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Marias Bitaites — Twin’s Edition

Então e as Marias Bitaites aumentam ou diminuem com gémeos?

Acertaram: aumentam! E são mais simpáticas ou prestáveis? Não, no geral são acometidas pelo mesmo grau de falta de sentido das restantes.

Vamos a isso: Marias Bitaites — Twin’s Edition:

A obcecada com a ideia de que toda a gente quer ter um menino e uma menina

«Ai são um casal? Acertou mesmo!»

E agora: digo, não digo, digo, não digo? Será que se lhe disser já tenho um rapaz era vai achar que lixei as contas de boys vs. girls e obriga-me a tentar a segunda menina para equilibrar isto? Aiii, gente, isto de ter filhos é uma corrida para a composição de famílias com o mesmo número pessoas de cada género e eu não sabia….

 

A que acha que as gravidezes gemelares entram na definição de catástrofe

«Está grávida de gémeos? Ai que horror.»

Foi o que o primeiro espermatozóide que encontrou um óvulo disse quando percebeu que havia mais um. É que passou a vidinha a dizer que era só um óvulo e que ganhava quem chegasse primeiro, “and there can be only oooone” gritava ele no aquecimento, e vai-se a ver havia prémio para o segundo também e uma pessoa fica com o discurso motivacional estragado.

 

A que gosta de levantar o astral

«Olhe era pior uma doença!»

Tem dias que trocava bem uma constipaçãozita daquelas que é só ranho pelo coro dos pequenos cantores quando estão com a nena, mas não diga a ninguém.

 

A que teve quase-gémeos

«Eu sei o trabalho que dá, eu não tenho gémeos, mas tenho quase gémeos que eles têm muito pouca diferença, não chega a dois anos.»

É, de facto é a mesma merda. Eles tinham que mamar ao mesmo tempo e fizeram a introdução alimentar ao mesmo tempo, não foi? São gémeos, mas falta-lhes qualquer coisa, deixa cá ver se descubro o que é: SEREM GÉMEOS.

 

A que sabe tudo sobre gémeos porque conheceu uns em 1985

«Aquilo de os gémeos se darem bem é falso, sabia? Eu tinha uns colegas na turma que eram gémeos e não se podiam, andavam sempre à bulha.»

Eu também tinha uma colega com olhos verdes na turma que era badalhoca, if you know what I mean.

 

A poupadinha que não sabe fazer contas

«Olhe deixe lá, sempre poupa, assim é tudo ao mesmo tempo.»

Sim, temos poupado imenso: cinema, fins-de-semana fora, jantares fora e, claro, sono, afinal tínhamos imenso em dia então agora cortámos nisso.

(Pessoas, com gémeos não se poupa nada sem ser a gravidez! Não dá para poupar leite, fraldas, roupa, carrinho, cadeiras do carro, PORRA NENHUMA. Nem na paciência dá para poupar, continuo sem pacienciazinha para parvoíce, vejam lá!)

 

A que chumbou a estudo do meio

«— Ah são iguais?

— Não.

— Então não são gémeos!»

Pois não. Os gajos lá da maternidade disseram-me isso, mas eu disse logo para o meu Manel, olha, homem, eles não são nada iguais e ainda por cima são menino e menina, são lá agora gémeos, prefavor. Além disso, há dias uma senhora no minipreço também me disse o mesmo.

 

A geneticista de trazer por casa

«Os meus também dizem que são gémeos porque são muito parecidos.»

Sim, também ouvi dizer que São Paulo é cidade gémea de Coimbra. Say whaaaat?

 

A inspectora-geral de viação gemelar

«Ai este carro é frente a frente, porque é que não tem um lado a lado? São tão mais giros, assim podíamos ver os meninos.»

Ai, mas onde é que estava esta Doutorada em Puericultura quando eu precisei dela, heim? Olha, querida, comprei este PORQUE DEPOIS DE MEDIR A PORTA DE CASA, A PORTA DO ELEVADOR, O ESPAÇO NA MALA E A MINHA CARTEIRA FOI O QUE DEU.

 

A twin dreamer

«Sempre quis ter gémeos, sempre. Sempre mesmo desde pequenina que tinha duas bonecas e tudo e dizia que eram as minhas gémeas, a sério, queria tanto.»

Não vou dar ‘tá?

 

A que não cala a puta da boca

«Ai que giro, que giro, gémeos, sabe, olhe, deixe-me dizer-lhe, eu tenho uma prima em terceiro grau da parte do meu avô paterno que também tem e é um máximo. Isto foi assim, ela não conseguia ter filhos, fez imensos tratamentos e nada. Então, depois, naturalmente, sem tratamento, ela fica grávida. Muita felicidade, mas também cheia de medo que isto depois uma pessoa entretanto já tem idade e mais que idade e não é para ter filhos, está a ver? Então vai e faz a ecografia e tudo bem, a médica não diz nada. Então vai e faz a segunda eco ou terceira, ai já não me lembro, mas pronto, foi fazer outra eco e faz e descobre que são dois. E toda a gente acha que é por causa dos tratamentos, mas não é, é porque corre na família, a avó da nossa bisavó também tinha tido e diz que salta uma geração por século! Eu também podia ter tido, mas pronto calhou-lhe a ela. São mesmo giros os dois bebés. É….»

Por favor, porque é que eles não choram quando uma pessoa precisa? Juro, esta gaja diz mais uma palavra que seja e eu belisco a Leonor de propósito, a sério, desculpa, miúda, mas já me morreu um neurónio desde o início desta conversa.

