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Dia dos avós

Dos meus

Quis o tempo que crescesse apenas com uma avó, a minha avó paterna, a minha avó Helena, a quem chamei sempre só avó porque a minha avó Rosalina morreu antes de eu nascer. Os meus avôs morreram quando eu era pequena. A minha avó era uma avó tão avó como só os avós sabem ser. Hoje consigo olhar para trás ver que era mãe (e sogra), mas para mim enquanto crescia era só avó, era só minha e da minha irmã (e, mais tarde, da minha prima). Duvido que os meus pais gostassem sempre de tudo o que nos fazia, mas eu adorava. Eu queria, a minha avó dava. Eu queria, a minha avó não desistia até me conseguir dar. Eu existia, ela era feliz. Tenho muitas saudades dela, todos os dias penso que adorava mostrar-lhe muitas coisas. Foi também o meu primeiro luto, e foi com ela que aprendi que nunca estaremos prontos para dizer adeus de quem gostamos e nunca o faremos de forma definitiva. Hoje, neste dia dos avós, e em tantos outros, penso nela e em como me formou e penso que gostava muito de lhe dar um beijo, agradecer-lhe e pedir-lhe um bollycao.

E porque já muito falaram sobre isto e infinitamente melhor:

«No fim de semana, muito antes da hora do almoço, ela fritava batatas, punha num prato, e depois cobria com a tampa de uma panela. O vapor condensava-se no interior da tampa e depois a [h]umidade chovia sobre as batatas. Por isso, as batatas ficavam moles.

Na casa da minha avó, nunca comi batatas que não fossem moles. Quando hoje me põem no prato batatas estaladiças eu penso: essa pessoa sabe fritar batatas, mas ela não me ama. Não fez as batatas com aquela antecedência. Arriscou que as batatas não estivessem prontas quando eu quisesse almoçar.»

Ricardo Araújo Pereira, para a Folha de São Paulo, para ler aqui.

 

 

Dos dos meus filhos

A minha mãe e a Leonor, a minha sogra e o Duarte e o meu pai e o Gonçalo. Avós e netos.

Os avós dos meus filhos são os nossos pais. Isto, além de ser uma verdade de La Palice, é a base de tudo e não há como o esquecer. Os avós dos meus filhos fazem muito por eles, mas muitas vezes fazem muito para eles por nós. Muitos dizem-me que quando os netos nascem nós deixamos de existir para os pais. Por aqui só achará isso quem não sabe ver. Por detrás da euforia, do entrar sem nos cumprimentarem e correram para os ver, os nossos pais estão lá, preocupados connosco, com a nossa sanidade, com o nosso sono, com o nosso casamento, com os nossos trabalhos. Os nossos pais perdem noites com as nossas preocupações e é por nós que fazem muito. São muitas vezes bons avós por serem excelentes pais.

Pelos netos, os avós fazem tudo. O amor dos avós não tem igual. Eu adoro ver os meus filhos terem aquilo que eu tive, avós como só os avós sabem ser. Os meus filhos têm uma sorte imensa de poder ter os avós que têm. Não conheço melhor. O nosso grande azar é termos perdido um elemento do quarteto. Dói-me mais do que consigo dizer que os meus filhos não venham a conhecer o Avó Raul, o meu sogro,  não oiçam as suas histórias por ele e não o ajudem a colar postais. A vida não é muitas vezes justa e o que queremos dela, mas é a que temos. E, apesar disso, o que temos é muito bom.

Os avós são avós, são cuidadores, são apoio, são a nossa força e por isso não merecem só um dia, mas todos de agradecimento.

Dia dos avós, quando se tem avós como estes, são todos os dias. Queridos filhos, que sorte!

 

 

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Gémeos Maternidade

Leonor, a motard

Como disse aqui, a Nonô tem uma plagiocefalia e braquicefalia diagnosticadas desde os 2 meses.

Ambas são deformações do crânio. No caso da Leonor são posicionais, ou seja, resultam da posição que a Leonor adoptou no útero e que depois tentou manter o que a levou a ficar com a cabeça torta.

A plagiocefalia é o desvio lateral da cabeça e a braquicefalia é o achatamento da parte de trás da cabeça.

O diagnóstico foi feito aos 2 meses na Unidade de Intervenção Precoce da Maternidade Bissaya Barreto onde os gémeos são seguidos por terem estado na UCIN. Nós não reparámos, quando percebemos ficámos chocados como é que não tínhamos visto antes. Costumam ser os pais a reparar no diferente formato da cabeça, mas no nosso caso isso não aconteceu. É inevitável não nos sentirmos culpados por não termos visto antes.

Desde então tudo tem sido um caminho longo e foi precisamente a fazer uma ecografia de rastreio para levar tudo certo a um especialista que se detectou a displasia da anca.

Tentámos muito não ter que chegar a esta fase, mas o desvio da Leonor é grande e a opinião médica é que agora só é corrigível com o uso de capacete (banda ortopédica).

Fomos colocá-lo a semana passada. Em princípio terá que usar cerca de 4 meses.

