Category

Maternidade

Gémeos Maternidade

Eu, a Leonor e o checo

Os gémeos são um fenómeno giríssimo, capaz de arrancar suspiros em toda a gente, mas assim que entrei neste mundo soube que são um factor de risco para inúmeras coisas. Nunca valorizei e sempre achei que tudo ia correr bem, sem saber. E tudo correu bem, com uns pequenos percalços, uma prematuridade que não obrigou a mais do que 15 dias na UCIN, os meus meninos passaram pelos pingos da chuva. Mas partilhar o T0 da barriga da mãe obrigou a manobras de acrobacia dignas de filme. O Duarte estava transversal e por isso inspirou mais cuidados quando nasceu para ver se estava tudo bem com ele. Mas afinal foi a Leonor que ficou muito apertada e resultado disso tem dois problemas: displasia da anca e plagiocefalia (coisas que não são exlusivas das gravidezes gemelares, mas para as quais são factor de risco).

 

Da plagiocefalia sabemos desde os 2 meses. Tivemos recentemente uma consulta com um especialista e foi precisamente como preparação para a dita consulta que a semana passada fizemos uma eco às ancas, de rotina. Apesar de no exame físico (feito dezenas de vezes por médicos e pela fisioterapeuta) não se ter detectado nada, na eco lá apareceu, uma displasia da anca. Pouco depois fomos a uma consulta na ortopedia no hospital pediátrico e saímos de lá com o tratamento ditado e aplicado: tala de pavlik. Recebemos as indicações ainda meio sem saber o que nos estava a acontecer: a Leonor tem que a andar com a tala sempre, 24h por dia, com permissão para tirar 10 minutos para o banho 3 vezes por semana. Nos primeiros 3 dias não lhe podíamos tirar nem para tomar banho e tínhamos de aguentar que ela ia refilar, mas, a bem da adaptação, teríamos de ser fortes. Ovo apenas para viagens de carro (porque a segurança está primeiro), nada de espreguiçadeira, de carrinho, tentar que ela esteja sempre deitada de barriga para cima, ou ao colo. Proibidas calças, calções e collants. Andar na rua, sim, ao colo. O técnico que colocou a tala e nos disse isto e comentou que entre o pai e a mãe não teríamos que deixar de fazer nada até lhe dizermos que temos mais dois filhos.

 

O Pedro saiu esse mesmo dia para fora, em trabalho. A antever uma noite má, pedi aos meus pais e sogra para ficarem com os miúdos e fiquei eu, a Leonor e o pavlik (o checo) naquela que foi seguramente das piores noites da minha vida. Ela chorou a noite toda, e não como é habitual,  aquela rabugice suportável de bebé, mas um choro absolutamente desesperado. Adormecia dez minutos ao meu colo e recomeçava. O desespero total. Passar uma noite em branco não é dramático, nem é propriamente novidade para mim, com três bebés, mas aquele tipo de tortura deixou-me de rastos. Na noite seguinte, o mesmo. Na seguinte, ainda sem marido em casa, com os miúdos e a minha mãe em casa para me ajudar, já farta de tudo isto, pu-la a dormir na espreguiçadeira. Ela precisava de descansar e eu também. Funcionou, ela dormiu quase 10 horas seguidas, tal era o cansaço. No terceiro dia tirámos aquilo para o banho e ela riu-se de novo e eu chorei de felicidade. Logo depois tivemos de colocar aquilo e recomeçou o mal-estar.

 

Agora não chora tão desesperadamente como no primeiro e segundo dia, mas não dorme mais de 20 minutos seguidos, está sempre a acordar e a choramingar. É desesperante e muito difícil de suportar quando se tem mais dois filhos para tratar e prazos a cair. Começou a comer pior, deixa sempre metade do biberão.

 

Os gémeos dormiam muito bem. Eu não gosto de publicitar isto, porque sempre que falo eles começam com uma má fase, mas a verdade é que dormiam da meia-noite às seis a maioria das noites, quando não conseguíamos que aguentassem mais. E durante o dia as sestas também eram fáceis, com mais ou menos trabalho, nenhum deles adormecia ao colo e ficavam bem na cama.

