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Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba

Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba

Ser desleixada com a minha aparência

Lembro-me de estar grávida e estar a ver um daqueles artigos beras que tenho vergonha de admitir que abro com fotos de celebridades na rua de fato de treino todas descabeladas e pensei «não vou deixar de me arranjar». Arranjar-me é especialmente importante para mim que trabalho em casa e sei a importância de não deixar de ter determinados comportamentos sob pena de virar ermita. E, no início, esforcei-me. Depois de ser mãe houve dias em que sucumbi ao pijama o dia todo e cheguei a descer de pijama para ir ao lixo, mas não me sentia minimamente desleixada. No entanto, logo logo após os gémeos percebi que desleixe ia passar a ser uma questão de sobrevivência em determinadas alturas. Quando o trabalho aperta, tenho de escolher prioridades e francamente as unhas não são uma delas. Aí, entra a engole-sapos: cabelo tão sujo que faz comichão preso num totó que me deixa o pescoço gelado como a minha alma, lenço antigão para aquecer o pescoço, camisolão de «andar por casa» que me lembra que noutra vida viajava, olhos que não vêem maquilhagem há tanto tempo que me perguntaram se estava doente, unhas dos pés feitas com gelinho preto há três meses (que decidi que sairá por via de crescimento, pelo que parece que tenho as unhas sujas de terra na medida em que só sobra o final tipo manicure francesa mas com preto) e unhas das mãos cortadas com corta-unhas quando topo que já ando a arranhar os putos. Não quero dar ar de mártir, «olha aquela, tadinha, agora não tem tempo, ficou feia» porque continuo a ir ao cabeleireiro, à manicure e à depilação, simplesmente não vou tanto como ia (e queria). Jamais me imaginei neste ciclo de nem-olho-para-o-espelho, sei-lá-o-que-tenho-vestido, tenho-o-cabelo-tão-oleoso-que-quase-fica-preso-sem-puxo, tanga-agora-só serve-para-descrever-uma-coisa-fraca, vou-só-lá-abaixo-não-preciso-de-pôr-soutien-claro-que-tinha-de-encontrar-4-pessoas-conhecidas. Disse que ia continuar igual, a cuidar de mim e que nunca me ia desleixar e agora pumba. [e não há mal nenhum, feliz assim, não há truque melhor para levantar o astral: quando me pinto outra vez, porra, ninguém me atura, sinto-me uma estrela!]

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Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba

Nunca vou deixar a prole ver vídeos no youtube no tablet ou telemóvel

Então hoje é é dia de «Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba»! Trago o mais sugerido e mais frequente nas minhas conversas com pares (mães e pais que andam ali no red line da loucura): «Nunca vou deixar a prole ver vídeos no youtube no tablet ou telemóvel». Aaaaaaah pumba, pumba, pumba, pumba. Eu sou uma reincidente nesta, deve ser paga pelo ar de nojo com que repudiei estes comportamentos. Antes de ser mãe cada vez que via algum miúdo quase bebé num espaço público de telemóvel em punho achava que aquilo era a lei do menor esforço. E jurei não o fazer. Agora, saio de casa abastecida de bateria no máximo para controlar o meu pequeno ditador, ai, filho, e a minha lista de sugestões no youtube são 34 vídeos de versões do babyshark. Sucede que nesse mundo ideal que eu vivia eu, que até nem era menina abençoada por uma paciência fora de série, ia encher-me de pachorra e ia estar sempre ali a contrariar a cria, nunca a ia querer quieta e calada. Mas depois fui mãe e a modos que aprecio acabar uma refeição fora de casa em paz ou lanchar com calma sem gritos. E depois nasceram os gémeos e gosto de dar banho aos ditos sem um puto de dois anos abraçado às minhas pernas, pelo que o ponho um pouco a colar o pistão com vídeos no youtube. A coisa servia unicamente como entretém momentâneo por isso nunca pensei muito a fundo sobre o que lhe colocar. Quando percebemos que ele gostava de carros, começamos a colocar-lhe vídeos de carros para ver e devo dizer que há dias estive a ver com ele o vídeo abaixo que ele descobriu e surgiram-me algumas perguntas sobre o mesmo que deixo aqui na esperança de alguém conseguir esclarecer:

  • Quem é que faz estes vídeos? A sério, quem é que programa uma corrida de condução defensiva entre o Rato Mickey, o Super-Homem, a Pantera Cor-de-Rosa, o Fido (é o Fido, não é?) e o Homem-Aranha ao som de grandes hits tais como «Mary had a little lamb»? Tudo isto feito sob o «mundo» do GTA. Porquê? Como é que surgiu esta ideia? Um programador vira-se para o outro e diz «uau, já sei, vou meter aqui uns quantos bonecos desses que os putos gostam a conduzir carros de forma agressiva quase a terem acidentes vários com música de putos e vai ser um sucesso épico»? E será que o outro respondeu: «ai espera, tens de pôr o Super-Homem a tocar um tamborzinho e o Homem-Aranha a tocar viola, os putos curtem isso»? A sério? É muito estupefaciente, só pode.
  • Este vídeo tem mais de 50 000 000 visualizações. Eu ando cansada para xuxu e por isso fui confirmar e parece que aqueles zeros que eu ali pus compõem o seguinte número por extenso: cinquenta milhões. Portanto, mesmo diminuindo isto logo para um décimo por entender que em média cada puto vê isto pelo menos dez vezes (porque é incrível e repetido então é topo), isto é muito puto a consumir este tipo de coisas chanfradas, na volta as mães perfeitas que nunca precisam de mostrar uns vídeos aos miúdos por cinco minutos de paz têm razão…

Pronto até tinha mais questões, mas agora o vídeo que o miúdo estava a ver acabou e eu tenho de ir lá pôr outro. É que sim, disse nunca e agora pumba.

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Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba

Ir à casa de banho sozinha

Ora eu avisei que tinha rubricas pensadas e até avancei com uma, mas depois fui atropelada pela vida e coisa foi ficando em standby. Como sou uma pessoa optimista por natureza, vou retomar a ideia, correndo o risco de fazer mais uma estreia de uma série só de um episódio. Hoje apresento a «Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba» que em princípio sai às sextas-feiras, mas na volta não só para dar aquele gostinho de suspense. Agradeço as sugestões que me fizeram e maioria são coisas que já tinha pensado em incluir nesta rubrica, mas a estreia é com um que ninguém mencionou, mas que sei que faz sofrer muita mãe: Não conseguir ir à casa de banho sozinha. Há anos que vejo pessoas comentar que os filhos até para a casa de banho as seguem e se há regra que defini com clareza antes de ser mãe foi essa: casa de banho é o meu limite, não vão atrás de mim, prendo-os onde tiver de prender, não quero saber. Depois sucedeu algo que determinou que a minha vontade tinha validade: o meu filho mais velho aprendeu a abrir portas e sempre que se apanhava no parque arranjava maneira de afiambrar nos irmãos. Vai daí, certo dia sou uma pessoa que vai à casa de banho sozinha e no dia seguinte estou na casa de banho com o meu filho empoleirado em mim a ameaçar chorar se não o deixar ficar e eu, sensível às consequências do arraial cigano que ele monta (que passam essencialmente por acordar os irmãos) deixei e lixei-me porque a memória dos miúdos só é uma merda para as coisas que lhes dão jeito, para as que me facilitam a vida é melhor do que um computador. Agora acha que eu fechar a porta da casa de banho é um convite. E ele pouco fala, mas diz com perfeição cocó e opta por dizê-lo cinquenta e três vezes à porta da casa de banho enquanto suplica que eu tire o pé e o deixe entrar como se fosse imperdível o que se vai passar lá dentro. Não contente com a sua mera presença que incomoda por demais, o meu descendente ainda aproveita para fazer asneiras como enfiar-se no poliban, retirar todo o conteúdo do armário da casa banho, surripiar artigos caros de cosmética e enfiá-los pelo ralo do bidé no teste duro aos limites do amor materno. Eu só queria ir à casa de banho, tratar do meu negócio enquanto lambo o Instagram em paz, sozinha, e achava que era uma questão de organização e paguei pelas palavras e promessas feitas na inocência de quem não conhece a montanha russa da maternidade. Por isso sim, disse nunca e agora pumba.

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