Alerta: esta é a história da Leonor, é o que faz sentido para a Leonor e é o caminho que nós achamos que funcionará para ela. Nem todas as situações são iguais e nem todas as coisas funcionam em todas as crianças. Tenham paciência com a minha falta de paciência, mas não me chateiem com a história da prima da Josefina que também tinha isto e foi só mudar o berço de lugar e pôr uma almofada que ficou boa e não me digam que isto é exagerado porque mais ninguém sem sermos nós conhece a situação em profundidade.

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Ir de férias e não levar o filho

Há cerca de um ano estava a embarcar para Punta Cana para uma semana tudo incluído sem filhos. O Gonçalo tinha 10 meses, quase 11, e decidimos passar férias sem ele.

Na altura houve muita gente que me disse que não conseguia fazer férias sem filhos. Uns porque não tinham onde deixar os filhos e outros porque não conseguiam deixar os filhos (devo dizer que a maior parte das vezes consegui ouvir um tom de «como é que consegues deixar o teu filho tão pequeno, não tens saudades, que espécie de mãe és tu?»).

Na altura em que marquei as férias não sabia que estava grávida, descobrimos entretanto e como a viagem estava paga não deixámos de ir. A minha obstetra disse que preferia que eu tivesse férias em Portugal, mas que, estando a viagem paga, não havia porque não ir. Fui grávida de 15 semanas e obviamente tive alguns cuidados: além dos alimentares que já tinha porque não sou imune à toxoplasmose, não bebi nada sem ser água engarrafada por causa do gelo, não estive junto de águas paradas por causa dos mosquitos e não andei de barco por causa da trepidação. De resto, não tive mais dificuldades.

Aquela mão na barriga para que deixar claro que estava grávida e não com o pior pós-parto da história
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Gémeos Maternidade

Férias sem filhos vs Férias com filhos

Orçamento sem filhos: X. É muito dinheiro, mas viajar é a coisa que gostamos mais de fazer e é um tudo incluído.

Orçamento com filhos: X. Porra, temos que ir em Setembro, com este dinheiro não dá para mais. Bolas, não dá para um hotel porque como somos 5 tínhamos de pagar dois quartos, então temos de arrendar uma casa. E ainda temos de gastar mais em alimentação. Vai ser apertado, não podemos comer fora nem um dia que seja.

O dia sem filhos: Acordar sem despertador, mas cedo porque gostamos de aproveitar o dia inteiro de praia, aí entre as 8h e 9h e ir tomar o pequeno-almoço com calma, sem pressas. Depois de beber um café, espreitar as notícias do dia e seguir para a praia. Escolher o chapéu, estender a toalha, e começar o dia de decisões: Vou primeiro à água ou leio um pouco? Oiço música ou passeio à beira-mar? Seco à sombra ou será que já posso secar ao sol? Bebo um cocktail ou mais uma cerveja? Vou ao mar no final deste parágrafo ou no final deste capítulo? Será que já estou morena o suficiente para pôr fato-de-banho ou continuo a usar bikini para ficar sem marcas?

O dia com filhos: Tic tac, motherfucker, são 7 da manhã e já está tudo de pé. Biberões para os gémeos e pequeno-almoço para o Gonçalo e rápido que eles parece que já estão capazes de matar cachorro a grito. Comer a torrada que ficou mais queimada com um bocado de manteiga e começar a pôr cremes. Felizmente preparámos o saco na noite anterior, agora é só pegar e arrancar. É *só* pegar no saco das toalhas de praia, no chapéu, no saco dos brinquedos, no saco da muda de fraldas, na carteira, colocá-los no carrinho e estamos prontos a sair. Sair. Saí daí, Gonçalo, não coloques isso na boca, pará, anda, por favor, vamos para a praia, não queres ir à praia, anda lá, pára, santa paciência, anda lá, estamos quase a chegar, por favor. Duarte, não te mandes do carro. Leonor, está sol pára de pôr a capota para baixo porque tu és muito branquinha, anda lá, pára, eu sei que queres brincar ao esconde-esconde, mas estão 30.º graus, por favor, pára. Gonçalo, o que é que disse? Anda lá, já chegámos. Montar o chapéu. Gonçalo, pára de chorar, eu sei que tens areia nos pés, estás na praia o que é que querias? Tudo na toalha, estejam quietos, andem lá, só dois segundos, deixem a mãe tirar a roupa. Quem é que quer ir à água? Yeeah. Olha que giro, isto até é giro. Ai espera, tenho que voltar à toalha, esqueci-me das bóias. Gonçalo, pára, por amor da santa, está quieto dois segundos da tua vida para eu te pôr a porra da bóia ou juro que te deixo beber dois pirulitos para veres o que é bom para a tosse. Ai a porra do deus da parentalidade positiva ou consciente, ou lá o que é, que não me ajuda, põe a bóia, anda lá, vês, já está porque é que não tens calma? Ok. Estamos na água, fixe, está bom. Porque é que estás a chorar? Está fria, é? Ok, vamos para a toalha. Toalha. Toalha. EU DISSE TOALHA. Agora estás todo croquete, eu não disse que era na toalha? Porra. Ufa. Olha, agora que eles parecem estar todos quietos vai buscar uma cerveja para nós. São dez, o bar ainda não abriu. O quê? São só dez? F*da-se.

