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Tudo e Nada

Love is all you need Tudo e Nada

01.06

Hoje fazemos 5 anos de casados e 11 de namoro. A semana passada falámos em divórcio. Já viste, tínhamos guarda partilhada, tu uma semana, eu outra! Sim, passávamos uma semana de cão com eles sozinhos, mas depois a outra… Ver séries à noite, filmes, ir ao cinema… Mas depois as nossas séries, tinha que ver sem ti? E jantar, pedia pizza para um? Falámos de divórcio mas esquecemo-nos que tínhamos que estar separados. Separados não, sempre juntos.

Passar da sintonia de 2 a pais de 3 em 2 anos, não é fácil. Precisamos de férias. Deles, não um do outro. Não imaginava fazer isto tudo sozinha, nem com outra pessoa. Nós, sempre juntos. Não sou a miúda com quem começou a namorar, nem a mulher com quem casou. Às vezes sou só cansaço, sou só sono. E refilo, e respondo mal, e queixo-me, mas estamos sempre juntos, ele sempre ao meu lado, nunca contra mim.

Desde que fomos passar o fim-de-semana fora que não dormimos uma noite inteira juntos. Umas horas com os gémeos, um vai ao Gonçalo, o outro aos gémeos, e ora troca, e agora tu, agora deixa vou lá eu, e passam-se dias e semanas em que falamos de uma divisão para a outra e comentamos coisas com trinta interrupções. Mas ele abraça-me quando nos encontramos na cama e faz-me ter ataques de riso quando preparamos os biberões do gémeos à noite. Costumam elogiar-me o sentido de humor para lidar com este caos, mas não sabem que isso é uma cena nossa. Antes de ser um blogue, é uma conversa de whatsapp em que mandamos vir com a vida e nos rimos das nossas tretas ou simplesmente provocamos uma oportunidade de pôr aquele GIF. Não há dia nenhum desde que estamos juntos em que não me tenha feito rir, mesmo os em que me fez chorar, quase sempre me fez rir, até as nossas discussões têm piadas. Há piadas só nossas porque só nós as percebemos e outras que são só nossas porque se forem do mundo temos a CPCJ amanhã de manhã à porta.

Há 11 anos, quando o conheci na queima das fitas, levava o grão na asa e arrastei-a para ele, mas não fazia ideia de que ele seria o pai dos meus três filhos. Tão-pouco agora sei se daqui a outros 11 estaremos juntos. Ninguém sabe. Mas suspeito que sim. Sempre juntos.

O ano passado fizemos 10 anos de namoro. Fiz-lhe uma surpresa que envolveu andar pela cidade a apanhar cartas que lhe escrevi e deixei em locais que nos faziam sentido. Ele disse-me que achava que última ia terminar com «e agora vamos ser quatro». Eu ri-me e disse-lhe que no dia seguinte compraríamos um teste de gravidez para ele parar de dizer que eu estava grávida. Tinha-lhe escrito «ainda agora começámos», mas não fazia ideia de que sim estava grávida e que o teste que comprámos foi das poucas vezes que não tinha razão. Não sabia que íamos ser mais, nem sabia que nunca chegaríamos a ser quatro, que 5 era afinal o nosso número. Hoje fazemos 5 anos de casados. Venham mais 5, a 5, mas sempre a dois, juntos. Ainda agora começámos.

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Coisas que irritam Tudo e Nada

Prioridades

Acho que mudei um pouco aquilo que achava sobre prioridades. Antes de engravidar achava que o mundo era um pouco mais sensível do que é — talvez porque eu e aqueles que me são próximos são — e era da opinião que o tema prioridades era uma questão de bom senso. Depois de engravidar apercebi-me que o bom senso que eu imaginava que existia, escasseia. Durante muito tempo não pedi para ter prioridade, não me sentia bem e na verdade, não necessitei. Da gravidez do Gonçalo devo ter utilizado a prioridade enquanto grávida umas duas vezes na farmácia e mesmo no final da gestação. Depois de o Gonçalo nascer também usei a prioridade umas quantas vezes quando tive que estar na fila com ele na segurança social, nos correios, etc… Ainda tive algumas chatices, funcionários antipáticos e sem vontade de reconhecer a prioridade e pessoas que não gostavam que eu tivesse prioridade que me chegaram a dizer «eu também tenho um filho, está na escola e tenho que o ir buscar!». Não discuti, não me irritei e confesso que até senti vergonha de pedir. Não sei bem porquê, de facto uma grávida não deve esperar o mesmo que os outros, por melhor que seja a gravidez, não é confortável. E um bebé até dois anos é impossível de aturar numa fila, eu não levo os meus porque dá jeito, levo-os porque tem mesmo que ser, por isso também percebo que se facilite a vida às pessoas. Já sei que há quem se tente aproveitar, mas duvido que alguém deixe de levar os miúdos para a escola para ir para a fila da loja do cidadão. É cortesia. Ou devia ser. Na verdade teve que passar a ser lei para se efectivar.