 

A sensorial

«Eles sentem as coisas ao mesmo tempo?»

Sim. Há dias o irmão mais velho atirou um brinquedo ao ar e ambos choraram quando lhes caiu em cima. Eu fiquei tão emocionada e disse logo pó meu marido: «GÉMEOS, ELES SENTEM TUDO AO MESMO TEMPO. AI CA LINDO».

 

A detective de infertilidade

«Então e são naturais?»

Não. São sintéticos. Eu até sou pelo biológico, juro que sou, mas era tão mais caro… não dava mesmo. Então disse, vai do sintético, é plástico, mas pronto, também é plástico de longa duração, faz menos mal ao ambiente.

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Quando a vida tem outros planos para os planos que tinha para a vida

Comecei a escrever o blogue porque quando engravidei dos gémeos tive medo e fiquei em pânico e não encontrei nada que me falasse a verdade. Leio muitos blogues, não lia muita coisa sobre maternidade, mas passei a ler desde que tive o Gonçalo e quando procurei como orientar uma casa com três bebés maioritariamente só via coisas lindas e textos enormes como a ligação dos irmãos é óptima. Não lia o que está por detrás das fotos lindas, a vontade de fugir e a verdade sobre gravidezes não planeadas. Depois criei o blogue e na dúvida de assumir ou não quem era, decidi mostrá-lo a toda a gente e agora tenho pudor de escrever determinadas coisas porque a grande maioria dos que me lê, conhece-me. Bastou-me contar a minha história e dizer que a gravidez dos gémeos não foi sequer planeada e que chorei quando os soube a crescer dentro de mim sem pedir licença para aparecer logo quem me dissesse que não devia dizer isso, que parecia mal. Pode parecer mal, mas ter um filho não planeado não é a mesma coisa do que ter um filho planeado. Não, não estou a dizer que se ama diferente, estou só a dizer que não é a mesma coisa. Ter gémeos não planeados com um filho com pouco mais de um ano, não é a mesma coisa que ter um filho planeado. Eu gostava de ter lido isto, por isso é que o escrevo. Hoje sei que chorei porque os amei assim que soube. Hoje sei que foi medo de não lhes poder dar tudo o que um filho meu merece. Filho meu não chora para se habituar e não fica na cama a gritar porque tem que aprender a dormir sozinho. Filho meu tem colo, tem mimo, tem leite, tem sestas ao colo e namoro de final de dia. Uma para dois, para três.

Foi de dias como hoje de que tive medo. Dias em que só parecem querer chorar, que tenho que ir tomar banho e fechar a porta para não os ouvir chorar se acordarem porque se os ouvir sairei mais uma vez a correr, molhada, a escorregar pelo chão, a pingar o soalho que depois terei que limpar, para pôr a chucha, ou acabar a trocar a fralda enrolada na toalha, não, fecho a porta, não demoro mais de 5 minutos, se chorarem choram 5 minutos, mas tem que ser, eu preciso de um banho, eu vou ficar louca. Foi destes dias de que tive medo, de deixar o cansaço vencer, de deixar chorar, não para se habituar, não para aprender, mas para esperar. E foi das noites como de anteontem, em que todos choravam, todos queriam colo e mimo. E foi das escolhas de todas as noites, do shiii por favor não acordes o teu irmão, em que a abanamos a cama, em que corremos para a sala, o mais longe para os irmãos não acordarem, não acordes os teus irmãos por favor, por favor. Ou de quando dou por mim a pedir a bebés um segundo, por favor eu só quero um segundo para acabar isto, ou quando abano a espreguiçadeira com mais força e tenho que me afastar e respirar e lembrar-me de que tu és bebé, tu não sabes, tu não tens culpa. As mães têm que ter colo sempre para os seus bebés, tem que aproveitar que eles crescem e depois não a querem, mas foi desta vontade de os ver grandes sem me quererem de que tive medo. Foi desta vontade absurda de dormir de que tive medo. Foi desta vontade de mandar tudo e todos à merda e fugir de que tive medo.

Mas aquilo que não li e hoje sei é que basta respirar fundo, um segundo de silêncio de todos,  reenquadrar e tudo fica mais fácil. Não acredito em Deus, mas acredito no carma. Não acredito em Deus, mas quando o Duarte nasceu sem respirar, naqueles segundos que pareceram horas de tortura prometi que se ficasse tudo bem e se os tivesse todos bem, seria tão sã quanto uma mulher, quanto uma mãe, consegue ser, e nunca me queixaria. Sabia bem que me queixaria, mas nunca a sério, nunca a sério. Prometi e prometo todos os dias em que grito que só quero um segundo e que fujo para o banho.

A todas as que procuram saber como é ter filhos não planeados: não é a mesma coisa que ter um filho planeado, não é. Mas não é mau. Tive medo de olhar para eles e culpá-los de me tirarem tempo do Gonçalo, tive medo de desejar que eles não existissem. Mas nunca os culpo, e já não há um mundo em que eles não existam. Às vezes penso “porque não esperaram mais um ano?” e outras em que lhes pergunto se não podiam ter vindo um de cada vez. E quando acordo de hora a hora à noite ou quanto tenho que adormecer com brown noises para poder dormir senão tenho o coro dos pequenos cantores, mas em mau, também não consigo ser positiva, mas a verdade é que tomo sempre banho a correr. Mesmo quando fecho a porta, tomo banho a correr. Mesmo quando digo, chega, nunca chega, nunca acho o off deste botão de lhes querer bem, de os querer com o melhor.

