Gémeos Maternidade

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Eu sei que isto é estranho e contraditório vindo de quem tem um blogue e de quem gosta de ser lida, mas debato-me muitas vezes com esta questão da exposição da vida íntima, essencialmente porque a maioria das pessoas acha que sou só o que aqui ponho e não compreende que há muito mais para além disto, das redes sociais, daquilo que digo e que nossa vida tem milhentas dimensões que ninguém conhece. Geralmente passa-me, mas sempre que são temas mais sensíveis demoro um pouco a decidir escrever sobre eles.

Ponderei nem escrever sobre a displasia da Leonor e simplesmente desaparecer de cena até me apetecer. Mas felizmente não o fiz porque choveram dicas, perguntas e histórias de sucesso. E claro, muito amor, doses industriais de força, que se antes de virem pensaria que não servem de nada, quando as recebi ajudaram-me muito a ter força para continuar. Obrigada a todos.

Houve muita coisa que não disse e não tenho aspirações a tornar-me uma bíblia da displasia pois não sei o suficiente, mas pode vir cá parar alguém que acabou de entrar neste mundo e esteja à procura de informações, por isso deixo as seguintes notas:

 

  • A Leonor tem uma sub-luxação da anca direita, o que, segundo a minha compreensão totalmente não científica da coisa, é a variante menos grave da displasia, daí não ser detectável no exame físico. A displasia da anca tem diversas «modalidades» que obviamente necessitam de tratamentos diferenciados (há outro tipo de talas e há bebés que precisam de cirurgia logo). Se precisarem, aconselho a procurarem mais informações na internet com o habitual cuidado que é necessário para verificar fontes (aconselho, por exemplo, este site do International Hip Dysplasia Institute).
  • Existe um grupo de Facebook em português (Bebés com Displasia Congénita da Anca) no qual muitas pessoas partilham a sua história e onde partilham também dicas e truques que podem ajudar alguns.
  • Segundo indicações da médica e do técnico que seguem a Leonor, a tala tem de estar colocada 24h por dia e podemos tirar para o banho 10 minutos 3 vezes por semana. Pelo que percebi, a maioria dos casos é assim, a tala é para estar permanentemente, mas também já li de bebés que podiam estar algum tempo sem a tala. Dependerá, claro, do grau da displasia e do tratamento que o médico prescreve.
  • Foi-nos dito que o tratamento duraria entre 14 a 16 semanas, mas que atendendo à idade da Leonor (este tipo de coisas tem mais sucesso quando diagnosticadas mais cedo) deveríamos contar com as 16 semanas.
  • Os bebés reagem todos de forma diferente e explicaram-nos que a Leonor iria recusar a tala e mostrar o seu desconforto para a tirar. Mais de uma semana depois, ela não mostra sinais de se ter habituado e eu já lhe tirei aquilo mais tempo do que devia porque simplesmente não aguento. É muito difícil, temos de ser fortes e voltar a colocar, aturar o desconforto e esperar que melhore. Muitos me dizem que nos custa mais a nós, que eles se habituam rápido, e com sinceridade eu estou mais que mentalizada e já arranjei soluções para tudo, só preciso que ela pare de lutar contra aquilo e que deixe de chorar por uma ajuda que eu não lhe posso dar.
  • Calças, collants, calções e tudo o que lhe possa de alguma maneira impossibilitar o movimento nas pernas está proibido. Inicialmente isto parece complicado, eu já me habituei completamente à ideia e não vejo problema nenhum. O aparelho tem duas botas com fitas que ligam ao colete e porque acho que não é bom ela ter as fitas em contacto com a pele, por baixo, usamos collants cortados (ficam basicamente duas meias longas). No Inverno, presumo que seja mais difícil de os ver de fralda à mostra, mas sinceramente o calor de ter os collants parece-me pior. Para o frio, tapa-se. Para o calor é difícil ter outra solução. Na parte de cima o ideal é usar algo com gola para que as alças do colete não aleijem no pescoço e com manga curta (coloquei um vestido de cavas e arrependi-me porque o colete entrou em contacto com a pele por baixo dos braços e ela ficou vermelha). Para nós funcionam bodies com gola e vestidos com gola. Custa-me ver toda a roupa gira que a Leonor tinha para o Verão e não vai usar, mas perdi apenas cerca de 10 segundos com esta tristeza, na verdade, não acho nenhum drama. Quando tiver a anca boa tem muito tempo para roupas lindas.
  • Imaginei que mudar a fralda fosse um drama, mas não é, na realidade, depois de habituada, demora-se exactamente o mesmo tempo. Para os cocós até dá mais jeito porque não é preciso segurar-lhe nas pernas para ela não as enfiar na fralda (há sempre coisas positivas).
  • Fomos avisados que há miúdos que começam a comer pior fruto do desconforto. Está a acontecer-nos isso. A Leonor nos primeiros dias vomitava com o choro, ficava de tal forma aflita que mandava tudo cá para fora. Vi a minha vida a andar para trás porque ela foi internada aqui há uns meses com uma bronquiolite precisamente por estar a fazer recusa alimentar… Depois lá começou a aceitar, mas no cômputo geral eu diria que está a comer 3/5 do habitual. Eu consigo colocá-la na cadeira da papa assim, ela fica com as pernas mais dobradas, mas, o conselho do técnico foi que a refeição deveria ser dada como costume, mesmo que a posição não seja a mais correcta, para não perturbar ainda mais a alimentação. A nossa cadeira da papa é a do Ikea, e eu coloco-a mesmo junto à ponta de forma a que as pernas fiquem o mais abertas possível.
  • A posição ideal é deitada de barriga para cima (posição frango assado). Perguntei ao técnico e, desde que não se coloque nada debaixo dos joelhos, não há problema de pôr algo debaixo dos pés. Eu tenho colocado umas almofadas para que não fique com as pernas tão em suspensão, mas sinceramente não noto que ela fique mais confortável, o rezinganço continua.
  • O colo tem de ser dado de frente, com ela de pernas abertas para nós ou de lado, poisada na nossa anca. A ideia é, mais uma vez, promover a abertura das pernas.
  • São fortemente aconselhadas as mochilas ergonómicas. Nós já tínhamos uma (manduca) e desde que ela colocou isto tenho passeado muito com ela lá. Ela adormece e já a tentei poisar depois e ela fica, mas passado dez/vinte minutos, volta a acordar. Claro que posso passar o tempo todo com ela lá, mas eu tenho mais dois filhos e por isso é que não ando mais com ela lá e tento por tudo que ela durma sem mim. Estou certa que se a Leonor fosse filha única seria a nossa grande solução para tudo. Atenção que a mochila tem de ser ergonómica (nem todas são) e os bebés têm de estar virados para nós. Virados para a frente (em babywearing ou ao colo) os bebés tendem a fechar as pernas, pelo que não é uma posição aconselhável. Vejam mais sobre babywearing, se precisarem. ATENÇÃO: O babywearing é óptimo para a displasia da anca, para minimizar os desconfortos do tratamento porque não são necessárias adaptações, pois a sua forma normal já promove esta posição, mas não o substitui. Cuidado com achismos, babywearing não substitui de maneira nenhuma a utilização de aparelhos ortopédicos em bebés diagnosticados com displasia da anca.
  • A bebéconfort tem um serviço de aluguer/empréstimo de uma cadeira específica para bebés com displasia da anca. Vejam mais aqui. Eu estou a tratar disto para ver se levanto a cadeira rapidamente.
  • Quando retirei a tala à Leonor reparei que ela esticava muito a perna esquerda (na qual não tem displasia) e a outra continuava dobrada, em posição de sapinho. Isto manteve-se sempre que tiro e durante o tempo todo. Segundo a ortopedista é normal e não se deve puxar a perninha dobrada.