Na gravidez dos gémeos a coisa ficou diferente. Desde cedo que fiquei com uma grande barriga, desde cedo que me custava estar em pé e no último mês custava-me tudo. Nessa altura pensei: a prioridade existe, é um direito que me assiste, não vou tentar explicá-lo ou justificá-lo a quem não quer compreender. Vou usar do meu direito com educação.

 

Finanças. 15h30 da tarde. Eu grávida de gémeos de 32 semanas. Retiro a senha B32 e verifico que vai na B28. Não existem senhas prioritárias. Um cartaz informa que aqueles que têm direito à senha prioritária devem retirar a sua senha normalmente e dirigir-se ao balcão que está a atender essas senhas e solicitar o atendimento com prioridade. Foi o que fiz. A funcionária, com poucos modos, disse-me para aguardar na zona de espera (zona onde não existiam lugares sentados livres e onde ninguém se levantou para me dar o lugar, por sinal) que já me chamava.

Passado pouco tempo anunciou para a zona de espera:

«A senhora que solicitou prioridade, quem é?»

Eu identifiquei-me e avancei. Nisto, uma senhora passou-me à frente, indicou que também tinha prioridade e não sabia que era necessário pedir. A funcionária barafustou algo, eu disse que se existia alguém com prioridade à minha frente, claro que essa pessoa devia ser atendida, e cedi a passagem, indo-me sentar no lugar da senhora que se levantara. A senhora dirigiu-se ao balcão, mostrou um atestado e a funcionária, de forma muito mal-educada e bastante alto, informou-a «que isto não é assim», «atestado multiusos muitos têm», «isso não dá direito a prioridade».

E aos berros, perguntou-me:

«E a senhora, tem prioridade porquê?».

Incrédula, ri-me.

«Olhe, agradeço que pergunte, mas acho que se vê bem: estou grávida…».

«Ai e gravidez é prioridade? Não pode esperar sentada?»

Não sei como é que mantive calma. Senti-me meio humilhada. A funcionária tentou diminuir-me à frente de todos para não me dar prioridade, como que a dizer-me que eu não podia esperar porque era parva.

«Não, não posso». Aproximei-me dela, para não lhe gritar, com o respeito que não teve para comigo, e expliquei que tinha a certeza que tinha direito a ter prioridade por estar grávida e que não era eu que achava, era a lei. Das duas uma: ou me concedia prioridade, ou teria que escrever no livro de reclamações. Não vacilei. Embora tivesse ficado nervosa, fiquei irritada pela maneira como me tratou e deixei claro que sabia que tinha prioridade e não ia desistir.

A funcionária chamou a Directora de Serviço, que, antes de tudo, lhe pediu para ela falar baixo, demonstrado desde logo ter mais educação. Depois explicou-me o que eu tinha que fazer para ter direito a ter prioridade, como se EU estivesse a errar. Eu expliquei-lhe que foi assim que procedi, a funcionária é que entendia que eu não tinha direito a ter prioridade. Então a Directora indicou-lhe que eu estava «notoriamente grávida» e que tinha que ser atendida.

Dirigi-me para a cadeira do balcão da grandessíssima vaca que me atendeu munida da minha viola invisível para ela pôr no saco e não tirei um sorrisinho sarcástico da cara o tempo todo.