 

A alcofa do carrinho deles estava arrumada a um canto e basicamente só quando saíamos à rua é que a usávamos. No meio do caos, fui obrigada a pensar em soluções e só me lembrei de a colocar na alcofa do carro pois sempre a podia abanar. O problema é que ela não cabe lá nesta sua nova forma frango assado. Já estava a ponderar cortar a alcofa (para verem o meu desespero) quando a minha mãe me ajudou a tirar as molas e colocá-la lá com isto aberto.

Já li muito sobre a displasia e só espero que este tratamento funcione, temos medo que não dê certo e que este suplício seja em vão. Espero que a Leonor se adapte, mas já lá vão uns dias e pelo menos eu não me consigo adaptar a esta tortura dela acordar de 20 em 20 minutos e de a ter de adormecer no carrinho ou ao colo.



Mais sobre a displasia da Leonor:

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Update Leonor e a displasia

5 Comments
Maternidade

Fundamentalismos

Odeio os infindáveis discursos do elogio ao antigamente em que se aplaude a era pré-internet. Eu estou bem assim, obrigada, gosto muito da internet (dependo dela para trabalhar) e adoro ter acesso a informação. Gosto das redes sociais, acho que a minha vida é melhor com elas, e gosto de grupos no Facebook (de mães, profissão, etc.) porque aprende-se sempre alguma coisa e há sempre gente com humor que partilha boas piadas.

Feito o aviso, preciso de dizer que às vezes passo-me da marmita com o que vejo e apetece-me correr tudo à chapada. É o babywearing, a amamentação, o rear-facing, as creches, o baby led weaning, o co-sleeping, o bed-sharing, a última coca-cola do deserto da pediatria/pedagogia/pedopsquiatria levada à loucura.

Não tenho nada contra nenhuma das coisas que enumerei, se lês para me pores numa cruz vai lá dar uma volta ao bilhar grande que eu não advogo nada contra. Mas como não sou entendida em nenhuma, também não tenho nada a favor que não a minha experiência. Mas irrita-me a maneira como especialistas com conhecimento adquirido no Facebook defendem e tentam impingir o extremo da sua estratégia (que muitas coisas, por mais termos em inglês que tenham, não passam disso) aos outros.

Irrita-me ver gente a criticar pessoas que andam com os filhos no carrinho porque não são iluminados e não carregam em babywearing porque colo é amor (mas tem regras, que tudo tem regras e tem que ser daquela maneira). E se quiserem dar alimentos crus aos vossos bebé bem como sopa, saibam que isso não é baby led weaning de verdade, é finger food e não é nada, para isso não vale a pena sequer tentar. E dar de mamar é renegar fórmula, cuspir-lhe em cima, porque mãe que é mãe dá mama, até querer, e sem mamilos de silicone que isso é o demo e nunca vão mamar direito com essas coisas. E dormir na cama dos pais é que é, se não gostas é porque és capaz de ouvir os teus filhos chorarem e és pior que bruxa. Não defendo nada nem sua coisa distinta e não acho que isto das pedagogias, filosofias, métodos e estratégias sejam simples, estanques e eficazes. Tenho três filhos e dois são gémeos e já fiz quase tudo com todos e a sua coisa distinta.