Esta gravidez não planeada foi a vida a borrifar-se na minha agenda e a fazer planos por mim. E, repito, não é mau. Nos últimos meses descobri uma mulher que não imaginava ter dentro de mim, descobri uma força que não conhecia e acho que cheguei a uma espectacular fase da vida em que verdadeiramente estou-me cagando para o que outros pensam e para o que deve ser. Quando planeei tudo planeei que ele só teria o melhor. O melhor é não ver televisão antes dos dois, é só fazer jogos didáticos, é brincar com a terra, ter contacto com a natureza. Mas depois chove e o shopping é fixe que não chove lá dentro e a Masha o Urso cala-o. Então fiz o que não deve ser, mas culpada, sempre com a carregar a mala da culpa, sempre em pensar que não era o melhor. E depois vieram os gémeos, aquele descuido que virou acontecimento, aquele não plano que virou evento. E eu descobri-me. Na loucura, no caos, apareceu a Ana, a mãe. Que sabe que não devem ver ecrãs antes dos 2 anos, mas que também acha que é melhor lanchar antes de tratar deles e por isso sim, eles vão ver patrulha pata para ficarem calados, dez minutos enquanto lancho. Porque se lanchar, serei melhor. Se lanchar brinco com eles na muda da fralda, se tiver fome vou fazer tudo a correr e deitar tudo a perder. No fundo é igual, mas sem culpa. No fundo, faço igual, mas com desculpa. No fundo, desespero tanto quanto desesperei antes, mas agora já sei.

Se tens uma gravidez não planeada lê isto e sabe que talvez alguns dos teus piores medos se concretizem. Outros nunca. Respira fundo, todos os dias e depois arregaça as mangas. Nunca me esqueço do que abdiquei e abdico todos os dias por eles, mas todos os dias tomo de novo essa decisão de consciência. Talvez fique mais fácil. Agora não é fácil, mas não é mau. Agora não é fácil, mas nunca é impossível. E todos os dias é bom. Todos os dias é muito bom. Não foram um plano, mas são uma vida.

 

[Este texto tem quase três meses, deixei-o a marinar para só o publicar quando tudo ficasse melhor. Hoje está tudo melhor. Hoje não foi um dia mau. Ou eu é que já não estou mal.]

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Leonor, a motard

Como disse aqui, a Nonô tem uma plagiocefalia e braquicefalia diagnosticadas desde os 2 meses.

Ambas são deformações do crânio. No caso da Leonor são posicionais, ou seja, resultam da posição que a Leonor adoptou no útero e que depois tentou manter o que a levou a ficar com a cabeça torta.

A plagiocefalia é o desvio lateral da cabeça e a braquicefalia é o achatamento da parte de trás da cabeça.

O diagnóstico foi feito aos 2 meses na Unidade de Intervenção Precoce da Maternidade Bissaya Barreto onde os gémeos são seguidos por terem estado na UCIN. Nós não reparámos, quando percebemos ficámos chocados como é que não tínhamos visto antes. Costumam ser os pais a reparar no diferente formato da cabeça, mas no nosso caso isso não aconteceu. É inevitável não nos sentirmos culpados por não termos visto antes.

Desde então tudo tem sido um caminho longo e foi precisamente a fazer uma ecografia de rastreio para levar tudo certo a um especialista que se detectou a displasia da anca.

Tentámos muito não ter que chegar a esta fase, mas o desvio da Leonor é grande e a opinião médica é que agora só é corrigível com o uso de capacete (banda ortopédica).

Fomos colocá-lo a semana passada. Em princípio terá que usar cerca de 4 meses.

Alerta: esta é a história da Leonor, é o que faz sentido para a Leonor e é o caminho que nós achamos que funcionará para ela. Nem todas as situações são iguais e nem todas as coisas funcionam em todas as crianças. Tenham paciência com a minha falta de paciência, mas não me chateiem com a história da prima da Josefina que também tinha isto e foi só mudar o berço de lugar e pôr uma almofada que ficou boa e não me digam que isto é exagerado porque mais ninguém sem sermos nós conhece a situação em profundidade.

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Férias sem filhos vs Férias com filhos

Orçamento sem filhos: X. É muito dinheiro, mas viajar é a coisa que gostamos mais de fazer e é um tudo incluído.

Orçamento com filhos: X. Porra, temos que ir em Setembro, com este dinheiro não dá para mais. Bolas, não dá para um hotel porque como somos 5 tínhamos de pagar dois quartos, então temos de arrendar uma casa. E ainda temos de gastar mais em alimentação. Vai ser apertado, não podemos comer fora nem um dia que seja.

O dia sem filhos: Acordar sem despertador, mas cedo porque gostamos de aproveitar o dia inteiro de praia, aí entre as 8h e 9h e ir tomar o pequeno-almoço com calma, sem pressas. Depois de beber um café, espreitar as notícias do dia e seguir para a praia. Escolher o chapéu, estender a toalha, e começar o dia de decisões: Vou primeiro à água ou leio um pouco? Oiço música ou passeio à beira-mar? Seco à sombra ou será que já posso secar ao sol? Bebo um cocktail ou mais uma cerveja? Vou ao mar no final deste parágrafo ou no final deste capítulo? Será que já estou morena o suficiente para pôr fato-de-banho ou continuo a usar bikini para ficar sem marcas?

