Tudo e Nada

A definição de ser mãe

Oiço mais que muitas vezes muitas dizerem que ser mãe não as define. Eu percebo, andamos todas a fugir ao estereótipo das mães que são só mães, das mães helicóptero, que abafam e não deixam respirar que fugimos de nomes que nos reduzam. Eu também já tive medo. Mas hoje estou em paz com o que sou e com a vala que existe entre isso e o que achava que ia ser e digo-vos, não me termina, mas define-me. Sou mãe. Não sou só mãe, até porque também sou namorada, filha e irmã. E amiga e mulher. E sou tradutora e jurista. E sou aficionada de histórias: de as ler, ver, ouvir e escrever. Mas sou mãe e leio, vejo, ouço e escrevo de maneira diferente desde que nasci mãe deles e eles me nasceram. Diferente não é melhor, não sou mais que ninguém que não o seja, mas isto sou eu, a soma das minhas partes e eles são parte de mim, daquelas que não têm divórcio ou cataclismo que apague. E não me falem no futuro, não me digam que eles são do mundo e que se me deixar definir por eles quando me voarem não sei quem sou porque eles são do mundo, mas são obra minha e quando voarem eu voo junto e tenho sempre parte de mim aí espalhada pelo mundo, mesmo que seja ao fundo da rua. A mãe deles não é só mãe, mas eu sou mãe e na discriminação da conta é inegável e não se tira do que sou. Não quero que me tomem só pela parte, nunca quis, também não gostava quando só me diziam bonita e não me elogiavam a piada, mas não ignoro. Ser mãe define-me. Mãe sou, mãe serei. Quanto ao resto, às vezes não sei.

(só porque rima, há pessoas que também vou ser para sempre)

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