 

Mas depois de sair pus-me a pensar e achei toda a cena tão escusada. Tão triste. Não nego que o facto de ter aparecido uma senhora que, de facto, não tinha direito a prioridade possa ter baralhado a funcionária, mas a senhora não foi mal-educada, só tinha que ser informada. A funcionária é que foi mal-educada com a senhora e comigo, tentando ridicularizar o exercício de um direito que me assiste. Talvez se eu não conhecesse a lei tão bem, e se não tivesse algum à vontade com leis porque as estudei, me deixasse intimidar e me sujeitasse a esperar numa sala de espera que se tinha tornado hostil. Ninguém gosta de esperar. Nem todos têm o bom senso de perceber que algumas pessoas têm direito a ser atendidas antes e ficam rancorosas. Se a hostilização surgir das pessoas que trabalham nos sítios pior é!

 

Já me cederam a vez várias vezes e quando posso esperar, quando os bebés estão a dormir ou quando estava grávida e não estava especialmente cansada, explicava que podia esperar e deixava-me estar na fila. Também me aconteceu pedir para ser atendida antes e a senhora que estava à minha frente dizer-me «desculpe, eu sei que tem prioridade, mas eu só quero uma coisa rápida e tenho o carro mal estacionado, importa-se?» e eu disse que não, esperei mais 1 minuto se tanto e a senhora foi atendida e saiu a voar. Com educação, toda a gente se entende. Eu pelo menos tento que assim seja. Mesmo quando tiro senha prioritária e passo à frente sem ter que pedir, tento ser rápida e agradeço às pessoas que me cedem a passagem. As Finanças não são um sítio onde se espere pouco tempo, eu estava exausta, tinha andando a tratar do Gonçalo de manhã e começava a sentir algumas contracções naquela altura e tinha pedido boleia à minha mãe porque já não me sentia confortável a conduzir, por isso não queria esperar, e tinha que ser eu a tratar daquele assunto. Podia esperar? Claro que podia. Não há dúvidas sobre isso. Podia esperar, não estava em trabalho de parto, nem tinha instruções para estar de repouso absoluto. Eles acabaram por nascer prematuros e só eu sei como me culpo por não ter abrandado mais um pouco no final, mas sim, naquele dia podia ter esperado. É delicado? É cortês? É digno de uma sociedade civilizada? Não acho.

 

Dias depois da cena das Finanças fui à Primark comprar coisas para a mala de maternidade. A fila estava a andar bastante rápido e tinha pouco mais que três pessoas porque fui a uma hora mais calma. Meti-me na fila normal e nem esperei. A funcionária atendeu-me e enquanto passava as coisas na caixa registadora disse-me «A senhora tem prioridade, não tem que esperar na fila. Para a próxima dirija-se à caixa n.º 1 que é imediatamente atendida».

 

Lembrei-me logo da outra cena. Folgo em saber que uma entidade privada trata a lei e os cidadãos com mais respeito que um organismo público.

 

Tenho este texto escrito há imenso tempo e vim agora editá-lo e publicá-lo porque tenho visto imensas pessoas com dúvidas sobre a lei em grupos de mães e lembrei-me.

Aproveito para deixar estas notas sobre a lei sobre o atendimento prioritário (Decreto-Lei n.º 58/2016, de 29 de Agosto):

  • Todas as entidades públicas e privadas devem prestar atendimento prioritário a determinadas pessoas.
  • Essas pessoas são:
    • Pessoas com deficiência ou incapacidade;
    • Pessoas idosas (com idade igual ou superior a 65 anos e que apresente evidente alteração ou limitação das funções físicas ou mentais);
    • Grávidas; e
    • Pessoas acompanhadas de crianças de colo (aquela que se faça acompanhar de criança até aos dois anos de idade).

A pessoa com direito a atendimento prioritário que o veja negado deve chamar a polícia.

Sobre a prioridade a crianças de colo, notem que a lei não diz crianças «ao colo», diz «de colo». É um conceito que se preenche com a idade da criança e não com a forma como a trazemos. Não há necessidade de pegar na criança só porque se fala em colo, por favor! Se disserem isso, estão errados. E não tem que ser a mãe.

Se quiserem saber mais procurem aqui e aqui.