O dia com filhos: Tic tac, motherfucker, são 7 da manhã e já está tudo de pé. Biberões para os gémeos e pequeno-almoço para o Gonçalo e rápido que eles parece que já estão capazes de matar cachorro a grito. Comer a torrada que ficou mais queimada com um bocado de manteiga e começar a pôr cremes. Felizmente preparámos o saco na noite anterior, agora é só pegar e arrancar. É *só* pegar no saco das toalhas de praia, no chapéu, no saco dos brinquedos, no saco da muda de fraldas, na carteira, colocá-los no carrinho e estamos prontos a sair. Sair. Saí daí, Gonçalo, não coloques isso na boca, pará, anda, por favor, vamos para a praia, não queres ir à praia, anda lá, pára, santa paciência, anda lá, estamos quase a chegar, por favor. Duarte, não te mandes do carro. Leonor, está sol pára de pôr a capota para baixo porque tu és muito branquinha, anda lá, pára, eu sei que queres brincar ao esconde-esconde, mas estão 30.º graus, por favor, pára. Gonçalo, o que é que disse? Anda lá, já chegámos. Montar o chapéu. Gonçalo, pára de chorar, eu sei que tens areia nos pés, estás na praia o que é que querias? Tudo na toalha, estejam quietos, andem lá, só dois segundos, deixem a mãe tirar a roupa. Quem é que quer ir à água? Yeeah. Olha que giro, isto até é giro. Ai espera, tenho que voltar à toalha, esqueci-me das bóias. Gonçalo, pára, por amor da santa, está quieto dois segundos da tua vida para eu te pôr a porra da bóia ou juro que te deixo beber dois pirulitos para veres o que é bom para a tosse. Ai a porra do deus da parentalidade positiva ou consciente, ou lá o que é, que não me ajuda, põe a bóia, anda lá, vês, já está porque é que não tens calma? Ok. Estamos na água, fixe, está bom. Porque é que estás a chorar? Está fria, é? Ok, vamos para a toalha. Toalha. Toalha. EU DISSE TOALHA. Agora estás todo croquete, eu não disse que era na toalha? Porra. Ufa. Olha, agora que eles parecem estar todos quietos vai buscar uma cerveja para nós. São dez, o bar ainda não abriu. O quê? São só dez? F*da-se.

A noite sem filhos: Vamos jantar ao argentino? Ou ao mexicano? E depois queres ver um filme para o quarto ou beber uns copos no bar do hotel? E amanhã vamos dançar?

A noite com filhos: Fazer jantar. Dar jantar. Jantar enquanto eles se engalfinham. Historinha e adormecê-los. Olha que bem, a vantagem é que eles ficam muito cansados com a praia e assim adormecem logo e agora podemos curtir aqui este alpendre. Olha, queres ler um bocado ou aproveitar para ver um filme? Baby? Baby? Baby, vai para cama, sempre dormes melhor que aí na cadeira.

Regresso sem filhos: Que merda. As férias são tão curtas. Amanhã já trabalho, que dor.

Regresso com filhos: NUNCA MAIS. AMANHÃ JÁ TRABALHO, YEAAAAAAAAAAAAAAH.

 

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Update Leonor e a displasia

 

 

A Nônô já se adaptou ao arnês. Demorou um pouco mais que o normal, mas adaptou-se. Agora sinto que voltou a ela (para bem de todos cá em casa, que a coisa andava muito, muito desregulada). Voltou a dormir praticamente a noite toda e a adormecer sozinha.

 

Acho que também ajuda o facto de ter ficado mais fresco, o arnês ainda lhe causa algum calor e com a descida de temperatura ficou mais fácil.

 

Já tenho a cadeira da displasia cedida pela BebéConfort. Contactei directamente a marca e foram muito simpáticos, mandaram entregá-la na loja Bybebe em Coimbra. Aconselho a quem precise (que seja de Coimbra) a contactar directamente a loja, pois o atendimento é fantástico e fazem o pedido por nós se preciso. Gosto mesmo do atendimento desta loja e é o que me faz voltar sempre lá (instalaram-me a cadeira no carro, sem ganharem absolutamente nada com este serviço que é providenciado directamente pela Bebéconfort). A cadeira é basicamente uma cadeira normal sem os apoios de lado, para que a bebé possa estar sentada de pernas abertas.

 

Recebi uma dica preciosa de uma mãe que está a passar o mesmo que eu que me disse para colocar uma almofada por debaixo da Leonor para a aconchegar mais e a verdade é que foi desde esse momento que ela ficou melhor. É uma almofada com pouca altura que tinha no sofá da sala e à qual coloquei uma fronha normal de linho e ponho-a por baixo dela, nas costas, deixando o rabinho e as pernas de fora da almofada.

Quando fez quinze dias que tinha colocado a tala, fomos à consulta e foi muito animador: já se notava resultados, a evolução estava a ser fantástica e a continuar assim poderemos não precisar de ter tanto tempo como inicialmente previsto. Agora é só ter paciência e logo logo ela estará boa.

 

Obrigada a todos que se preocuparam e que nos desejaram o melhor, estou certa que esta boa energia foi essencial!

