaço agradável, pequeno, ficava na zona do nosso hotel. A comida era muito bem confecionada, comi uma carne deliciosa. Não achei muito caro (para Paris).

 

Recomendações que me deram que estive mesmo para seguir, mas depois preguicei:

  • Bouillon Chartier (não fazem marcações) foi descrito como um tasco à francesa e deve ter muita pinta, foi o que tive mais pena de não ir.
  • Le Castiglione

 

Locais onde passei e fiquei com vontade de marcar, mas depois não deu:

  • Le Grand Colbert. É na rua do Daroco e passei por ele depois de sair e fiquei impressionada. Tão lindo, cheio de luzes. Na porta tinha a indicação de que foi lá que foi filmado o Something’s Gotta Give. Pareceu caro, mas nada de surpreendente para Paris. Fiquei com pena de não ter mais dias para ir lá jantar.
  • La Poule au Pot. Era mesmo ao pé do hotel e parecia um típico francês. Estivemos mesmo para ir em vez do grego, mas depois preferimos andar um pouco mais. Pena não ter ficado mais tempo.

MUSEUS

Paris tem uma oferta de museus infinita. É muito difícil fazer tudo, por isso aconselho bem a decidir o que se quer mesmo ver e escolher poucos.

Eu escolhi apenas dois:

  • Museu do Louvre. O Louvre permite visitas noturnas às quartas que foi o dia em que chegámos e aproveitámos para ir. Confesso que só queria visitar para conhecer o espaço, a arte que lá está pouco me diz, mas tinham-me dito que o edifício em si era lindo e eu tinha uma certa curiosidade de inspiração do Livro/Filme O Código Da Vinci. Aquilo tem imensas alas. Se não quiserem passar lá imensas horas, aconselho a escolherem apenas duas para ver. Eu quando entrei fui à receção e perguntei onde estava a Vénus de Milo e a Mona Lisa, as duas coisas que fazia questão de ver (nem me chateiem com o porquê, queria ver, pronto, lembrava-me bem de ver as fotos nas aulas de história e queria ver ao vivo). Decidi visitar apenas as duas alas onde estavam. Gostei bem mais do que estava à espera, achei o edifício em si maravilhoso. A entrada noturna (que só existe às quartas) pode ser feita até às 21h54 (as salas começam a fechar às 21h30). Eu entrei por volta das 20h e tinha pouquíssima gente, circulava-se bem, sem enchentes. Comprei o bilhete online enquanto jantava e entra-se ainda com mais facilidade.

  • Museu de Orsay. De forma a conjugar com a Disney, aproveitámos também a visita noturna do museu que é às quintas e fomos da Disney diretos para lá. Estava decidida a visitar porque me tinham aconselhado muito. Só o edifício é imperdível. O museu funciona numa antiga estação de comboios e está muito bonito. Foquei-me na Ala dos Impressionistas e de Van Gogh e acabei por ver também a maquete de Paris e da Ópera no piso da entrada que adorei.

VERSAILLES

Apesar de não ter ido muitos dias e de toda a gente me dizer que precisava de um dia só para a visitar Versailles, não abdiquei de lá ir. Sinceramente não sei quando volto a Paris e preferia visitar num modo mais rápido do que não ir.
Escrevi no insta: « Versailles vale bem o esforço. Não engano ninguém: não sou de andar de áudio-guia pelos museus/palácios, não me demoro em cada pormenor e não me pesa a consciência se não vir TUDO porque não ando lá porque tem de ser, mas sim porque me apetece e não me apetece horas intermináveis de aulas de história. Pelo exposto acho que dá bem para visitar numa manhã. Claro que era uma manhã de final de Janeiro, com pouquíssima afluência (a data da viagem foi precisamente escolhida para evitar filas, que nenhum dos dois gosta de esperar e de espaços cheios de pessoas), é certo que chegámos à hora de abertura e tínhamos os bilhetes comprados, mas não esperámos tempo nenhum e vimos o palácio e parte dos jardins em duas horas. É das coisas mais imponentes que já vi, lindo. Euzinha fiquei abismadinha com os mármores, não me calei com esgares de surpresa pela quantidade e variedade de mármores em todo o lado. É que uma pessoa sabe o esforço que é para ter um boa banca da cozinha de mármore e ali é literalmente do chão ao teto.»