Conheçam os vossos direitos, e vamos todos tentar que a lei seja cada vez menos necessária e tudo funcione com naturalidade. Para isso é preciso não esquecer que a lei concede um direito geral, indiscriminado, porque não há como adaptar a situações em específico. A ideia é proteger aqueles que precisam de protecção. Como sempre é susceptível de abusos. Nunca vi, mas oiço falar de pessoas que vão com os filhos só para passarem à frente, que são mal educadas e agem como se fosse tudo delas. É verdade que a lei concede o direito de atendimento prioritário, mas não é menos verdade que as pessoas à frente de quem se passa também têm direito a ser atendidas e estão a ceder a passagem porque se encontram em melhores condições de esperar. Isto significa duas coisas: que não as devemos maltratar para exercer o nosso direito e que o devemos exercer sempre que sintamos que efectivamente não estamos nas mesmas condições para esperar.

Be kind and amazing things will happen.

 

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Maternidade Tudo e Nada

Loucas são as noites que passo sem dormir*

Sabem aquelas pessoas que dizem que só precisam de dormir 4 horas e conseguem trabalhar? Ou que dizem que podem andar dias a fio sem dormir bem e recuperar tudo no fim-de-semana? Ou que não gostam de dormir muito? Ou que acham que as manhãs são para se começar cedo e com trabalho? Eu NÃO sou assim. De todo. Eu gosto de dormir. Eu gosto de dormir muito. Pior, eu preciso de dormir muito. Tiram-me horas de sono e eu só faço porcaria. Fico com uma memória terrível. Fico sem vocabulário, pareço o Trump a falar. Fico triste, deprimida. Nada para mim é tão exigente na maternidade como ter que funcionar (e às vezes agir rápido) com sono. Eu preciso de para cima de 10 despertadores para tirar o rabo da cama. Eu não sou pessoa de ouvir um choro e ter logo forças para me levantar e ir lá socorrer/acalmar/colocar chucha/alimentar. Não sou. Mas não tenho hipótese.

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Passear Tudo e Nada

Porto. 2 dias. 0 filhos.

Comecei a planear a surpresa do aniversário do Pedro com mais ou menos mês e meio de antecedência. Eu adoro surpresas — mais de prepará-las do que ser objecto das mesmas. Sabia que o que ele mais queria era o mesmo que eu: uma escapadinha de fim-de-semana a dois. Nós adoramos passear e fazíamo-lo com frequência, por isso é uma das coisas das quais temos saudades. Praticamente todos os sítios que queria estavam lotados. Acabei por marcar um que já conhecíamos, mas que queríamos repetir: Tróia Design Hotel. Falei com a família, expliquei os meus intentos e toda a gente acedeu a ajudar-me e ficar com os meninos. Iria preparar a mala no dia anterior enquanto o Pedro trabalhava, pedia à minha irmã para a colocar na mala do carro sem ele saber e no dia seguinte sairíamos de manhã, sem alaridos, para ir buscar a prenda dele que lhe ia dar a entender que seria algo para a casa. Só quando entrássemos na auto-estrada é que ele iria saber que íamos para longe e só quando chegássemos a Tróia é que lhe diria que não íamos pegar no turno da noite de nenhum dos putos. Ia ser p-e-r-f-e-i-t-o.

15 dias antes, um encontro fortuito estragou a surpresa. O Pedro percebeu que eu tinha orientado toda a gente para ficar com os gémeos no fim-de-semana do aniversário e juntou dois mais dois. Lá se foi a minha surpresa… Ainda assim não sabia para onde íamos e garantiu-me que não ser surpresa não ia retirar piada nenhuma à coisa.

5 dias antes liga-me a dizer que tem uma formação no Porto na sexta e sábado de manhã.  Apeteceu-me chorar. Já sei que não fazer um fim-de-semana fora é um problema primeiro mundista do qual devia ter vergonha, mas naquele momento eu estava com o Duarte ao colo a lutar para dormir e só queria o meu fim-de-semana de namoro que deixara de fazer sentido com uma formação no Porto até às 13h. Fiquei chata e triste.

Mas depois, eu sou eu, e tenho a mania de não desistir. Inquiri a família se podiam ficar com as crianças não uma, mas duas noites. Cancelei o hotel. Marquei hotel no Porto e decidi: iríamos para o Porto, eu ficava no hotel enquanto ele estivesse em formação, e iríamos passar o fim-de-semana numa cidade onde já vivemos. Eu que queria um sítio novo desde o início, acabei num sítio que ainda tem tiques de casa. Ia ser p-e-r-f-e-i-t-o na mesma.