 

Mais sobre a displasia da anca da Leonor:



Eu, a Leonor e o checo

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

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Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Eu sei que isto é estranho e contraditório vindo de quem tem um blogue e de quem gosta de ser lida, mas debato-me muitas vezes com esta questão da exposição da vida íntima, essencialmente porque a maioria das pessoas acha que sou só o que aqui ponho e não compreende que há muito mais para além disto, das redes sociais, daquilo que digo e que nossa vida tem milhentas dimensões que ninguém conhece. Geralmente passa-me, mas sempre que são temas mais sensíveis demoro um pouco a decidir escrever sobre eles.

Ponderei nem escrever sobre a displasia da Leonor e simplesmente desaparecer de cena até me apetecer. Mas felizmente não o fiz porque choveram dicas, perguntas e histórias de sucesso. E claro, muito amor, doses industriais de força, que se antes de virem pensaria que não servem de nada, quando as recebi ajudaram-me muito a ter força para continuar. Obrigada a todos.

Houve muita coisa que não disse e não tenho aspirações a tornar-me uma bíblia da displasia pois não sei o suficiente, mas pode vir cá parar alguém que acabou de entrar neste mundo e esteja à procura de informações, por isso deixo as seguintes notas:

 

  • A Leonor tem uma sub-luxação da anca direita, o que, segundo a minha compreensão totalmente não científica da coisa, é a variante menos grave da displasia, daí não ser detectável no exame físico. A displasia da anca tem diversas «modalidades» que obviamente necessitam de tratamentos diferenciados (há outro tipo de talas e há bebés que precisam de cirurgia logo). Se precisarem, aconselho a procurarem mais informações na internet com o habitual cuidado que é necessário para verificar fontes (aconselho, por exemplo, este site do International Hip Dysplasia Institute).
  • Existe um grupo de Facebook em português (Bebés com Displasia Congénita da Anca) no qual muitas pessoas partilham a sua história e onde partilham também dicas e truques que podem ajudar alguns.
  • Segundo indicações da médica e do técnico que seguem a Leonor, a tala tem de estar colocada 24h por dia e podemos tirar para o banho 10 minutos 3 vezes por semana. Pelo que percebi, a maioria dos casos é assim, a tala é para estar permanentemente, mas também já li de bebés que podiam estar algum tempo sem a tala. Dependerá, claro, do grau da displasia e do tratamento que o médico prescreve.
  • Foi-nos dito que o tratamento duraria entre 14 a 16 semanas, mas que atendendo à idade da Leonor (este tipo de coisas tem mais sucesso quando diagnosticadas mais cedo) deveríamos contar com as 16 semanas.
  • Os bebés reagem todos de forma diferente e explicaram-nos que a Leonor iria recusar a tala e mostrar o seu desconforto para a tirar. Mais de uma semana depois, ela não mostra sinais de se ter habituado e eu já lhe tirei aquilo mais tempo do que devia porque simplesmente não aguento. É muito difícil, temos de ser fortes e voltar a colocar, aturar o desconforto e esperar que melhore. Muitos me dizem que nos custa mais a nós, que eles se habituam rápido, e com sinceridade eu estou mais que mentalizada e já arranjei soluções para tudo, só preciso que ela pare de lutar contra aquilo e que deixe de chorar por uma ajuda que eu não lhe posso dar.
  • Calças, collants, calções e tudo o que lhe possa de alguma maneira impossibilitar o movimento nas pernas está proibido. Inicialmente isto parece complicado, eu já me habituei completamente à ideia e não vejo problema nenhum. O aparelho tem duas botas com fitas que ligam ao colete e porque acho que não é bom ela ter as fitas em contacto com a pele, por baixo, usamos collants cortados (ficam basicamente duas meias longas). No Inverno, presumo que seja mais difícil de os ver de fralda à mostra, mas sinceramente o calor de ter os collants parece-me pior. Para o frio, tapa-se. Para o calor é difícil ter outra solução. Na parte de cima o ideal é usar algo com gola para que as alças do colete não aleijem no pescoço e com manga curta (coloquei um vestido de cavas e arrependi-me porque o colete entrou em contacto com a pele por baixo dos braços e ela ficou vermelha). Para nós funcionam bodies com gola e vestidos com gola. Custa-me ver toda a roupa gira que a Leonor tinha para o Verão e não vai usar, mas perdi apenas cerca de 10 segundos com esta tristeza, na verdade, não acho nenhum drama. Quando tiver a anca boa tem muito tempo para roupas lindas.
  • Imaginei que mudar a fralda fosse um drama, mas não é, na realidade, depois de habituada, demora-se exactamente o mesmo tempo. Para os cocós até dá mais jeito porque não é preciso segurar-lhe nas pernas para ela não as enfiar na fralda (há sempre coisas positivas).
  • Fomos avisados que há miúdos que começam a comer pior fruto do desconforto. Está a acontecer-nos isso. A Leonor nos primeiros dias vomitava com o choro, ficava de tal forma aflita que mandava tudo cá para fora. Vi a minha vida a andar para trás porque ela foi internada aqui há uns meses com uma bronquiolite precisamente por estar a fazer recusa alimentar… Depois lá começou a aceitar, mas no cômputo geral eu diria que está a comer 3/5 do habitual. Eu consigo colocá-la na cadeira da papa assim, ela fica com as pernas mais dobradas, mas, o conselho do técnico foi que a refeição deveria ser dada como costume, mesmo que a posição não seja a mais correcta, para não perturbar ainda mais a alimentação. A nossa cadeira da papa é a do Ikea, e eu coloco-a mesmo junto à ponta de forma a que as pernas fiquem o mais abertas possível.
  • A posição ideal é deitada de barriga para cima (posição frango assado). Perguntei ao técnico e, desde que não se coloque nada debaixo dos joelhos, não há problema de pôr algo debaixo dos pés. Eu tenho colocado umas almofadas para que não fique com as pernas tão em suspensão, mas sinceramente não noto que ela fique mais confortável, o rezinganço continua.
  • O colo tem de ser dado de frente, com ela de pernas abertas para nós ou de lado, poisada na nossa anca. A ideia é, mais uma vez, promover a abertura das pernas.
  • São fortemente aconselhadas as mochilas ergonómicas. Nós já tínhamos uma (manduca) e desde que ela colocou isto tenho passeado muito com ela lá. Ela adormece e já a tentei poisar depois e ela fica, mas passado dez/vinte minutos, volta a acordar. Claro que posso passar o tempo todo com ela lá, mas eu tenho mais dois filhos e por isso é que não ando mais com ela lá e tento por tudo que ela durma sem mim. Estou certa que se a Leonor fosse filha única seria a nossa grande solução para tudo. Atenção que a mochila tem de ser ergonómica (nem todas são) e os bebés têm de estar virados para nós. Virados para a frente (em babywearing ou ao colo) os bebés tendem a fechar as pernas, pelo que não é uma posição aconselhável. Vejam mais sobre babywearing, se precisarem. ATENÇÃO: O babywearing é óptimo para a displasia da anca, para minimizar os desconfortos do tratamento porque não são necessárias adaptações, pois a sua forma normal já promove esta posição, mas não o substitui. Cuidado com achismos, babywearing não substitui de maneira nenhuma a utilização de aparelhos ortopédicos em bebés diagnosticados com displasia da anca.
  • A bebéconfort tem um serviço de aluguer/empréstimo de uma cadeira específica para bebés com displasia da anca. Vejam mais aqui. Eu estou a tratar disto para ver se levanto a cadeira rapidamente.
  • Quando retirei a tala à Leonor reparei que ela esticava muito a perna esquerda (na qual não tem displasia) e a outra continuava dobrada, em posição de sapinho. Isto manteve-se sempre que tiro e durante o tempo todo. Segundo a ortopedista é normal e não se deve puxar a perninha dobrada.