A noite sem filhos: Vamos jantar ao argentino? Ou ao mexicano? E depois queres ver um filme para o quarto ou beber uns copos no bar do hotel? E amanhã vamos dançar?

A noite com filhos: Fazer jantar. Dar jantar. Jantar enquanto eles se engalfinham. Historinha e adormecê-los. Olha que bem, a vantagem é que eles ficam muito cansados com a praia e assim adormecem logo e agora podemos curtir aqui este alpendre. Olha, queres ler um bocado ou aproveitar para ver um filme? Baby? Baby? Baby, vai para cama, sempre dormes melhor que aí na cadeira.

Regresso sem filhos: Que merda. As férias são tão curtas. Amanhã já trabalho, que dor.

Regresso com filhos: NUNCA MAIS. AMANHÃ JÁ TRABALHO, YEAAAAAAAAAAAAAAH.

 

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Gémeos Maternidade

Update Leonor e a displasia

 

 

A Nônô já se adaptou ao arnês. Demorou um pouco mais que o normal, mas adaptou-se. Agora sinto que voltou a ela (para bem de todos cá em casa, que a coisa andava muito, muito desregulada). Voltou a dormir praticamente a noite toda e a adormecer sozinha.

 

Acho que também ajuda o facto de ter ficado mais fresco, o arnês ainda lhe causa algum calor e com a descida de temperatura ficou mais fácil.

 

Já tenho a cadeira da displasia cedida pela BebéConfort. Contactei directamente a marca e foram muito simpáticos, mandaram entregá-la na loja Bybebe em Coimbra. Aconselho a quem precise (que seja de Coimbra) a contactar directamente a loja, pois o atendimento é fantástico e fazem o pedido por nós se preciso. Gosto mesmo do atendimento desta loja e é o que me faz voltar sempre lá (instalaram-me a cadeira no carro, sem ganharem absolutamente nada com este serviço que é providenciado directamente pela Bebéconfort). A cadeira é basicamente uma cadeira normal sem os apoios de lado, para que a bebé possa estar sentada de pernas abertas.

 

Recebi uma dica preciosa de uma mãe que está a passar o mesmo que eu que me disse para colocar uma almofada por debaixo da Leonor para a aconchegar mais e a verdade é que foi desde esse momento que ela ficou melhor. É uma almofada com pouca altura que tinha no sofá da sala e à qual coloquei uma fronha normal de linho e ponho-a por baixo dela, nas costas, deixando o rabinho e as pernas de fora da almofada.

Quando fez quinze dias que tinha colocado a tala, fomos à consulta e foi muito animador: já se notava resultados, a evolução estava a ser fantástica e a continuar assim poderemos não precisar de ter tanto tempo como inicialmente previsto. Agora é só ter paciência e logo logo ela estará boa.

 

Obrigada a todos que se preocuparam e que nos desejaram o melhor, estou certa que esta boa energia foi essencial!

 

Mais sobre a displasia da anca da Leonor:



Eu, a Leonor e o checo

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

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Gémeos Maternidade

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Eu sei que isto é estranho e contraditório vindo de quem tem um blogue e de quem gosta de ser lida, mas debato-me muitas vezes com esta questão da exposição da vida íntima, essencialmente porque a maioria das pessoas acha que sou só o que aqui ponho e não compreende que há muito mais para além disto, das redes sociais, daquilo que digo e que nossa vida tem milhentas dimensões que ninguém conhece. Geralmente passa-me, mas sempre que são temas mais sensíveis demoro um pouco a decidir escrever sobre eles.

Ponderei nem escrever sobre a displasia da Leonor e simplesmente desaparecer de cena até me apetecer. Mas felizmente não o fiz porque choveram dicas, perguntas e histórias de sucesso. E claro, muito amor, doses industriais de força, que se antes de virem pensaria que não servem de nada, quando as recebi ajudaram-me muito a ter força para continuar. Obrigada a todos.

Houve muita coisa que não disse e não tenho aspirações a tornar-me uma bíblia da displasia pois não sei o suficiente, mas pode vir cá parar alguém que acabou de entrar neste mundo e esteja à procura de informações, por isso deixo as seguintes notas:

 