Eu não quero saber de equipas, odeio extremismos e categorias. Leio imensos livros, artigos na Internet e converso com outras mães tanto quando posso. Pego aqui, ali, junto tudo e deixo que o sono e o cansaço façam o resto. Co-sleeping? Tem dias. Treino do sono? Tem coisas (e não é deixar chorar e torturar). Baby led weaning? Sim, mas com sopa que toda a gente come sopa cá em casa e não vou abdicar disso se conseguir. Babywearing? Quando dá, mas o carrinho não me dá cabo das cruzes. Amamentei o Gonçalo até aos 6 meses, metade do tempo com mamilos de silicone e não consegui amamentar os gémeos e dou-lhes leite adaptado. O Gonçalo dormiu até aos 9 meses no nosso quarto, até aos 3 na nossa cama e os gémeos desde os 5 meses e meio que foram para o quarto deles e contam-se pelos dedos das mãos as noites que dormiram na nossa cama. Se por ter amamentado acho que toda a gente tem que amamentar? Não. Lamento, mas não funciona para todos. Tive imenso leite dos gémeos e não funcionou para nós. E não, não foi falta de informação. Do Gonçalo funcionou lindamente e adorei.

Isto para dizer: nada é igual para toda a gente porque nem para as mesmas pessoas as coisas são iguais. Por isso PAREM DE IMPINGIR AS VOSSAS ESCOLHAS A OUTROS. Todas as filosofias, todas, viram religião. Aposto que os defensores da parentalidade positiva não tinham em mente ter os seus defensores a discutir por esse Facebook fora para evangelizar outros. A parentalidade positiva deve fazer um bem incrível às crianças, mas aos adultos às vezes duvido pela agressividade com que vejo alguns a defenderem-na. A leviandade com se ataca pessoas que não defendem o mesmo que nós por esse motivo apenas deixa-me nervosa. Se alguém ousar dizer que não gosta de co-sleeping arrisca-se a ter que ouvir que é uma pessoa detestável. E a maioria das vezes não são ataques assumidos, são aquele passivo-agressivo digno de telenovela “eu prefiro que o meu filho durma comigo do que ouvi-lo chorar para dormir sozinho, acho uma crueldade” quando a pessoa nem sequer disse que é isso que faz. E isto vale para todos os lados, todas as posições sobre qualquer coisa têm só dois lados diametralmente opostos e defender uma coisa é renegar a outra para sempre.

E parem de achar que as coisas que vêem na rua são a única realidade daquelas pessoas. “Ai eu vejo pais que fazem as vontades todas aos miúdos, eles choram e eles dão, eles pedem e eles vão”. Antes demais, aprendamos a discutir. Quem disse que isto é parentalidade positiva? E quem disse que quem não deixa dormir na cama, não dá colo? E depois, quem somos na rua? Quem vos diz qual é a nossa realidade? Eu na rua sou das mais permissivas mães que existem. Tenho uma hiper-sensibilidade a incomodar os outros e odeio ver birras, portanto se estivermos em público e houver birras eu vou tentar terminá-la da forma mais rápida e eficaz. E sim, isso significa que a maioria das vezes cedo.

Eu já vi nestes grupos mães a indicarem que determinada coisa foi indicação do pediatra e outras mães, aparentemente sem formação na matéria, apenas munidas da sua experiência, a indicar que os pediatras deviam tirar o curso de novo, que os médicos de hoje não sabem nada. Acho isto um exagero perigoso. Não é preciso justificarmos as nossas decisões com uma evangelização extrema daquilo decidimos para nós. Porque não explicar como foi a nossa experiência, dizer que os médicos têm formações distintas e escolas de saber que às vezes são diferentes e aconselhar a procurar uma segunda opinião indicando artigos credíveis ou livros sobre a matéria para a pessoa, querendo, obter mais informação?

O que mais me irrita é a incapacidade de ver outros pontos de vista, de reconhecer validade a experiências diferentes e promover diálogos e não simplesmente elogios a determinada maneira.

E o argumento do amor deixa-me louca, acho uma manipulação tremenda. Vejo defender que maminha é amor, colinho é amor, carregar é amor como se fosse o contrário não fosse. Deixar dormir no berço também é amor, dar biberão também é amor e andar no carrinho também é amor. Tudo o que seja cuidar é amor e quem sabe o que é cuidar da melhor maneira são os pais, daquele bebé em específico, naquele momento em específico.