Passam-nos mil coisas pela cabeça, que isto lhe vai atrasar o desenvolvimento, que ela vai andar torta…. É normal, tudo é normal e não adianta pensar nisso. Isto é preciso, vai funcionar, e vai passar rápido. Não nos estamos sempre a queixar que o tempo passa a voar? É porque passa.

Vão vos dizer, como me disseram a mim «isto não causa dor, causa só desconforto.». Amigos, ninguém fez um questionário a bebés de seis meses no qual eles responderam «Dor dor não é, é só aquele desconforto.». «Não causa dor» é comprimido de relaxamento para os pais. Eu não tomo. Aquilo tem de causar dor. Experimentem estar 24 horas por dia com as pernas alçadas como se estivessem a tentar morenar as virilhas e depois falem-me. Eu prefiro «deve doer-lhes no início, até se habituarem, mas antes esta dor que viver com displasia, antes esta dor que as da pós-cirurgia, antes esta dor, da qual ela não se vai lembrar, do que dor crónica em adulta.». Uma amiga disse-me «isto tem solução» e é isso que me guia. Pior são os problemas para os quais não há solução, este tem. É dolorosa para ela, para nós que a vemos pedir ajuda e não podemos fazer nada, mas tem solução e passa.

Já lhe tirei aquilo para dormir. Não é aconselhável, mas medi tudo e preferi tirar uma noite para todos descansarmos e ganharmos forças para nova luta. Dormimos 8 horas e recomeçámos. Não aconselho, não me aconselharam e os médicos dizem que é contraproducente porque ela pode habituar-se a «ganhar». Eu percebo, e não advogo aquilo que fiz, tenho consciência dos riscos, sei que é um passo atrás, mas às vezes também sei que é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente. De manhã, restabelecidas, recomeçámos. Digo-o porque acho preferível assumirmos do que negarmos um momento de fraqueza. Vou dizer à médica que o fiz (temos de dizer sempre a verdade) embora já saiba que me vai responder que não posso nunca desistir. Eu sei. O sucesso do tratamento depende da persistência, é essencial para evitar métodos invasivos. Eu sei. Mas também tenho alturas em que, ao contrário dos médicos, vejo o panorama geral, de uma casa com mais dois bebés que não dormem com o choro, com um marido que trabalha no Porto e faz duas horas e tal de viagem quase todos os dias, e de um bebé que precisa de comer e dormir para crescer (com a anca direita). Não tenho peso na consciência pelo que fiz, acho genuinamente que foi essencial para nós. Às vezes é preciso pensar nisto assim. Mas não pretendo repetir.