  • A Leonor tem uma sub-luxação da anca direita, o que, segundo a minha compreensão totalmente não científica da coisa, é a variante menos grave da displasia, daí não ser detectável no exame físico. A displasia da anca tem diversas «modalidades» que obviamente necessitam de tratamentos diferenciados (há outro tipo de talas e há bebés que precisam de cirurgia logo). Se precisarem, aconselho a procurarem mais informações na internet com o habitual cuidado que é necessário para verificar fontes (aconselho, por exemplo, este site do International Hip Dysplasia Institute).
  • Existe um grupo de Facebook em português (Bebés com Displasia Congénita da Anca) no qual muitas pessoas partilham a sua história e onde partilham também dicas e truques que podem ajudar alguns.
  • Segundo indicações da médica e do técnico que seguem a Leonor, a tala tem de estar colocada 24h por dia e podemos tirar para o banho 10 minutos 3 vezes por semana. Pelo que percebi, a maioria dos casos é assim, a tala é para estar permanentemente, mas também já li de bebés que podiam estar algum tempo sem a tala. Dependerá, claro, do grau da displasia e do tratamento que o médico prescreve.
  • Foi-nos dito que o tratamento duraria entre 14 a 16 semanas, mas que atendendo à idade da Leonor (este tipo de coisas tem mais sucesso quando diagnosticadas mais cedo) deveríamos contar com as 16 semanas.
  • Os bebés reagem todos de forma diferente e explicaram-nos que a Leonor iria recusar a tala e mostrar o seu desconforto para a tirar. Mais de uma semana depois, ela não mostra sinais de se ter habituado e eu já lhe tirei aquilo mais tempo do que devia porque simplesmente não aguento. É muito difícil, temos de ser fortes e voltar a colocar, aturar o desconforto e esperar que melhore. Muitos me dizem que nos custa mais a nós, que eles se habituam rápido, e com sinceridade eu estou mais que mentalizada e já arranjei soluções para tudo, só preciso que ela pare de lutar contra aquilo e que deixe de chorar por uma ajuda que eu não lhe posso dar.
  • Calças, collants, calções e tudo o que lhe possa de alguma maneira impossibilitar o movimento nas pernas está proibido. Inicialmente isto parece complicado, eu já me habituei completamente à ideia e não vejo problema nenhum. O aparelho tem duas botas com fitas que ligam ao colete e porque acho que não é bom ela ter as fitas em contacto com a pele, por baixo, usamos collants cortados (ficam basicamente duas meias longas). No Inverno, presumo que seja mais difícil de os ver de fralda à mostra, mas sinceramente o calor de ter os collants parece-me pior. Para o frio, tapa-se. Para o calor é difícil ter outra solução. Na parte de cima o ideal é usar algo com gola para que as alças do colete não aleijem no pescoço e com manga curta (coloquei um vestido de cavas e arrependi-me porque o colete entrou em contacto com a pele por baixo dos braços e ela ficou vermelha). Para nós funcionam bodies com gola e vestidos com gola. Custa-me ver toda a roupa gira que a Leonor tinha para o Verão e não vai usar, mas perdi apenas cerca de 10 segundos com esta tristeza, na verdade, não acho nenhum drama. Quando tiver a anca boa tem muito tempo para roupas lindas.
  • Imaginei que mudar a fralda fosse um drama, mas não é, na realidade, depois de habituada, demora-se exactamente o mesmo tempo. Para os cocós até dá mais jeito porque não é preciso segurar-lhe nas pernas para ela não as enfiar na fralda (há sempre coisas positivas).
  • Fomos avisados que há miúdos que começam a comer pior fruto do desconforto. Está a acontecer-nos isso. A Leonor nos primeiros dias vomitava com o choro, ficava de tal forma aflita que mandava tudo cá para fora. Vi a minha vida a andar para trás porque ela foi internada aqui há uns meses com uma bronquiolite precisamente por estar a fazer recusa alimentar… Depois lá começou a aceitar, mas no cômputo geral eu diria que está a comer 3/5 do habitual. Eu consigo colocá-la na cadeira da papa assim, ela fica com as pernas mais dobradas, mas, o conselho do técnico foi que a refeição deveria ser dada como costume, mesmo que a posição não seja a mais correcta, para não perturbar ainda mais a alimentação. A nossa cadeira da papa é a do Ikea, e eu coloco-a mesmo junto à ponta de forma a que as pernas fiquem o mais abertas possível.
  • A posição ideal é deitada de barriga para cima (posição frango assado). Perguntei ao técnico e, desde que não se coloque nada debaixo dos joelhos, não há problema de pôr algo debaixo dos pés. Eu tenho colocado umas almofadas para que não fique com as pernas tão em suspensão, mas sinceramente não noto que ela fique mais confortável, o rezinganço continua.
  • O colo tem de ser dado de frente, com ela de pernas abertas para nós ou de lado, poisada na nossa anca. A ideia é, mais uma vez, promover a abertura das pernas.
  • São fortemente aconselhadas as mochilas ergonómicas. Nós já tínhamos uma (manduca) e desde que ela colocou isto tenho passeado muito com ela lá. Ela adormece e já a tentei poisar depois e ela fica, mas passado dez/vinte minutos, volta a acordar. Claro que posso passar o tempo todo com ela lá, mas eu tenho mais dois filhos e por isso é que não ando mais com ela lá e tento por tudo que ela durma sem mim. Estou certa que se a Leonor fosse filha única seria a nossa grande solução para tudo. Atenção que a mochila tem de ser ergonómica (nem todas são) e os bebés têm de estar virados para nós. Virados para a frente (em babywearing ou ao colo) os bebés tendem a fechar as pernas, pelo que não é uma posição aconselhável. Vejam mais sobre babywearing, se precisarem. ATENÇÃO: O babywearing é óptimo para a displasia da anca, para minimizar os desconfortos do tratamento porque não são necessárias adaptações, pois a sua forma normal já promove esta posição, mas não o substitui. Cuidado com achismos, babywearing não substitui de maneira nenhuma a utilização de aparelhos ortopédicos em bebés diagnosticados com displasia da anca.
  • A bebéconfort tem um serviço de aluguer/empréstimo de uma cadeira específica para bebés com displasia da anca. Vejam mais aqui. Eu estou a tratar disto para ver se levanto a cadeira rapidamente.
  • Quando retirei a tala à Leonor reparei que ela esticava muito a perna esquerda (na qual não tem displasia) e a outra continuava dobrada, em posição de sapinho. Isto manteve-se sempre que tiro e durante o tempo todo. Segundo a ortopedista é normal e não se deve puxar a perninha dobrada.