Não gosto de impingir nada e menos que me impinjam. Falemos todas do que funcionou connosco, naquele momento, naquele filho. Aconselhemo-nos, sugiramos coisas que isso sim é que é a maravilha das redes sociais, a capacidade de partilhar experiências com estranhos de forma rápida. Mas paremos com a catequização, como se fossemos só uma coisa sem poder ser um pouco de todas. Eu sou pela maminha, pelo biberão, pela cama dos pais, pela cama dos filhos, pelo quarto dos pais, pelo quarto deles, pelo adormecer ao colo, pelo adormecerem sozinhos, pelos white noises, pelo embalar no carrinho, pelo babywearing, pelos castigos, pelos limites, pelos exemplos, pelo apego, pelos abraços, pelo arregalar de olhos. Eu sou por tudo e por nada, pelo todo e pela parte, pelo nunca e sempre. E a maioria das vezes, francamente, sou pelo que funciona. Pedagogia? A que dá.

No Comments
Maternidade

Dia da Mãe

Hoje foi um bom domingo. O Porto acordou campeão!

Também comemorámos o dia da mãe, em família.

 

Este foi o meu segundo dia da mãe. Há um ano, comemorava o primeiro, mãe do Gonçalo e crente que nunca viria a amar alguém como a ele. Já estava grávida dos gémeos, mas não sabia. Como também não sabia que sim, era possível amar alguém como se ama o primeiro filho. Hoje tenho três, e eles fazem de mim a melhor mãe do mundo. Não se afrontem com a falta de modéstia, duvido disto todos os dias. Mas pensei: faço o que posso, dou-lhes tudo o que sei e tento aprender a ser melhor todos os dias, porque raio é que não me hei de sentir o melhor que eles podem ter? Cansei da culpa, cansei do drama, cansei! Ser mãe é fixe. Às vezes apetece-me pegar no meu livro e ir à minha vida, mas nunca fui, por isso acho que estamos orientados.

Gonçalo, Leonor e Duarte, a minha prole, os meus amores, a minha vida. Não são tudo, sou muito mais que mãe, mas são a minha melhor parte, a minha obra-prima.

Aqui com a minha mãe, a minha heroína. Muito do que sou, sou da minha mãe (também sou muito pai e tenho também muito das outras pessoas da minha vida). Da minha mãe, entre muitas coisas, herdei os ares, o gosto pelo cinema, pelas línguas e pela tradução. Herdei ou aprendi, que talvez os ares seja a única coisa que herdamos, o resto assimilamos. Gosto da forma desprendida como ela nos educou e, hoje, mãe, reconheço-a em muitas coisas que digo e faço e não consigo evitar rir-me. Adoro a forma como deixa que gozemos com ela, foi com ela que aprendi a brincar comigo antes de brincar com os outros, e isso não tem preço (e dá-nos uma casca grossa difícil de quebrar). A minha mãe é a minha mãe e por isso é a melhor. Lamento muito que a minha mãe não tenha podido ter a mãe a vê-la tornar-se mãe, porque eu adoro ter a minha como assistente neste filme.

Apresento-vos a minha mãe:

Prendas?

No dia do Pai propus ao Pedro instituirmos uma tradição de dia do Pai e dia da Mãe: trocarmos livros (para lermos com eles) e fazermos uma doação a uma instituição que ajudasse crianças, mães e pais que não têm a nossa sorte. É uma tentativa de diminuir o consumismo (de que padecemos muito e para o qual já temos as outras datas, como os nossos aniversários), de incutirmos o prazer de comprar e receber livros e sobretudo de reenquadrarmos os nossos dramas lembrando-nos dos menos afortunados. Ah e claro, também é uma forma de simplificar a nossa vida e não perder tempo a pensar em prendas! 🙂

Recebi este livro delicioso que comprámos na Livraria Faz de Conto

e o Pedro contribuiu em meu nome para a Agência da ONU para os Refugiados (mais especificamente para a crise dos refugiados Rohingya – sabiam que o Bangladesh tem um dos maiores campos de refugiados do mundo e que desde Agosto de 2017 acolheu mais de 671 000 pessoas das quais quase 390 000 são crianças?)