Assim foi.

O Porto será sempre uma das minhas cidades favoritas. Por mais chuva com que me receba (e no fim-de-semana foi uma recepção efusiva nesse aspecto), eu não consigo não morrer de saudades do caminho de casa, das manhãs domingueiras de brunch, dos passeios, dos jantares depois do escritório. Foi onde tivemos a nossa primeira casa (e segunda), e será sempre casa. Foram só três anos, mas foram três anos muito bons.

Iríamos jantar nos sítios que ainda não conhecemos, iríamos dormir num hotel pelo qual passávamos todos os dias e dizíamos que queríamos «ver por dentro». Seria um fim-de-semana a dois, num regresso a dois.

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Tudo e Nada

Mudanças

10 dias antes – Let’s do this shit! Escolher dia para mudar: check! Marcar empresa de mudanças: check! Agendar troca de serviço de TV: check! Estou super-organizada, vai tudo correr bem.

1 semana antes – Hora de começar a arrumar… tenho que comprar caixotes!

3 dias antes – Ok, se calhar tenho que começar mesmo a arrumar coisas. Vou fazer um caixote.

2 dias antes – Porra, tenho que fazer mais caixotes, rápido. 10 caixotes. Ok, se calhar são mais coisas do que pensava. Mas está quase, a nova casa compensa.

1 dia antes – Onde é que eu tinha a cabeça? Para que é que vou mudar? Caixotes. Quem é se lembra de deixar tudo para a última com três filhos? Caixotes. Caixotes. Gonçalo, sai daí. Caixotes. 10. 20. 30. 45 caixotes. Coisas. Roupa. Coisas. 52 caixotes. Onde é que eu tinha a cabeça? Mas como é que é possível acumular tanta coisa? Caixas de electrodomésticos com 5 anos? Caixas de coisas que já não tenho?  Eu sou louca.

Dia da mudança – Porra. Não tenho casa. A antiga não tem nada, a nova tem tudo, mas dentro de caixas. Nenhuma funciona como casa. As minhas coisas estão onde? Onde é que eu tinha a cabeça? NUNCA MAIS MUDO DE CASA.

Já avisei toda a gente que se eu voltar a dizer que vou mudar de casa é um sinal de código para pedir ajuda, estou a ser chantageada por pessoas muito poderosas que não me deixam comunicar. Portanto, se eu voltar a dizer que vou mudar de casa, chamem ajuda porque eu NUNCA MAIS MUDO DE CASA.

Amanhã deixo as minhas dicas todas sobre mudanças, adquiri muito conhecimento e como não vou usar mais vou passar a pasta a quem precise!

 

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Maternidade Tudo e Nada

Porque o nome não chega

Onde está o chouriço?

Olha, tens dois na despensa na prateleira do meio.

Isto podia ser a minha irmã a perguntar à minha mãe onde é que ela havia guardado esse maravilhoso enchido. Mas não. A minha irmã perguntava pelo Gonçalo. A minha mãe não percebeu e pensou que a minha irmã queria mesmo chouriço para cozinhar. A coisa ainda fica mais cómica: a minha irmã não percebeu imediatamente que a minha mãe não tinha percebido o petit nom e se referia a chouriços reais e não humanos e por isso pensou que os dois chouriços eram os gémeos e que a despensa era nome de código para descanso…. Foi um minuto de black out comunicacional hilariante.

Tudo isto porque a minha irmã chama chouriço ao sobrinho. Eu acho fofo. E vindo da minha irmã, claro que os nomes carinhosos tinham que ser referências a comida.

Eu chamo-lhe xuxulito. Não faz sentido, saiu-me uma vez, numa junção trapalhona de xuxu lindo e ficou. Xuxu também é muito utilizado. O pai chama-lhe putxitxo. A avó chama-lhe besnico.

A Leonor é princesa da solum, pequenitates ou a titica. Ao Duarte chamo muito xuxu e gordixo. Ao contrário do Gonçalo, ambos têm diminutivos (que eu sempre detestei, mas que agora uso imenso): Dudu e Nônô.