Passam-nos mil coisas pela cabeça, que isto lhe vai atrasar o desenvolvimento, que ela vai andar torta…. É normal, tudo é normal e não adianta pensar nisso. Isto é preciso, vai funcionar, e vai passar rápido. Não nos estamos sempre a queixar que o tempo passa a voar? É porque passa.

Vão vos dizer, como me disseram a mim «isto não causa dor, causa só desconforto.». Amigos, ninguém fez um questionário a bebés de seis meses no qual eles responderam «Dor dor não é, é só aquele desconforto.». «Não causa dor» é comprimido de relaxamento para os pais. Eu não tomo. Aquilo tem de causar dor. Experimentem estar 24 horas por dia com as pernas alçadas como se estivessem a tentar morenar as virilhas e depois falem-me. Eu prefiro «deve doer-lhes no início, até se habituarem, mas antes esta dor que viver com displasia, antes esta dor que as da pós-cirurgia, antes esta dor, da qual ela não se vai lembrar, do que dor crónica em adulta.». Uma amiga disse-me «isto tem solução» e é isso que me guia. Pior são os problemas para os quais não há solução, este tem. É dolorosa para ela, para nós que a vemos pedir ajuda e não podemos fazer nada, mas tem solução e passa.

Já lhe tirei aquilo para dormir. Não é aconselhável, mas medi tudo e preferi tirar uma noite para todos descansarmos e ganharmos forças para nova luta. Dormimos 8 horas e recomeçámos. Não aconselho, não me aconselharam e os médicos dizem que é contraproducente porque ela pode habituar-se a «ganhar». Eu percebo, e não advogo aquilo que fiz, tenho consciência dos riscos, sei que é um passo atrás, mas às vezes também sei que é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente. De manhã, restabelecidas, recomeçámos. Digo-o porque acho preferível assumirmos do que negarmos um momento de fraqueza. Vou dizer à médica que o fiz (temos de dizer sempre a verdade) embora já saiba que me vai responder que não posso nunca desistir. Eu sei. O sucesso do tratamento depende da persistência, é essencial para evitar métodos invasivos. Eu sei. Mas também tenho alturas em que, ao contrário dos médicos, vejo o panorama geral, de uma casa com mais dois bebés que não dormem com o choro, com um marido que trabalha no Porto e faz duas horas e tal de viagem quase todos os dias, e de um bebé que precisa de comer e dormir para crescer (com a anca direita). Não tenho peso na consciência pelo que fiz, acho genuinamente que foi essencial para nós. Às vezes é preciso pensar nisto assim. Mas não pretendo repetir.

São 16 semanas, e uma já passou. Faltam 15. Vamos a isso, sou tão forte quanto os meus filhos precisam, tenho em mim toda a força do mundo.

(E quando não tenho, afasto-me, choro, grito e volto.).



Mais sobre a displasia da Leonor:

Update Leonor e a displasia

Eu, a Leonor e o checo

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Gémeos Maternidade

Eu, a Leonor e o checo

Os gémeos são um fenómeno giríssimo, capaz de arrancar suspiros em toda a gente, mas assim que entrei neste mundo soube que são um factor de risco para inúmeras coisas. Nunca valorizei e sempre achei que tudo ia correr bem, sem saber. E tudo correu bem, com uns pequenos percalços, uma prematuridade que não obrigou a mais do que 15 dias na UCIN, os meus meninos passaram pelos pingos da chuva. Mas partilhar o T0 da barriga da mãe obrigou a manobras de acrobacia dignas de filme. O Duarte estava transversal e por isso inspirou mais cuidados quando nasceu para ver se estava tudo bem com ele. Mas afinal foi a Leonor que ficou muito apertada e resultado disso tem dois problemas: displasia da anca e plagiocefalia (coisas que não são exlusivas das gravidezes gemelares, mas para as quais são factor de risco).

 

Da plagiocefalia sabemos desde os 2 meses. Tivemos recentemente uma consulta com um especialista e foi precisamente como preparação para a dita consulta que a semana passada fizemos uma eco às ancas, de rotina. Apesar de no exame físico (feito dezenas de vezes por médicos e pela fisioterapeuta) não se ter detectado nada, na eco lá apareceu, uma displasia da anca. Pouco depois fomos a uma consulta na ortopedia no hospital pediátrico e saímos de lá com o tratamento ditado e aplicado: tala de pavlik. Recebemos as indicações ainda meio sem saber o que nos estava a acontecer: a Leonor tem que a andar com a tala sempre, 24h por dia, com permissão para tirar 10 minutos para o banho 3 vezes por semana. Nos primeiros 3 dias não lhe podíamos tirar nem para tomar banho e tínhamos de aguentar que ela ia refilar, mas, a bem da adaptação, teríamos de ser fortes. Ovo apenas para viagens de carro (porque a segurança está primeiro), nada de espreguiçadeira, de carrinho, tentar que ela esteja sempre deitada de barriga para cima, ou ao colo. Proibidas calças, calções e collants. Andar na rua, sim, ao colo. O técnico que colocou a tala e nos disse isto e comentou que entre o pai e a mãe não teríamos que deixar de fazer nada até lhe dizermos que temos mais dois filhos.