São 16 semanas, e uma já passou. Faltam 15. Vamos a isso, sou tão forte quanto os meus filhos precisam, tenho em mim toda a força do mundo.

(E quando não tenho, afasto-me, choro, grito e volto.).



Mais sobre a displasia da Leonor:

Update Leonor e a displasia

Eu, a Leonor e o checo

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Eu, a Leonor e o checo

Os gémeos são um fenómeno giríssimo, capaz de arrancar suspiros em toda a gente, mas assim que entrei neste mundo soube que são um factor de risco para inúmeras coisas. Nunca valorizei e sempre achei que tudo ia correr bem, sem saber. E tudo correu bem, com uns pequenos percalços, uma prematuridade que não obrigou a mais do que 15 dias na UCIN, os meus meninos passaram pelos pingos da chuva. Mas partilhar o T0 da barriga da mãe obrigou a manobras de acrobacia dignas de filme. O Duarte estava transversal e por isso inspirou mais cuidados quando nasceu para ver se estava tudo bem com ele. Mas afinal foi a Leonor que ficou muito apertada e resultado disso tem dois problemas: displasia da anca e plagiocefalia (coisas que não são exlusivas das gravidezes gemelares, mas para as quais são factor de risco).

 

Da plagiocefalia sabemos desde os 2 meses. Tivemos recentemente uma consulta com um especialista e foi precisamente como preparação para a dita consulta que a semana passada fizemos uma eco às ancas, de rotina. Apesar de no exame físico (feito dezenas de vezes por médicos e pela fisioterapeuta) não se ter detectado nada, na eco lá apareceu, uma displasia da anca. Pouco depois fomos a uma consulta na ortopedia no hospital pediátrico e saímos de lá com o tratamento ditado e aplicado: tala de pavlik. Recebemos as indicações ainda meio sem saber o que nos estava a acontecer: a Leonor tem que a andar com a tala sempre, 24h por dia, com permissão para tirar 10 minutos para o banho 3 vezes por semana. Nos primeiros 3 dias não lhe podíamos tirar nem para tomar banho e tínhamos de aguentar que ela ia refilar, mas, a bem da adaptação, teríamos de ser fortes. Ovo apenas para viagens de carro (porque a segurança está primeiro), nada de espreguiçadeira, de carrinho, tentar que ela esteja sempre deitada de barriga para cima, ou ao colo. Proibidas calças, calções e collants. Andar na rua, sim, ao colo. O técnico que colocou a tala e nos disse isto e comentou que entre o pai e a mãe não teríamos que deixar de fazer nada até lhe dizermos que temos mais dois filhos.

 

O Pedro saiu esse mesmo dia para fora, em trabalho. A antever uma noite má, pedi aos meus pais e sogra para ficarem com os miúdos e fiquei eu, a Leonor e o pavlik (o checo) naquela que foi seguramente das piores noites da minha vida. Ela chorou a noite toda, e não como é habitual,  aquela rabugice suportável de bebé, mas um choro absolutamente desesperado. Adormecia dez minutos ao meu colo e recomeçava. O desespero total. Passar uma noite em branco não é dramático, nem é propriamente novidade para mim, com três bebés, mas aquele tipo de tortura deixou-me de rastos. Na noite seguinte, o mesmo. Na seguinte, ainda sem marido em casa, com os miúdos e a minha mãe em casa para me ajudar, já farta de tudo isto, pu-la a dormir na espreguiçadeira. Ela precisava de descansar e eu também. Funcionou, ela dormiu quase 10 horas seguidas, tal era o cansaço. No terceiro dia tirámos aquilo para o banho e ela riu-se de novo e eu chorei de felicidade. Logo depois tivemos de colocar aquilo e recomeçou o mal-estar.

 

Agora não chora tão desesperadamente como no primeiro e segundo dia, mas não dorme mais de 20 minutos seguidos, está sempre a acordar e a choramingar. É desesperante e muito difícil de suportar quando se tem mais dois filhos para tratar e prazos a cair. Começou a comer pior, deixa sempre metade do biberão.

 

Os gémeos dormiam muito bem. Eu não gosto de publicitar isto, porque sempre que falo eles começam com uma má fase, mas a verdade é que dormiam da meia-noite às seis a maioria das noites, quando não conseguíamos que aguentassem mais. E durante o dia as sestas também eram fáceis, com mais ou menos trabalho, nenhum deles adormecia ao colo e ficavam bem na cama.