Um brinde a todas as mães e força para todas aquelas para quem a luta para dar o melhor aos filhos é dura!

 

 

 

No Comments
Maternidade Tudo e Nada

Loucas são as noites que passo sem dormir*

Sabem aquelas pessoas que dizem que só precisam de dormir 4 horas e conseguem trabalhar? Ou que dizem que podem andar dias a fio sem dormir bem e recuperar tudo no fim-de-semana? Ou que não gostam de dormir muito? Ou que acham que as manhãs são para se começar cedo e com trabalho? Eu NÃO sou assim. De todo. Eu gosto de dormir. Eu gosto de dormir muito. Pior, eu preciso de dormir muito. Tiram-me horas de sono e eu só faço porcaria. Fico com uma memória terrível. Fico sem vocabulário, pareço o Trump a falar. Fico triste, deprimida. Nada para mim é tão exigente na maternidade como ter que funcionar (e às vezes agir rápido) com sono. Eu preciso de para cima de 10 despertadores para tirar o rabo da cama. Eu não sou pessoa de ouvir um choro e ter logo forças para me levantar e ir lá socorrer/acalmar/colocar chucha/alimentar. Não sou. Mas não tenho hipótese.

2 Comments
Gémeos Maternidade

Dos últimos dias: hospitais, médicos, mediquês e culpa materna


Dizem que a maioria dos blogs morre nos primeiros seis meses. Este aproxima-se vertiginosamente desse marco e eu ponderei matá-lo nestes últimos dias. Continuo a gostar da ideia e gosto de escrever e acho que é um bom palco para exercitar esse gosto, mas dá trabalho e eu não tenho tido agenda para esse trabalho. Depois lembro-me que tenho para cima de 20 posts quase escritos, sobre temas que acho que interessam, e vou encontrando pessoas que me dizem que gostam de me ler e da «minha história» e arranjo forças. Não te deixarei morrer, Três antes dos Trinta. Vamos a isso.

O acontecimento do último mês foi o internamento da Leonor. Quando os gémeos fizeram quatro meses fomos às vacinas e no centro de saúde entenderam por bem não vacinar porque os gémeos estavam com uma bronquiolite. Err… Bom, eles estavam ranhosos, o Gonçalo tinha estado e eu também e pensei que era só isso. Mas uma bronquiolite? Dificuldades respiratórias? Mais um chumbinho para a mala que carrego comigo para todo o lado, a Culpa Materna. Mala que ficou ainda mais pesada quando me apercebi que a minha primeira reacção foi pensar «Então e as vacinas que comprei? Posso guardar, certo?». Sim, claro que fiquei preocupada com eles, mas tinha dado 320 € pela vacinas e quase que chorei de imaginar que teria que as comprar de novo.

5 Comments
Maternidade

Shitstorm

Hoje acordei bem-disposta. A meio da noite tive que ir dormir com o Gonçalo, acordei cheia de dores de costas, mas estava sol e eu estava bem-disposta. Ele saiu para trabalhar, levou o miúdo à avó e eu desejei boa viagem, tudo lindo, adeus meus amores. Fechei a porta, tomei o pequeno-almoço porque os gémeos ainda dormiram mais meia-hora, e depois aproveitei a hora do biberão para ver o documentário sobre o Harvey Weinstein que deu na SIC Notícias. Depois do biberão, até pensei em tomar logo banho, tirar-lhes o pijama, fazer a cama e tirar umas fotos giras cheias de luz, dignas de no mínimo 10 hashtags, tiradas no quarto com cuidado para não se apanhar aquele canto que parece a Zara em saldos nem a minha pança de pós-parto que comeu Burger King ontem à noite. Mas não me apeteceu, continuei na ronha, eles dormiram um pouco ao colo e eu vi bocados do Quatro Casamentos e Um Funeral a babar pelo Hugh Grant, que vai-se a ver era um borracho. Que manhã porreira, pensei eu antes da minha vida mudar. Devia ter visto os sinais. Os cães ladram antes de um terramoto, cá em casa eles calam-se antes de uma tempestade. Devia ter previsto o festival de merda.