 

O Pedro saiu esse mesmo dia para fora, em trabalho. A antever uma noite má, pedi aos meus pais e sogra para ficarem com os miúdos e fiquei eu, a Leonor e o pavlik (o checo) naquela que foi seguramente das piores noites da minha vida. Ela chorou a noite toda, e não como é habitual,  aquela rabugice suportável de bebé, mas um choro absolutamente desesperado. Adormecia dez minutos ao meu colo e recomeçava. O desespero total. Passar uma noite em branco não é dramático, nem é propriamente novidade para mim, com três bebés, mas aquele tipo de tortura deixou-me de rastos. Na noite seguinte, o mesmo. Na seguinte, ainda sem marido em casa, com os miúdos e a minha mãe em casa para me ajudar, já farta de tudo isto, pu-la a dormir na espreguiçadeira. Ela precisava de descansar e eu também. Funcionou, ela dormiu quase 10 horas seguidas, tal era o cansaço. No terceiro dia tirámos aquilo para o banho e ela riu-se de novo e eu chorei de felicidade. Logo depois tivemos de colocar aquilo e recomeçou o mal-estar.

 

Agora não chora tão desesperadamente como no primeiro e segundo dia, mas não dorme mais de 20 minutos seguidos, está sempre a acordar e a choramingar. É desesperante e muito difícil de suportar quando se tem mais dois filhos para tratar e prazos a cair. Começou a comer pior, deixa sempre metade do biberão.

 

Os gémeos dormiam muito bem. Eu não gosto de publicitar isto, porque sempre que falo eles começam com uma má fase, mas a verdade é que dormiam da meia-noite às seis a maioria das noites, quando não conseguíamos que aguentassem mais. E durante o dia as sestas também eram fáceis, com mais ou menos trabalho, nenhum deles adormecia ao colo e ficavam bem na cama.

 

A alcofa do carrinho deles estava arrumada a um canto e basicamente só quando saíamos à rua é que a usávamos. No meio do caos, fui obrigada a pensar em soluções e só me lembrei de a colocar na alcofa do carro pois sempre a podia abanar. O problema é que ela não cabe lá nesta sua nova forma frango assado. Já estava a ponderar cortar a alcofa (para verem o meu desespero) quando a minha mãe me ajudou a tirar as molas e colocá-la lá com isto aberto.

Já li muito sobre a displasia e só espero que este tratamento funcione, temos medo que não dê certo e que este suplício seja em vão. Espero que a Leonor se adapte, mas já lá vão uns dias e pelo menos eu não me consigo adaptar a esta tortura dela acordar de 20 em 20 minutos e de a ter de adormecer no carrinho ou ao colo.



Mais sobre a displasia da Leonor:

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Update Leonor e a displasia

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Fundamentalismos

Odeio os infindáveis discursos do elogio ao antigamente em que se aplaude a era pré-internet. Eu estou bem assim, obrigada, gosto muito da internet (dependo dela para trabalhar) e adoro ter acesso a informação. Gosto das redes sociais, acho que a minha vida é melhor com elas, e gosto de grupos no Facebook (de mães, profissão, etc.) porque aprende-se sempre alguma coisa e há sempre gente com humor que partilha boas piadas.

Feito o aviso, preciso de dizer que às vezes passo-me da marmita com o que vejo e apetece-me correr tudo à chapada. É o babywearing, a amamentação, o rear-facing, as creches, o baby led weaning, o co-sleeping, o bed-sharing, a última coca-cola do deserto da pediatria/pedagogia/pedopsquiatria levada à loucura.

Não tenho nada contra nenhuma das coisas que enumerei, se lês para me pores numa cruz vai lá dar uma volta ao bilhar grande que eu não advogo nada contra. Mas como não sou entendida em nenhuma, também não tenho nada a favor que não a minha experiência. Mas irrita-me a maneira como especialistas com conhecimento adquirido no Facebook defendem e tentam impingir o extremo da sua estratégia (que muitas coisas, por mais termos em inglês que tenham, não passam disso) aos outros.