Por aí? Os miúdos também são tratados por comida? Há mais chouriços? 🙂

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Gémeos Organização Tudo e Nada

Truques que aprendemos com os gémeos

Toda a gente presume que por já se ter filho se sabe tudo, especialmente no nosso caso em que o primeiro filho ainda é bebé. Na verdade há coisas que temos que reaprender e outras que nunca soubemos. No nosso caso, em que o segundo filho são dois, há imensos truques que vamos aprendendo. Na própria UCIN aprendemos muitas coisas. E como os gémeos não mamam, e o Gonçalo mamou até aos seis meses, há imensas coisas sobre a logística dos biberões que vamos aprendendo.

  • Trocar a fralda antes do biberão e não depois. Ao Gonçalo trocámos a fralda sempre a seguir a mamar — nem sei bem porquê — e ele bolçava sempre imenso. Ao trocar antes evitamos as movimentações da muda de fralda e também podemos aproveitar a moleza pós-refeição para os colocar de novo na cama.
  • Colocar uma fralda de pano esticada na cama na zona da cabeça. Caso bolçem é só trocar e evitamos trocar os lençóis sempre que acontece. Esta é tão óbvia que me sinto mesmo mesmo burra de não me ter lembrado quando foi do Gonçalo.
  • À saída do banho, secá-los com um lençol ou com uma fralda de pano e não com uma toalha. Os lençóis e as fraldas de pano aquecem-se mais facilmente e aconchegam bebés tão pequeninos mais facilmente que as toalhas que são enormes (tenho a leve sensação de terem indicado assim nas aulas de preparação para o parto, mas não pusemos em prática com o Gonçalo não sei porquê).
  • Usar compressas para colocar por dentro da roupa quando bolçem e molhem a roupa exterior para impedir que o body interior se molhe. Se o exterior não tiver ficado muito molhado, assim conseguimos impedir que se molhe o interior e que tenhamos que trocar a roupa numa altura em que pode levá-los a bolçar ainda mais.
  • Fazer os biberões de leite para noite toda e colocá-los no frigorífico (tanto quando são biberões de leite adaptado como quando são biberões de leite materno, ficam já feitos, depois é só aquecer).
  • Aquecer os biberões de molho em água quente num recipiente. Saem directamente do frigorífico para o recipiente. Não há cá aquecedores de biberões, nem aquecer debaixo de água a correr, esta é a forma mais rápida. Coloca-se água a ferver num recipiente (nós usamos uma forma de bolos pequena) e fica a aquecer enquanto se troca a fralda).

E as que já sabíamos, mas voltámos a aplicar e têm sido fundamentais:

  • À noite, levar tudo para o quarto para evitar sair do quarto: fraldas, resguardo e toalhitas para caso seja necessário mudar a fralda; biberões, água e leite para preparar biberões e fraldas de pano e babetes.
  • Guardar a água quente num termo para não ter que aguardar que aqueça de todas as vezes.
  • Progressivamente começar a oferecer leite cada vez menos quente para se habituarem a beber o biberão à temperatura ambiente.
  • Ter o saco de muda de fraldas sempre pronto com os essenciais, para quando é necessário sair ser só colocar os biberões e as doses dos leites.

 

Alguém tem mais truques? O lema com gémeos é poupar tempo, aceitam-se sempre dicas!!

 

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Tudo e Nada

Síria

Ontem, abri o Facebook antes de me deitar e no meu feed apareceram as fotos de uma maternidade bombardeada na Síria que tinham sido publicadas num dos muitos grupos de mães do qual faço parte. Jamais esquecerei o que vi. Não consigo ter uma opinião formada sobre a partilha destas imagens tão violentas. Se, por um lado, sou sensível ao argumento de que o choque que provocam é mais eficiente que uma simples notícia e que esse choque convence muitos a agir, por outro é inegável que pouco podemos fazer e que a perturbação que nos causa é escusada. Não sei mesmo o que acho, porque fiquei mesmo transtornada com o que vi e preferia não ter visto, mas sei que foi o motor para, depois de dias a ver notícias horrorosas, tentar fazer algo.