 

A alcofa do carrinho deles estava arrumada a um canto e basicamente só quando saíamos à rua é que a usávamos. No meio do caos, fui obrigada a pensar em soluções e só me lembrei de a colocar na alcofa do carro pois sempre a podia abanar. O problema é que ela não cabe lá nesta sua nova forma frango assado. Já estava a ponderar cortar a alcofa (para verem o meu desespero) quando a minha mãe me ajudou a tirar as molas e colocá-la lá com isto aberto.

Já li muito sobre a displasia e só espero que este tratamento funcione, temos medo que não dê certo e que este suplício seja em vão. Espero que a Leonor se adapte, mas já lá vão uns dias e pelo menos eu não me consigo adaptar a esta tortura dela acordar de 20 em 20 minutos e de a ter de adormecer no carrinho ou ao colo.



Mais sobre a displasia da Leonor:

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Update Leonor e a displasia

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Fundamentalismos

Odeio os infindáveis discursos do elogio ao antigamente em que se aplaude a era pré-internet. Eu estou bem assim, obrigada, gosto muito da internet (dependo dela para trabalhar) e adoro ter acesso a informação. Gosto das redes sociais, acho que a minha vida é melhor com elas, e gosto de grupos no Facebook (de mães, profissão, etc.) porque aprende-se sempre alguma coisa e há sempre gente com humor que partilha boas piadas.

Feito o aviso, preciso de dizer que às vezes passo-me da marmita com o que vejo e apetece-me correr tudo à chapada. É o babywearing, a amamentação, o rear-facing, as creches, o baby led weaning, o co-sleeping, o bed-sharing, a última coca-cola do deserto da pediatria/pedagogia/pedopsquiatria levada à loucura.

Não tenho nada contra nenhuma das coisas que enumerei, se lês para me pores numa cruz vai lá dar uma volta ao bilhar grande que eu não advogo nada contra. Mas como não sou entendida em nenhuma, também não tenho nada a favor que não a minha experiência. Mas irrita-me a maneira como especialistas com conhecimento adquirido no Facebook defendem e tentam impingir o extremo da sua estratégia (que muitas coisas, por mais termos em inglês que tenham, não passam disso) aos outros.

Irrita-me ver gente a criticar pessoas que andam com os filhos no carrinho porque não são iluminados e não carregam em babywearing porque colo é amor (mas tem regras, que tudo tem regras e tem que ser daquela maneira). E se quiserem dar alimentos crus aos vossos bebé bem como sopa, saibam que isso não é baby led weaning de verdade, é finger food e não é nada, para isso não vale a pena sequer tentar. E dar de mamar é renegar fórmula, cuspir-lhe em cima, porque mãe que é mãe dá mama, até querer, e sem mamilos de silicone que isso é o demo e nunca vão mamar direito com essas coisas. E dormir na cama dos pais é que é, se não gostas é porque és capaz de ouvir os teus filhos chorarem e és pior que bruxa. Não defendo nada nem sua coisa distinta e não acho que isto das pedagogias, filosofias, métodos e estratégias sejam simples, estanques e eficazes. Tenho três filhos e dois são gémeos e já fiz quase tudo com todos e a sua coisa distinta.

Eu não quero saber de equipas, odeio extremismos e categorias. Leio imensos livros, artigos na Internet e converso com outras mães tanto quando posso. Pego aqui, ali, junto tudo e deixo que o sono e o cansaço façam o resto. Co-sleeping? Tem dias. Treino do sono? Tem coisas (e não é deixar chorar e torturar). Baby led weaning? Sim, mas com sopa que toda a gente come sopa cá em casa e não vou abdicar disso se conseguir. Babywearing? Quando dá, mas o carrinho não me dá cabo das cruzes. Amamentei o Gonçalo até aos 6 meses, metade do tempo com mamilos de silicone e não consegui amamentar os gémeos e dou-lhes leite adaptado. O Gonçalo dormiu até aos 9 meses no nosso quarto, até aos 3 na nossa cama e os gémeos desde os 5 meses e meio que foram para o quarto deles e contam-se pelos dedos das mãos as noites que dormiram na nossa cama. Se por ter amamentado acho que toda a gente tem que amamentar? Não. Lamento, mas não funciona para todos. Tive imenso leite dos gémeos e não funcionou para nós. E não, não foi falta de informação. Do Gonçalo funcionou lindamente e adorei.