Irrita-me ver gente a criticar pessoas que andam com os filhos no carrinho porque não são iluminados e não carregam em babywearing porque colo é amor (mas tem regras, que tudo tem regras e tem que ser daquela maneira). E se quiserem dar alimentos crus aos vossos bebé bem como sopa, saibam que isso não é baby led weaning de verdade, é finger food e não é nada, para isso não vale a pena sequer tentar. E dar de mamar é renegar fórmula, cuspir-lhe em cima, porque mãe que é mãe dá mama, até querer, e sem mamilos de silicone que isso é o demo e nunca vão mamar direito com essas coisas. E dormir na cama dos pais é que é, se não gostas é porque és capaz de ouvir os teus filhos chorarem e és pior que bruxa. Não defendo nada nem sua coisa distinta e não acho que isto das pedagogias, filosofias, métodos e estratégias sejam simples, estanques e eficazes. Tenho três filhos e dois são gémeos e já fiz quase tudo com todos e a sua coisa distinta.

Eu não quero saber de equipas, odeio extremismos e categorias. Leio imensos livros, artigos na Internet e converso com outras mães tanto quando posso. Pego aqui, ali, junto tudo e deixo que o sono e o cansaço façam o resto. Co-sleeping? Tem dias. Treino do sono? Tem coisas (e não é deixar chorar e torturar). Baby led weaning? Sim, mas com sopa que toda a gente come sopa cá em casa e não vou abdicar disso se conseguir. Babywearing? Quando dá, mas o carrinho não me dá cabo das cruzes. Amamentei o Gonçalo até aos 6 meses, metade do tempo com mamilos de silicone e não consegui amamentar os gémeos e dou-lhes leite adaptado. O Gonçalo dormiu até aos 9 meses no nosso quarto, até aos 3 na nossa cama e os gémeos desde os 5 meses e meio que foram para o quarto deles e contam-se pelos dedos das mãos as noites que dormiram na nossa cama. Se por ter amamentado acho que toda a gente tem que amamentar? Não. Lamento, mas não funciona para todos. Tive imenso leite dos gémeos e não funcionou para nós. E não, não foi falta de informação. Do Gonçalo funcionou lindamente e adorei.

Isto para dizer: nada é igual para toda a gente porque nem para as mesmas pessoas as coisas são iguais. Por isso PAREM DE IMPINGIR AS VOSSAS ESCOLHAS A OUTROS. Todas as filosofias, todas, viram religião. Aposto que os defensores da parentalidade positiva não tinham em mente ter os seus defensores a discutir por esse Facebook fora para evangelizar outros. A parentalidade positiva deve fazer um bem incrível às crianças, mas aos adultos às vezes duvido pela agressividade com que vejo alguns a defenderem-na. A leviandade com se ataca pessoas que não defendem o mesmo que nós por esse motivo apenas deixa-me nervosa. Se alguém ousar dizer que não gosta de co-sleeping arrisca-se a ter que ouvir que é uma pessoa detestável. E a maioria das vezes não são ataques assumidos, são aquele passivo-agressivo digno de telenovela “eu prefiro que o meu filho durma comigo do que ouvi-lo chorar para dormir sozinho, acho uma crueldade” quando a pessoa nem sequer disse que é isso que faz. E isto vale para todos os lados, todas as posições sobre qualquer coisa têm só dois lados diametralmente opostos e defender uma coisa é renegar a outra para sempre.

E parem de achar que as coisas que vêem na rua são a única realidade daquelas pessoas. “Ai eu vejo pais que fazem as vontades todas aos miúdos, eles choram e eles dão, eles pedem e eles vão”. Antes demais, aprendamos a discutir. Quem disse que isto é parentalidade positiva? E quem disse que quem não deixa dormir na cama, não dá colo? E depois, quem somos na rua? Quem vos diz qual é a nossa realidade? Eu na rua sou das mais permissivas mães que existem. Tenho uma hiper-sensibilidade a incomodar os outros e odeio ver birras, portanto se estivermos em público e houver birras eu vou tentar terminá-la da forma mais rápida e eficaz. E sim, isso significa que a maioria das vezes cedo.

Eu já vi nestes grupos mães a indicarem que determinada coisa foi indicação do pediatra e outras mães, aparentemente sem formação na matéria, apenas munidas da sua experiência, a indicar que os pediatras deviam tirar o curso de novo, que os médicos de hoje não sabem nada. Acho isto um exagero perigoso. Não é preciso justificarmos as nossas decisões com uma evangelização extrema daquilo decidimos para nós. Porque não explicar como foi a nossa experiência, dizer que os médicos têm formações distintas e escolas de saber que às vezes são diferentes e aconselhar a procurar uma segunda opinião indicando artigos credíveis ou livros sobre a matéria para a pessoa, querendo, obter mais informação?

O que mais me irrita é a incapacidade de ver outros pontos de vista, de reconhecer validade a experiências diferentes e promover diálogos e não simplesmente elogios a determinada maneira.

E o argumento do amor deixa-me louca, acho uma manipulação tremenda. Vejo defender que maminha é amor, colinho é amor, carregar é amor como se fosse o contrário não fosse. Deixar dormir no berço também é amor, dar biberão também é amor e andar no carrinho também é amor. Tudo o que seja cuidar é amor e quem sabe o que é cuidar da melhor maneira são os pais, daquele bebé em específico, naquele momento em específico.