No Comments
Maternidade Tudo e Nada

Porque o nome não chega

Onde está o chouriço?

Olha, tens dois na despensa na prateleira do meio.

Isto podia ser a minha irmã a perguntar à minha mãe onde é que ela havia guardado esse maravilhoso enchido. Mas não. A minha irmã perguntava pelo Gonçalo. A minha mãe não percebeu e pensou que a minha irmã queria mesmo chouriço para cozinhar. A coisa ainda fica mais cómica: a minha irmã não percebeu imediatamente que a minha mãe não tinha percebido o petit nom e se referia a chouriços reais e não humanos e por isso pensou que os dois chouriços eram os gémeos e que a despensa era nome de código para descanso…. Foi um minuto de black out comunicacional hilariante.

Tudo isto porque a minha irmã chama chouriço ao sobrinho. Eu acho fofo. E vindo da minha irmã, claro que os nomes carinhosos tinham que ser referências a comida.

Eu chamo-lhe xuxulito. Não faz sentido, saiu-me uma vez, numa junção trapalhona de xuxu lindo e ficou. Xuxu também é muito utilizado. O pai chama-lhe putxitxo. A avó chama-lhe besnico.

A Leonor é princesa da solum, pequenitates ou a titica. Ao Duarte chamo muito xuxu e gordixo. Ao contrário do Gonçalo, ambos têm diminutivos (que eu sempre detestei, mas que agora uso imenso): Dudu e Nônô.

Por aí? Os miúdos também são tratados por comida? Há mais chouriços? 🙂

5 Comments
Maternidade

Mas: a bipolaridade da maternidade no mesmo segundo

Uma das maravilhas da maternidade da era moderna é podermos dizer que nem tudo é bonito. Proliferam os blogs de mães que de forma genuína e hilariante descrevem os momentos em que desesperamos. A comunicação social também já fala dos momentos menos bonitos. Até a ficção já espelha este lado.

A ronda nos blogs engraçados que sigo oferece-me muitas vezes o mesmo conselho: Posso queixar-me da maternidade sem dizer que amo os meus filhos. Posso amaldiçoar as noites mal dormidas, as birras, o desespero para comer sem lembrar que os adoro e que gosto de ser mãe. Posso deixar de dizer «eu amo-os muito, mas…».

Eu sei disso, e defendo-o sempre. Claro que posso só mandar vir. Toda a gente sabe que os amo. E se não souber, e se por um segundo acharem que eu não gosto deles? Qual é o mal? São os outros que acham, não somos nós.

Mas, anteontem, quando estava a fazer a cama improvisada onde dormi com o Gonçalo às tantas da noite apercebi-me bem porque é que isto acontece. Já o tinha adormecido 4 vezes ao colo, e 4 vezes o tinha colocado na cama a dormir profundamente e ele acordava e chorava quando o deixava. Estava desesperada, furiosa e cheia de sono. Não podia trocar, porque o Pedro estava com os gémeos. Decidi que iríamos dormir ali no sofá que está no quarto dele e fui buscar um cobertor. Enquanto fazia a «cama» poisei-o no chão. E quando abri o sofá-cama ele riu-se, mandou uma gargalhada. Aquilo irritou-me profundamente, porque significou que ele estava desperto e ia demorar a adormecer mais do que eu imaginava e porque NÃO SÃO HORAS DE RIR, GONÇALO. E apaixonou-me de morte porque a gargalhada dele é maravilhosa e porque me fez olhar para ele com calma e ver aquele pedaço de gente, lindo, de chucha, encostadinho a mim a pedir miminhos e a rir. Apeteceu-me rifá-lo e enchê-lo de beijos, tudo ao mesmo tempo. Apeteceu-me berrar-lhe «porque é que tu, amor da minha vida, não queres dormir sozinho como sempre?». Apeteceu-me abraçá-lo, como fiz, enquanto pensava que dava o dedo mindinho do pé para dormir na minha cama a noite toda. As duas coisas ao mesmo tempo, os dois lados ali em conflito.