Passam-nos mil coisas pela cabeça, que isto lhe vai atrasar o desenvolvimento, que ela vai andar torta…. É normal, tudo é normal e não adianta pensar nisso. Isto é preciso, vai funcionar, e vai passar rápido. Não nos estamos sempre a queixar que o tempo passa a voar? É porque passa.

Vão vos dizer, como me disseram a mim «isto não causa dor, causa só desconforto.». Amigos, ninguém fez um questionário a bebés de seis meses no qual eles responderam «Dor dor não é, é só aquele desconforto.». «Não causa dor» é comprimido de relaxamento para os pais. Eu não tomo. Aquilo tem de causar dor. Experimentem estar 24 horas por dia com as pernas alçadas como se estivessem a tentar morenar as virilhas e depois falem-me. Eu prefiro «deve doer-lhes no início, até se habituarem, mas antes esta dor que viver com displasia, antes esta dor que as da pós-cirurgia, antes esta dor, da qual ela não se vai lembrar, do que dor crónica em adulta.». Uma amiga disse-me «isto tem solução» e é isso que me guia. Pior são os problemas para os quais não há solução, este tem. É dolorosa para ela, para nós que a vemos pedir ajuda e não podemos fazer nada, mas tem solução e passa.

Já lhe tirei aquilo para dormir. Não é aconselhável, mas medi tudo e preferi tirar uma noite para todos descansarmos e ganharmos forças para nova luta. Dormimos 8 horas e recomeçámos. Não aconselho, não me aconselharam e os médicos dizem que é contraproducente porque ela pode habituar-se a «ganhar». Eu percebo, e não advogo aquilo que fiz, tenho consciência dos riscos, sei que é um passo atrás, mas às vezes também sei que é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente. De manhã, restabelecidas, recomeçámos. Digo-o porque acho preferível assumirmos do que negarmos um momento de fraqueza. Vou dizer à médica que o fiz (temos de dizer sempre a verdade) embora já saiba que me vai responder que não posso nunca desistir. Eu sei. O sucesso do tratamento depende da persistência, é essencial para evitar métodos invasivos. Eu sei. Mas também tenho alturas em que, ao contrário dos médicos, vejo o panorama geral, de uma casa com mais dois bebés que não dormem com o choro, com um marido que trabalha no Porto e faz duas horas e tal de viagem quase todos os dias, e de um bebé que precisa de comer e dormir para crescer (com a anca direita). Não tenho peso na consciência pelo que fiz, acho genuinamente que foi essencial para nós. Às vezes é preciso pensar nisto assim. Mas não pretendo repetir.

São 16 semanas, e uma já passou. Faltam 15. Vamos a isso, sou tão forte quanto os meus filhos precisam, tenho em mim toda a força do mundo.

(E quando não tenho, afasto-me, choro, grito e volto.).