Não gosto de impingir nada e menos que me impinjam. Falemos todas do que funcionou connosco, naquele momento, naquele filho. Aconselhemo-nos, sugiramos coisas que isso sim é que é a maravilha das redes sociais, a capacidade de partilhar experiências com estranhos de forma rápida. Mas paremos com a catequização, como se fossemos só uma coisa sem poder ser um pouco de todas. Eu sou pela maminha, pelo biberão, pela cama dos pais, pela cama dos filhos, pelo quarto dos pais, pelo quarto deles, pelo adormecer ao colo, pelo adormecerem sozinhos, pelos white noises, pelo embalar no carrinho, pelo babywearing, pelos castigos, pelos limites, pelos exemplos, pelo apego, pelos abraços, pelo arregalar de olhos. Eu sou por tudo e por nada, pelo todo e pela parte, pelo nunca e sempre. E a maioria das vezes, francamente, sou pelo que funciona. Pedagogia? A que dá.

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Maternidade

Dia da Mãe

Hoje foi um bom domingo. O Porto acordou campeão!

Também comemorámos o dia da mãe, em família.

 

Este foi o meu segundo dia da mãe. Há um ano, comemorava o primeiro, mãe do Gonçalo e crente que nunca viria a amar alguém como a ele. Já estava grávida dos gémeos, mas não sabia. Como também não sabia que sim, era possível amar alguém como se ama o primeiro filho. Hoje tenho três, e eles fazem de mim a melhor mãe do mundo. Não se afrontem com a falta de modéstia, duvido disto todos os dias. Mas pensei: faço o que posso, dou-lhes tudo o que sei e tento aprender a ser melhor todos os dias, porque raio é que não me hei de sentir o melhor que eles podem ter? Cansei da culpa, cansei do drama, cansei! Ser mãe é fixe. Às vezes apetece-me pegar no meu livro e ir à minha vida, mas nunca fui, por isso acho que estamos orientados.

Gonçalo, Leonor e Duarte, a minha prole, os meus amores, a minha vida. Não são tudo, sou muito mais que mãe, mas são a minha melhor parte, a minha obra-prima.

Aqui com a minha mãe, a minha heroína. Muito do que sou, sou da minha mãe (também sou muito pai e tenho também muito das outras pessoas da minha vida). Da minha mãe, entre muitas coisas, herdei os ares, o gosto pelo cinema, pelas línguas e pela tradução. Herdei ou aprendi, que talvez os ares seja a única coisa que herdamos, o resto assimilamos. Gosto da forma desprendida como ela nos educou e, hoje, mãe, reconheço-a em muitas coisas que digo e faço e não consigo evitar rir-me. Adoro a forma como deixa que gozemos com ela, foi com ela que aprendi a brincar comigo antes de brincar com os outros, e isso não tem preço (e dá-nos uma casca grossa difícil de quebrar). A minha mãe é a minha mãe e por isso é a melhor. Lamento muito que a minha mãe não tenha podido ter a mãe a vê-la tornar-se mãe, porque eu adoro ter a minha como assistente neste filme.

Apresento-vos a minha mãe:

Prendas?

No dia do Pai propus ao Pedro instituirmos uma tradição de dia do Pai e dia da Mãe: trocarmos livros (para lermos com eles) e fazermos uma doação a uma instituição que ajudasse crianças, mães e pais que não têm a nossa sorte. É uma tentativa de diminuir o consumismo (de que padecemos muito e para o qual já temos as outras datas, como os nossos aniversários), de incutirmos o prazer de comprar e receber livros e sobretudo de reenquadrarmos os nossos dramas lembrando-nos dos menos afortunados. Ah e claro, também é uma forma de simplificar a nossa vida e não perder tempo a pensar em prendas! 🙂

Recebi este livro delicioso que comprámos na Livraria Faz de Conto

e o Pedro contribuiu em meu nome para a Agência da ONU para os Refugiados (mais especificamente para a crise dos refugiados Rohingya – sabiam que o Bangladesh tem um dos maiores campos de refugiados do mundo e que desde Agosto de 2017 acolheu mais de 671 000 pessoas das quais quase 390 000 são crianças?)

Um brinde a todas as mães e força para todas aquelas para quem a luta para dar o melhor aos filhos é dura!

 

 

 

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Maternidade Tudo e Nada

Loucas são as noites que passo sem dormir*

Sabem aquelas pessoas que dizem que só precisam de dormir 4 horas e conseguem trabalhar? Ou que dizem que podem andar dias a fio sem dormir bem e recuperar tudo no fim-de-semana? Ou que não gostam de dormir muito? Ou que acham que as manhãs são para se começar cedo e com trabalho? Eu NÃO sou assim. De todo. Eu gosto de dormir. Eu gosto de dormir muito. Pior, eu preciso de dormir muito. Tiram-me horas de sono e eu só faço porcaria. Fico com uma memória terrível. Fico sem vocabulário, pareço o Trump a falar. Fico triste, deprimida. Nada para mim é tão exigente na maternidade como ter que funcionar (e às vezes agir rápido) com sono. Eu preciso de para cima de 10 despertadores para tirar o rabo da cama. Eu não sou pessoa de ouvir um choro e ter logo forças para me levantar e ir lá socorrer/acalmar/colocar chucha/alimentar. Não sou. Mas não tenho hipótese.

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