Isto para dizer: nada é igual para toda a gente porque nem para as mesmas pessoas as coisas são iguais. Por isso PAREM DE IMPINGIR AS VOSSAS ESCOLHAS A OUTROS. Todas as filosofias, todas, viram religião. Aposto que os defensores da parentalidade positiva não tinham em mente ter os seus defensores a discutir por esse Facebook fora para evangelizar outros. A parentalidade positiva deve fazer um bem incrível às crianças, mas aos adultos às vezes duvido pela agressividade com que vejo alguns a defenderem-na. A leviandade com se ataca pessoas que não defendem o mesmo que nós por esse motivo apenas deixa-me nervosa. Se alguém ousar dizer que não gosta de co-sleeping arrisca-se a ter que ouvir que é uma pessoa detestável. E a maioria das vezes não são ataques assumidos, são aquele passivo-agressivo digno de telenovela “eu prefiro que o meu filho durma comigo do que ouvi-lo chorar para dormir sozinho, acho uma crueldade” quando a pessoa nem sequer disse que é isso que faz. E isto vale para todos os lados, todas as posições sobre qualquer coisa têm só dois lados diametralmente opostos e defender uma coisa é renegar a outra para sempre.

E parem de achar que as coisas que vêem na rua são a única realidade daquelas pessoas. “Ai eu vejo pais que fazem as vontades todas aos miúdos, eles choram e eles dão, eles pedem e eles vão”. Antes demais, aprendamos a discutir. Quem disse que isto é parentalidade positiva? E quem disse que quem não deixa dormir na cama, não dá colo? E depois, quem somos na rua? Quem vos diz qual é a nossa realidade? Eu na rua sou das mais permissivas mães que existem. Tenho uma hiper-sensibilidade a incomodar os outros e odeio ver birras, portanto se estivermos em público e houver birras eu vou tentar terminá-la da forma mais rápida e eficaz. E sim, isso significa que a maioria das vezes cedo.

Eu já vi nestes grupos mães a indicarem que determinada coisa foi indicação do pediatra e outras mães, aparentemente sem formação na matéria, apenas munidas da sua experiência, a indicar que os pediatras deviam tirar o curso de novo, que os médicos de hoje não sabem nada. Acho isto um exagero perigoso. Não é preciso justificarmos as nossas decisões com uma evangelização extrema daquilo decidimos para nós. Porque não explicar como foi a nossa experiência, dizer que os médicos têm formações distintas e escolas de saber que às vezes são diferentes e aconselhar a procurar uma segunda opinião indicando artigos credíveis ou livros sobre a matéria para a pessoa, querendo, obter mais informação?

O que mais me irrita é a incapacidade de ver outros pontos de vista, de reconhecer validade a experiências diferentes e promover diálogos e não simplesmente elogios a determinada maneira.

E o argumento do amor deixa-me louca, acho uma manipulação tremenda. Vejo defender que maminha é amor, colinho é amor, carregar é amor como se fosse o contrário não fosse. Deixar dormir no berço também é amor, dar biberão também é amor e andar no carrinho também é amor. Tudo o que seja cuidar é amor e quem sabe o que é cuidar da melhor maneira são os pais, daquele bebé em específico, naquele momento em específico.

Não gosto de impingir nada e menos que me impinjam. Falemos todas do que funcionou connosco, naquele momento, naquele filho. Aconselhemo-nos, sugiramos coisas que isso sim é que é a maravilha das redes sociais, a capacidade de partilhar experiências com estranhos de forma rápida. Mas paremos com a catequização, como se fossemos só uma coisa sem poder ser um pouco de todas. Eu sou pela maminha, pelo biberão, pela cama dos pais, pela cama dos filhos, pelo quarto dos pais, pelo quarto deles, pelo adormecer ao colo, pelo adormecerem sozinhos, pelos white noises, pelo embalar no carrinho, pelo babywearing, pelos castigos, pelos limites, pelos exemplos, pelo apego, pelos abraços, pelo arregalar de olhos. Eu sou por tudo e por nada, pelo todo e pela parte, pelo nunca e sempre. E a maioria das vezes, francamente, sou pelo que funciona. Pedagogia? A que dá.

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Love is all you need Tudo e Nada

Depois dos três, os trinta

Eis que chegaram os trinta. De mansinho, com anúncios suaves nas cruzes, chegaram para ficar. Gosto de números redondos, ligo a estas datas porque gosto sempre de parar e pensar como foi o ano e o que quero para o seguinte. Ficaram algumas coisas por fazer (tinha prometido entregar a dissertação do Mestrado em Tradução até aos 30, mas com tanta criança foi impossível) e fiz mais do que alguma vez imaginei. Apesar de gostar de traçar objectivos, sei que são flexíveis, moldáveis, que a vida tem vida própria e não me preocupo quando a minha vida não tem nada que ver com o que eu achava que ia ser há dez anos.

 

Gosto de fazer anos e de comemorar por isso fiz questão de comemorar. Na verdade, ansiava por uma saída à noite com jantar à maneira com amigos porque além de não ser frequente nos dias de hoje, nos últimos três anos as comemorações foram sempre moderadas: no meu aniversário há três anos estava grávida (de um bebé que acabei por perder), há dois anos estava grávida do Gonçalo, e há um ano grávida dos gémeos (embora ainda não soubesse que eram dois).