Mais sobre a displasia da Leonor:

Update Leonor e a displasia

Eu, a Leonor e o checo

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Eu, a Leonor e o checo

Os gémeos são um fenómeno giríssimo, capaz de arrancar suspiros em toda a gente, mas assim que entrei neste mundo soube que são um factor de risco para inúmeras coisas. Nunca valorizei e sempre achei que tudo ia correr bem, sem saber. E tudo correu bem, com uns pequenos percalços, uma prematuridade que não obrigou a mais do que 15 dias na UCIN, os meus meninos passaram pelos pingos da chuva. Mas partilhar o T0 da barriga da mãe obrigou a manobras de acrobacia dignas de filme. O Duarte estava transversal e por isso inspirou mais cuidados quando nasceu para ver se estava tudo bem com ele. Mas afinal foi a Leonor que ficou muito apertada e resultado disso tem dois problemas: displasia da anca e plagiocefalia (coisas que não são exlusivas das gravidezes gemelares, mas para as quais são factor de risco).

 

Da plagiocefalia sabemos desde os 2 meses. Tivemos recentemente uma consulta com um especialista e foi precisamente como preparação para a dita consulta que a semana passada fizemos uma eco às ancas, de rotina. Apesar de no exame físico (feito dezenas de vezes por médicos e pela fisioterapeuta) não se ter detectado nada, na eco lá apareceu, uma displasia da anca. Pouco depois fomos a uma consulta na ortopedia no hospital pediátrico e saímos de lá com o tratamento ditado e aplicado: tala de pavlik. Recebemos as indicações ainda meio sem saber o que nos estava a acontecer: a Leonor tem que a andar com a tala sempre, 24h por dia, com permissão para tirar 10 minutos para o banho 3 vezes por semana. Nos primeiros 3 dias não lhe podíamos tirar nem para tomar banho e tínhamos de aguentar que ela ia refilar, mas, a bem da adaptação, teríamos de ser fortes. Ovo apenas para viagens de carro (porque a segurança está primeiro), nada de espreguiçadeira, de carrinho, tentar que ela esteja sempre deitada de barriga para cima, ou ao colo. Proibidas calças, calções e collants. Andar na rua, sim, ao colo. O técnico que colocou a tala e nos disse isto e comentou que entre o pai e a mãe não teríamos que deixar de fazer nada até lhe dizermos que temos mais dois filhos.

 

O Pedro saiu esse mesmo dia para fora, em trabalho. A antever uma noite má, pedi aos meus pais e sogra para ficarem com os miúdos e fiquei eu, a Leonor e o pavlik (o checo) naquela que foi seguramente das piores noites da minha vida. Ela chorou a noite toda, e não como é habitual,  aquela rabugice suportável de bebé, mas um choro absolutamente desesperado. Adormecia dez minutos ao meu colo e recomeçava. O desespero total. Passar uma noite em branco não é dramático, nem é propriamente novidade para mim, com três bebés, mas aquele tipo de tortura deixou-me de rastos. Na noite seguinte, o mesmo. Na seguinte, ainda sem marido em casa, com os miúdos e a minha mãe em casa para me ajudar, já farta de tudo isto, pu-la a dormir na espreguiçadeira. Ela precisava de descansar e eu também. Funcionou, ela dormiu quase 10 horas seguidas, tal era o cansaço. No terceiro dia tirámos aquilo para o banho e ela riu-se de novo e eu chorei de felicidade. Logo depois tivemos de colocar aquilo e recomeçou o mal-estar.

 

Agora não chora tão desesperadamente como no primeiro e segundo dia, mas não dorme mais de 20 minutos seguidos, está sempre a acordar e a choramingar. É desesperante e muito difícil de suportar quando se tem mais dois filhos para tratar e prazos a cair. Começou a comer pior, deixa sempre metade do biberão.

 

Os gémeos dormiam muito bem. Eu não gosto de publicitar isto, porque sempre que falo eles começam com uma má fase, mas a verdade é que dormiam da meia-noite às seis a maioria das noites, quando não conseguíamos que aguentassem mais. E durante o dia as sestas também eram fáceis, com mais ou menos trabalho, nenhum deles adormecia ao colo e ficavam bem na cama.

 

A alcofa do carrinho deles estava arrumada a um canto e basicamente só quando saíamos à rua é que a usávamos. No meio do caos, fui obrigada a pensar em soluções e só me lembrei de a colocar na alcofa do carro pois sempre a podia abanar. O problema é que ela não cabe lá nesta sua nova forma frango assado. Já estava a ponderar cortar a alcofa (para verem o meu desespero) quando a minha mãe me ajudou a tirar as molas e colocá-la lá com isto aberto.

Já li muito sobre a displasia e só espero que este tratamento funcione, temos medo que não dê certo e que este suplício seja em vão. Espero que a Leonor se adapte, mas já lá vão uns dias e pelo menos eu não me consigo adaptar a esta tortura dela acordar de 20 em 20 minutos e de a ter de adormecer no carrinho ou ao colo.



Mais sobre a displasia da Leonor:

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Update Leonor e a displasia

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Gémeos Maternidade

Dos últimos dias: hospitais, médicos, mediquês e culpa materna


Dizem que a maioria dos blogs morre nos primeiros seis meses. Este aproxima-se vertiginosamente desse marco e eu ponderei matá-lo nestes últimos dias. Continuo a gostar da ideia e gosto de escrever e acho que é um bom palco para exercitar esse gosto, mas dá trabalho e eu não tenho tido agenda para esse trabalho. Depois lembro-me que tenho para cima de 20 posts quase escritos, sobre temas que acho que interessam, e vou encontrando pessoas que me dizem que gostam de me ler e da «minha história» e arranjo forças. Não te deixarei morrer, Três antes dos Trinta. Vamos a isso.