É verdade que não podemos fazer muito. É verdade que muitos de nós mal poupam para os pequenos luxos. Mas, como uma amiga me disse por estes dias num email que apelava à acção, “são para nós pequenos nadas, mas podem ter um impacto maior do que o que pensamos”. Sugiro-vos o que me sugeriu a mim:

1. Fazer um donativo online através da UNICEF. É rápido (podem fazer por cartão de crédito, paypal ou MB), e é mais fácil do que qualquer compra online.

Aqui: http://www.unicef.pt/Crise-Siria_7-anos-conflito/

2. Assinar a petição online da Amnistia Internacional que reclama o fim imediato dos bombardeamentos a Ghuta Oriental. Também é muito simples, é só preciso o n.º do Cartão de Cidadão (que todos sabemos de cor).

Aqui: https://www.amnistia.pt/peticao/fim-imediato-dos-bombardeamentos-a-ghouta-oriental/

E também podem partilhar. A minha amiga fê-lo e chamou a minha atenção. Se eu conseguir chamar a atenção de uma pessoa que seja, já funcionou, e por aí em diante, uma corrente, paying it foward.

Escrevo-vos à beira dos meus dois filhos mais novos. Que não morreram numa maternidade bombardeada. Que não ficaram nos escombros sem vida. Que viram o dia de hoje nascer sem ouvir bombas. Que não perderam membros em explosões que ocorrem por motivos que nem eles nem eu conseguimos compreender. Escrevo-vos para expiar esta minha culpa de privilegiada, esta minha sorte que nem todos têm.

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Tudo e Nada

Fevereiro

Às vezes gostava de falar com a Ana que não tinha tempo para fazer as cadeiras todas na época normal e deixava duas para recurso e dar-lhe um estalo para ver se ela abria a pestana.
Este mês fui ao pediatra com os três no mesmo dia, fui às vacinas dos gémeos, mudei de casa, aceitei um projecto rápido mas que ainda assim deu trabalho, tive uma formação em Lisboa, tudo isto enquanto prestei funções naquele full-time básico de limpar três rabos.
Hoje, para a despedida do mês, fui ao carro buscar as compras que não pude trazer para cima antes porque vinha com o Gonçalo, quando reparei que o detergente se havia aberto no saco e tinha tudo o que era queijo e fruta com Fary porque ah e tal o ambiente, não há sacos de plástico para a malta dividir as coisas do estilo limpeza da casa/comida e mete-se tudo numa promiscuidade pouco dada a vazamentos de detergente. Quando subia, fiquei presa no elevador. Sem telemóvel. Ainda procurei as câmaras, mas, embora às vezes pareça, a minha vida não é uma sitcom.

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Tudo e Nada

Dos dias tristes

Este é o meu tio. Há um ano, ele acordou, levantou-se, fez a vida dele e o azar ia a correr num corredor e esbarrou de frente com o tempo e levou-o para sempre. Este era o meu tio. Assim, a rir, comigo, de mim. Não me lembro exactamente do que ríamos neste momento. Horas depois eu casava com o meu amor, de quem ele sempre gostou e que dizia ser um gajo porreiro. Neste dia, entre os risos, teve tempo de falar a sério, aconselhou-me a ter juízo, não ligar ao que não interessa e confiar nele sempre, “porque no fim de contas és só tu e ele contra o mundo”. Aqui, provavelmente, ele metia-se comigo por parecer crescida de vestido de noiva.

É difícil aceitar que ele não está. Que se carregar em “Titio” no telemóvel para lhe dizer que vou mudar de casa outra vez ele não vai atender e dizer «Outra vez? Foda-se, Ana, tu fazes mais nada?». Ele dizia muitas asneiras, não tinha medo delas, usava-as para rir, como tudo. Também o vi sem rir, claro, a vida não é só cocktails. Mas lembrar-me-ei sempre dele assim, a rir. A fazer(-me) rir. Guardo para sempre a sua maneira de ver a vida. Estamos cá para aproveitar, esta merda não tarda acaba, não és mártir, deixa-te merdas, curte a vida. Marbella? Xiiiii… Marbella! Tens que ir à Nikki Beach. Escreve o que te digo: N-i-k-k-i B-e-a-c-h.

Se existir céu, sei que estás lá à minha espera para mandar vir com a cortina do duche de minha casa em Barcelona.

(sim, eu olho por elas, para sempre)

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