 

No dia do aniversário, estive em família e depois fui passar a noite à Quinta das Lágrimas, a gozar uma prenda fabulosa que me ofereceram.

 

Recebi imensas coisas que amei, família e amigos mimaram-me até mais não.

 

A minha irmã começou o dia por fazer uma surpresa maravilhosa: preparou o pequeno-almoço. Acordei e era este o cenário cá em casa:

O Gonçalo delirou. Ovos mexidos de manhã? Uepa!

 

 

No sábado fomos jantar ao Sapientia Boutique Hotel e depois fomos à famosa festa Revenge of the 90’s. Foi uma noite gira, gostei mesmo muito.

O bolo? Como sempre a minha irmã superou-se e fez esta obra de arte que além de bonito estava delicioso:

 

Obrigada a todos que tornaram o meu aniversário tão bom e que durantes estes trinta anos estiveram sempre ao meu lado. Tenho muitos planos para os próximos trinta.

Para responder às várias pessoas que brincando me perguntaram se planeava ter quatro antes dos quarenta: não. Filhos ficamos por aqui. Mas tenho muito que fazer e o desafio enorme de os ver e fazer crescer.

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Love is all you need Tudo e Nada

01.06

Hoje fazemos 5 anos de casados e 11 de namoro. A semana passada falámos em divórcio. Já viste, tínhamos guarda partilhada, tu uma semana, eu outra! Sim, passávamos uma semana de cão com eles sozinhos, mas depois a outra… Ver séries à noite, filmes, ir ao cinema… Mas depois as nossas séries, tinha que ver sem ti? E jantar, pedia pizza para um? Falámos de divórcio mas esquecemo-nos que tínhamos que estar separados. Separados não, sempre juntos.

Passar da sintonia de 2 a pais de 3 em 2 anos, não é fácil. Precisamos de férias. Deles, não um do outro. Não imaginava fazer isto tudo sozinha, nem com outra pessoa. Nós, sempre juntos. Não sou a miúda com quem começou a namorar, nem a mulher com quem casou. Às vezes sou só cansaço, sou só sono. E refilo, e respondo mal, e queixo-me, mas estamos sempre juntos, ele sempre ao meu lado, nunca contra mim.

Desde que fomos passar o fim-de-semana fora que não dormimos uma noite inteira juntos. Umas horas com os gémeos, um vai ao Gonçalo, o outro aos gémeos, e ora troca, e agora tu, agora deixa vou lá eu, e passam-se dias e semanas em que falamos de uma divisão para a outra e comentamos coisas com trinta interrupções. Mas ele abraça-me quando nos encontramos na cama e faz-me ter ataques de riso quando preparamos os biberões do gémeos à noite. Costumam elogiar-me o sentido de humor para lidar com este caos, mas não sabem que isso é uma cena nossa. Antes de ser um blogue, é uma conversa de whatsapp em que mandamos vir com a vida e nos rimos das nossas tretas ou simplesmente provocamos uma oportunidade de pôr aquele GIF. Não há dia nenhum desde que estamos juntos em que não me tenha feito rir, mesmo os em que me fez chorar, quase sempre me fez rir, até as nossas discussões têm piadas. Há piadas só nossas porque só nós as percebemos e outras que são só nossas porque se forem do mundo temos a CPCJ amanhã de manhã à porta.

Há 11 anos, quando o conheci na queima das fitas, levava o grão na asa e arrastei-a para ele, mas não fazia ideia de que ele seria o pai dos meus três filhos. Tão-pouco agora sei se daqui a outros 11 estaremos juntos. Ninguém sabe. Mas suspeito que sim. Sempre juntos.

O ano passado fizemos 10 anos de namoro. Fiz-lhe uma surpresa que envolveu andar pela cidade a apanhar cartas que lhe escrevi e deixei em locais que nos faziam sentido. Ele disse-me que achava que última ia terminar com «e agora vamos ser quatro». Eu ri-me e disse-lhe que no dia seguinte compraríamos um teste de gravidez para ele parar de dizer que eu estava grávida. Tinha-lhe escrito «ainda agora começámos», mas não fazia ideia de que sim estava grávida e que o teste que comprámos foi das poucas vezes que não tinha razão. Não sabia que íamos ser mais, nem sabia que nunca chegaríamos a ser quatro, que 5 era afinal o nosso número. Hoje fazemos 5 anos de casados. Venham mais 5, a 5, mas sempre a dois, juntos. Ainda agora começámos.

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Eu, Coimbrinha, me confesso

Brunchando por Coimbra

Cá em casa somos fãs de Brunch. Quando vivíamos no Porto adorávamos brunchar ao domingo, bem tarde! Agora somos pais de família e vamos ao brunch logo no início. Tem vantagens: ainda há de tudo, não há mesas ratadas, e como não estamos de ressaca comemos tudo com outro gosto! ahahah

Quando voltámos para Coimbra apaixonámo-nos pelo brunch maravilhoso da Cafetaria do Museu da Ciência. Fomos lá muitas vezes. Infelizmente há uns meses a Cafetaria fechou e deixa muitas saudades…

Há umas semanas a minha irmã falou-me do brunch no Hotel Vila Galé e acabámos com o nosso luto e fomos lá espreitar.