O acontecimento do último mês foi o internamento da Leonor. Quando os gémeos fizeram quatro meses fomos às vacinas e no centro de saúde entenderam por bem não vacinar porque os gémeos estavam com uma bronquiolite. Err… Bom, eles estavam ranhosos, o Gonçalo tinha estado e eu também e pensei que era só isso. Mas uma bronquiolite? Dificuldades respiratórias? Mais um chumbinho para a mala que carrego comigo para todo o lado, a Culpa Materna. Mala que ficou ainda mais pesada quando me apercebi que a minha primeira reacção foi pensar «Então e as vacinas que comprei? Posso guardar, certo?». Sim, claro que fiquei preocupada com eles, mas tinha dado 320 € pela vacinas e quase que chorei de imaginar que teria que as comprar de novo.

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Gémeos Organização Tudo e Nada

Truques que aprendemos com os gémeos

Toda a gente presume que por já se ter filho se sabe tudo, especialmente no nosso caso em que o primeiro filho ainda é bebé. Na verdade há coisas que temos que reaprender e outras que nunca soubemos. No nosso caso, em que o segundo filho são dois, há imensos truques que vamos aprendendo. Na própria UCIN aprendemos muitas coisas. E como os gémeos não mamam, e o Gonçalo mamou até aos seis meses, há imensas coisas sobre a logística dos biberões que vamos aprendendo.

  • Trocar a fralda antes do biberão e não depois. Ao Gonçalo trocámos a fralda sempre a seguir a mamar — nem sei bem porquê — e ele bolçava sempre imenso. Ao trocar antes evitamos as movimentações da muda de fralda e também podemos aproveitar a moleza pós-refeição para os colocar de novo na cama.
  • Colocar uma fralda de pano esticada na cama na zona da cabeça. Caso bolçem é só trocar e evitamos trocar os lençóis sempre que acontece. Esta é tão óbvia que me sinto mesmo mesmo burra de não me ter lembrado quando foi do Gonçalo.
  • À saída do banho, secá-los com um lençol ou com uma fralda de pano e não com uma toalha. Os lençóis e as fraldas de pano aquecem-se mais facilmente e aconchegam bebés tão pequeninos mais facilmente que as toalhas que são enormes (tenho a leve sensação de terem indicado assim nas aulas de preparação para o parto, mas não pusemos em prática com o Gonçalo não sei porquê).
  • Usar compressas para colocar por dentro da roupa quando bolçem e molhem a roupa exterior para impedir que o body interior se molhe. Se o exterior não tiver ficado muito molhado, assim conseguimos impedir que se molhe o interior e que tenhamos que trocar a roupa numa altura em que pode levá-los a bolçar ainda mais.
  • Fazer os biberões de leite para noite toda e colocá-los no frigorífico (tanto quando são biberões de leite adaptado como quando são biberões de leite materno, ficam já feitos, depois é só aquecer).
  • Aquecer os biberões de molho em água quente num recipiente. Saem directamente do frigorífico para o recipiente. Não há cá aquecedores de biberões, nem aquecer debaixo de água a correr, esta é a forma mais rápida. Coloca-se água a ferver num recipiente (nós usamos uma forma de bolos pequena) e fica a aquecer enquanto se troca a fralda).

E as que já sabíamos, mas voltámos a aplicar e têm sido fundamentais:

  • À noite, levar tudo para o quarto para evitar sair do quarto: fraldas, resguardo e toalhitas para caso seja necessário mudar a fralda; biberões, água e leite para preparar biberões e fraldas de pano e babetes.
  • Guardar a água quente num termo para não ter que aguardar que aqueça de todas as vezes.
  • Progressivamente começar a oferecer leite cada vez menos quente para se habituarem a beber o biberão à temperatura ambiente.
  • Ter o saco de muda de fraldas sempre pronto com os essenciais, para quando é necessário sair ser só colocar os biberões e as doses dos leites.

 

Alguém tem mais truques? O lema com gémeos é poupar tempo, aceitam-se sempre dicas!!

 

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Gémeos Maternidade

1 ano e meio | 3 meses

O Gonçalo fez 1 ano e meio (como Fevereiro não teve dia 29, não teve direito a dia para o efeito) e os gémeos fizeram 3 meses no Sábado.

Às vezes ainda nem acredito que tenho três filhos e que o mais velho tem ano e meio. É incrível esta coisa de ter três bebés.

O Gonçalo está numa fase deliciosa da qual tenho a certeza que vou ter imensas saudades. Não diz nada, mas fala pelos cotovelos. É tão expressivo e carinhoso.

Os gémeos começaram agora a brindar-nos com sorrisos. A Leonor é muito atenta a tudo, uma cusca. O Duarte é mais sonecas, mas está maior e ri-se muito.


O tempo não ajuda, a chuva não nos deixa passear. Brincadeiras para um miúdo de ano e meio? Trazer os biberões para os manos, atirar-se para o puff, arrumar e desarrumar as panelas… E nisto passamos horas..

Eu sinto-me o coelho da Alice no País das Maravilhas, sempre a correr de relógio na mão. É hora de os gémeos comerem, é a hora de o Gonçalo tomar banho, é hora de ir às compras, é hora de dar jantar ao Gonçalo, é hora de fraldas, é hora de deitar…. Cansada é o meu estado permanente.

São três. E ainda não tenho trinta, mas às vezes sinto-me com cinquenta.

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