É por isso que digo «eu amo-o muito, mas» ou «ele desespera-me, adoro-o, mas desespera-me». Os dois mundos, o negro e o da luz, ali à bulha. A bipolaridade de ser mãe a manifestar-se no mesmo segundo. Ao contrário das outras coisas da minha vida, ele tem aquela capacidade irritante de ser fofo mesmo quando é chato. Quando discuto com o meu marido não me lembro porque é que o amo. Na hora até me esqueço mesmo, só tenho vontade de o mandar dar uma volta ao bilhar grande. Com os meu filhos não, o desespero e a paixão, a irritação e a adoração, andam lado a lado, inseparáveis.

Não me estou a justificar quando adiciono um mas a uma queixa. Não é medo de sentenças, não é medo de opiniões de terceiros. É o espelho de todos os momentos. É o embalo irritado «PORQUE NÃO DORMES?» enquanto se dá beijos.

Queixemo-nos com mas, sem mas e meio mas. Queixemo-nos, ou não, tudo o que seja preciso para sobreviver sem dormir [como se faz?].

No Comments
Gémeos Maternidade

1 ano e meio | 3 meses

O Gonçalo fez 1 ano e meio (como Fevereiro não teve dia 29, não teve direito a dia para o efeito) e os gémeos fizeram 3 meses no Sábado.

Às vezes ainda nem acredito que tenho três filhos e que o mais velho tem ano e meio. É incrível esta coisa de ter três bebés.

O Gonçalo está numa fase deliciosa da qual tenho a certeza que vou ter imensas saudades. Não diz nada, mas fala pelos cotovelos. É tão expressivo e carinhoso.

Os gémeos começaram agora a brindar-nos com sorrisos. A Leonor é muito atenta a tudo, uma cusca. O Duarte é mais sonecas, mas está maior e ri-se muito.


O tempo não ajuda, a chuva não nos deixa passear. Brincadeiras para um miúdo de ano e meio? Trazer os biberões para os manos, atirar-se para o puff, arrumar e desarrumar as panelas… E nisto passamos horas..

Eu sinto-me o coelho da Alice no País das Maravilhas, sempre a correr de relógio na mão. É hora de os gémeos comerem, é a hora de o Gonçalo tomar banho, é hora de ir às compras, é hora de dar jantar ao Gonçalo, é hora de fraldas, é hora de deitar…. Cansada é o meu estado permanente.

São três. E ainda não tenho trinta, mas às vezes sinto-me com cinquenta.

2 Comments
Gémeos Irmãos Maternidade

Carnaval

Eu adoro o Carnaval porque gosto imenso de me mascarar. Sempre gostei. O ano passado mascarei o Gonçalo de Batman.

(vesti-lhe um body lindo que nos ofereceram)

 

Este ano encomendei máscaras para os três, mas não chegaram a tempo…

Na sexta os amigos que têm filhos estavam todos a mostrar as máscaras das crias e eu triste por ainda não ter as deles. Então vi uma blogger qualquer a partilhar a imagem do filho mascarado de um jogador do Bayern, e lembrei-me imediatamente que o Gonçalo tem um equipamento da selecção… Daí a um segundo tinha o circo montado: Cristiano Ronaldo e os seus gémeos!

Foi uma risota, até fui buscar a bola, estava mesmo divertida e o Gonçalo a adorar a minha excitação.

 

O momento serviu para o Gonçalo mostrar o quarto dele aos manos, ainda não tinha levado os gémeos para a cama dele… Encheu-os de mimos, como irmão mais velho que é. É adorável ver a interacção dele com os irmãos!

Hoje já não há máscaras… Quando forem mais crescidos vou adorar passear com eles neste dia e não vou resistir a mascarar-me também.

 

Bom Carnaval!

No Comments