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Coisas que irritam Tudo e Nada

Prioridades

Acho que mudei um pouco aquilo que achava sobre prioridades. Antes de engravidar achava que o mundo era um pouco mais sensível do que é — talvez porque eu e aqueles que me são próximos são — e era da opinião que o tema prioridades era uma questão de bom senso. Depois de engravidar apercebi-me que o bom senso que eu imaginava que existia, escasseia. Durante muito tempo não pedi para ter prioridade, não me sentia bem e na verdade, não necessitei. Da gravidez do Gonçalo devo ter utilizado a prioridade enquanto grávida umas duas vezes na farmácia e mesmo no final da gestação. Depois de o Gonçalo nascer também usei a prioridade umas quantas vezes quando tive que estar na fila com ele na segurança social, nos correios, etc… Ainda tive algumas chatices, funcionários antipáticos e sem vontade de reconhecer a prioridade e pessoas que não gostavam que eu tivesse prioridade que me chegaram a dizer «eu também tenho um filho, está na escola e tenho que o ir buscar!». Não discuti, não me irritei e confesso que até senti vergonha de pedir. Não sei bem porquê, de facto uma grávida não deve esperar o mesmo que os outros, por melhor que seja a gravidez, não é confortável. E um bebé até dois anos é impossível de aturar numa fila, eu não levo os meus porque dá jeito, levo-os porque tem mesmo que ser, por isso também percebo que se facilite a vida às pessoas. Já sei que há quem se tente aproveitar, mas duvido que alguém deixe de levar os miúdos para a escola para ir para a fila da loja do cidadão. É cortesia. Ou devia ser. Na verdade teve que passar a ser lei para se efectivar.

Na gravidez dos gémeos a coisa ficou diferente. Desde cedo que fiquei com uma grande barriga, desde cedo que me custava estar em pé e no último mês custava-me tudo. Nessa altura pensei: a prioridade existe, é um direito que me assiste, não vou tentar explicá-lo ou justificá-lo a quem não quer compreender. Vou usar do meu direito com educação.

 

Finanças. 15h30 da tarde. Eu grávida de gémeos de 32 semanas. Retiro a senha B32 e verifico que vai na B28. Não existem senhas prioritárias. Um cartaz informa que aqueles que têm direito à senha prioritária devem retirar a sua senha normalmente e dirigir-se ao balcão que está a atender essas senhas e solicitar o atendimento com prioridade. Foi o que fiz. A funcionária, com poucos modos, disse-me para aguardar na zona de espera (zona onde não existiam lugares sentados livres e onde ninguém se levantou para me dar o lugar, por sinal) que já me chamava.

Passado pouco tempo anunciou para a zona de espera:

«A senhora que solicitou prioridade, quem é?»

Eu identifiquei-me e avancei. Nisto, uma senhora passou-me à frente, indicou que também tinha prioridade e não sabia que era necessário pedir. A funcionária barafustou algo, eu disse que se existia alguém com prioridade à minha frente, claro que essa pessoa devia ser atendida, e cedi a passagem, indo-me sentar no lugar da senhora que se levantara. A senhora dirigiu-se ao balcão, mostrou um atestado e a funcionária, de forma muito mal-educada e bastante alto, informou-a «que isto não é assim», «atestado multiusos muitos têm», «isso não dá direito a prioridade».

E aos berros, perguntou-me:

«E a senhora, tem prioridade porquê?».

Incrédula, ri-me.

«Olhe, agradeço que pergunte, mas acho que se vê bem: estou grávida…».

«Ai e gravidez é prioridade? Não pode esperar sentada?»

Não sei como é que mantive calma. Senti-me meio humilhada. A funcionária tentou diminuir-me à frente de todos para não me dar prioridade, como que a dizer-me que eu não podia esperar porque era parva.

«Não, não posso». Aproximei-me dela, para não lhe gritar, com o respeito que não teve para comigo, e expliquei que tinha a certeza que tinha direito a ter prioridade por estar grávida e que não era eu que achava, era a lei. Das duas uma: ou me concedia prioridade, ou teria que escrever no livro de reclamações. Não vacilei. Embora tivesse ficado nervosa, fiquei irritada pela maneira como me tratou e deixei claro que sabia que tinha prioridade e não ia desistir.

A funcionária chamou a Directora de Serviço, que, antes de tudo, lhe pediu para ela falar baixo, demonstrado desde logo ter mais educação. Depois explicou-me o que eu tinha que fazer para ter direito a ter prioridade, como se EU estivesse a errar. Eu expliquei-lhe que foi assim que procedi, a funcionária é que entendia que eu não tinha direito a ter prioridade. Então a Directora indicou-lhe que eu estava «notoriamente grávida» e que tinha que ser atendida.