Apesar de não visto grandes filas porque cheguei cedo, aconselho muito a comprar os bilhetes antes para evitar filas (sobretudo os que têm hora marcada).

Fui de uber para lá para chegar mesmo cedo e de manhã ficámos um pouco mais na ronha. Voltámos de RER e foi rápido e eficaz.

PASSEIOS

De resto, fizemos o que mais gosto de fazer em viagem: passear, andar pelas zonas com um meio plano, parar muitas vezes para beber umas cervejas e comer crepes e apreciar. Da outra vez que tinha estado em Paris não lhe vi grande beleza, não sei bem porquê, não me parecia o meu tipo de cidade. Desta feita, foi o oposto. Percebi bem porque lhe chamam a cidade das luzes, senti-me sempre num cenário de um filme. É mesmo uma cidade maravilhosa.

DEIXAR OS PUTOS

Isto foi das coisas que mais suscitou curiosidade no instagram quando partilhei a viagem, se nos custava deixar os miúdos. Ora se ficassem numa sarjeta acho que nos ia deixar uma certa angústia, a atirar para o intolerável, mas como ficaram com a família em casa não nos custou nada. Tememos mais pelas pessoas que iam ficar com eles, por conhecer a exaustão a que eles podem levar, do que propriamente por eles que sabíamos que iam adorar a dose exaustiva de mimos de avós e tia a que iam ser submetidos.

Achámos que não ia ser bom para eles falar por videochamada, mas na verdade o Gonçalo ficou sempre muito entusiasmado de nos ver e não mostrou tristeza nenhuma (os gémeos ainda estão um pouco na fase do estou nem aí).

Tive saudades deles, mas devo dizer que não fiquei minimamente angustiada, como sucedeu na primeira vez que deixei o Gonçalo. Dessa vez foi uma semana inteira, aqui foram cinco dias, talvez tenha contribuído.

Acho fundamental escapar sem eles. Não é para todos, mas para nós é muito necessário. Eles têm os três menos de três anos (têm 1 ano e 3 meses de diferença). O último ano foi demais, levou-nos muitas vezes à loucura. Tivemos momentos duros de privação de sono. Apesar de desvalorizarmos sempre as maleitas da miúda por serem temporárias e resolvíveis, ela andou seis meses com aparelhos que nos dificultaram muito a vida e o sono e a preocupação se ia resultar consumiu-nos. Muitas vezes fomos só companheiros de casa. Mais do que muitos meses limitámo-nos a passar turnos. Precisávamos de estar dias sem dependentes para nos encontrarmos outra vez e namorarmos sem obrigações, sem despertares noturnos, sem preocupações, sem dar jantar, sem trocar fraldas e sem interrupções para explicar porque é que não se brinca com facas. Não era uma questão de luxo ou de poder para nós, estávamos na linha do precisar para continuarmos saudáveis. Por isso acho que não tivemos aquelas saudades sufocantes, só das boas.

Sinceramente sinto que o devíamos ter feito antes, mas também não tivemos mesmo possibilidade.

No final de um dos dias, ao andar no quarto de hotel o Pedro bateu com o mindinho no pé da mesa e contorceu-se de dor, mas não emitiu um único som. Eu percebi que ele ainda estava no modo «casa/silêncio total/barulho zero». Os miúdos acordam com barulho, como é normal, mas se um bebé é fácil de acalmar, com três o choro pega-se em cadeia, por isso somos muito cautelosos e vivemos sobre a tirania do barulho zero. Então quando um de nós se aleija, não grita e diz asneiras mentalmente. Eu lembrei-o que estávamos fora de casa. Disse-lhe «podes gritar, sabes?» E ele largou um sonoro «foda-se» porque bater com o mindinho no pé de uma mesa é fodido. E assim de forma tão eloquente termino o relato da cidade das luzes, já a pensar e planear a próxima oportunidade de poder dizer foda-se alto quando me aleijo no mindinho.

 

 

 

 

No Comments Found

Leave a Reply