Dirigi-me para a cadeira do balcão da grandessíssima vaca que me atendeu munida da minha viola invisível para ela pôr no saco e não tirei um sorrisinho sarcástico da cara o tempo todo.

 

Mas depois de sair pus-me a pensar e achei toda a cena tão escusada. Tão triste. Não nego que o facto de ter aparecido uma senhora que, de facto, não tinha direito a prioridade possa ter baralhado a funcionária, mas a senhora não foi mal-educada, só tinha que ser informada. A funcionária é que foi mal-educada com a senhora e comigo, tentando ridicularizar o exercício de um direito que me assiste. Talvez se eu não conhecesse a lei tão bem, e se não tivesse algum à vontade com leis porque as estudei, me deixasse intimidar e me sujeitasse a esperar numa sala de espera que se tinha tornado hostil. Ninguém gosta de esperar. Nem todos têm o bom senso de perceber que algumas pessoas têm direito a ser atendidas antes e ficam rancorosas. Se a hostilização surgir das pessoas que trabalham nos sítios pior é!

 

Já me cederam a vez várias vezes e quando posso esperar, quando os bebés estão a dormir ou quando estava grávida e não estava especialmente cansada, explicava que podia esperar e deixava-me estar na fila. Também me aconteceu pedir para ser atendida antes e a senhora que estava à minha frente dizer-me «desculpe, eu sei que tem prioridade, mas eu só quero uma coisa rápida e tenho o carro mal estacionado, importa-se?» e eu disse que não, esperei mais 1 minuto se tanto e a senhora foi atendida e saiu a voar. Com educação, toda a gente se entende. Eu pelo menos tento que assim seja. Mesmo quando tiro senha prioritária e passo à frente sem ter que pedir, tento ser rápida e agradeço às pessoas que me cedem a passagem. As Finanças não são um sítio onde se espere pouco tempo, eu estava exausta, tinha andando a tratar do Gonçalo de manhã e começava a sentir algumas contracções naquela altura e tinha pedido boleia à minha mãe porque já não me sentia confortável a conduzir, por isso não queria esperar, e tinha que ser eu a tratar daquele assunto. Podia esperar? Claro que podia. Não há dúvidas sobre isso. Podia esperar, não estava em trabalho de parto, nem tinha instruções para estar de repouso absoluto. Eles acabaram por nascer prematuros e só eu sei como me culpo por não ter abrandado mais um pouco no final, mas sim, naquele dia podia ter esperado. É delicado? É cortês? É digno de uma sociedade civilizada? Não acho.

 

Dias depois da cena das Finanças fui à Primark comprar coisas para a mala de maternidade. A fila estava a andar bastante rápido e tinha pouco mais que três pessoas porque fui a uma hora mais calma. Meti-me na fila normal e nem esperei. A funcionária atendeu-me e enquanto passava as coisas na caixa registadora disse-me «A senhora tem prioridade, não tem que esperar na fila. Para a próxima dirija-se à caixa n.º 1 que é imediatamente atendida».

 

Lembrei-me logo da outra cena. Folgo em saber que uma entidade privada trata a lei e os cidadãos com mais respeito que um organismo público.

 

Tenho este texto escrito há imenso tempo e vim agora editá-lo e publicá-lo porque tenho visto imensas pessoas com dúvidas sobre a lei em grupos de mães e lembrei-me.

Aproveito para deixar estas notas sobre a lei sobre o atendimento prioritário (Decreto-Lei n.º 58/2016, de 29 de Agosto):

  • Todas as entidades públicas e privadas devem prestar atendimento prioritário a determinadas pessoas.
  • Essas pessoas são:
    • Pessoas com deficiência ou incapacidade;
    • Pessoas idosas (com idade igual ou superior a 65 anos e que apresente evidente alteração ou limitação das funções físicas ou mentais);
    • Grávidas; e
    • Pessoas acompanhadas de crianças de colo (aquela que se faça acompanhar de criança até aos dois anos de idade).

A pessoa com direito a atendimento prioritário que o veja negado deve chamar a polícia.

Sobre a prioridade a crianças de colo, notem que a lei não diz crianças «ao colo», diz «de colo». É um conceito que se preenche com a idade da criança e não com a forma como a trazemos. Não há necessidade de pegar na criança só porque se fala em colo, por favor! Se disserem isso, estão errados. E não tem que ser a mãe.

Se quiserem saber mais procurem aqui e aqui.

Conheçam os vossos direitos, e vamos todos tentar que a lei seja cada vez menos necessária e tudo funcione com naturalidade. Para isso é preciso não esquecer que a lei concede um direito geral, indiscriminado, porque não há como adaptar a situações em específico. A ideia é proteger aqueles que precisam de protecção. Como sempre é susceptível de abusos. Nunca vi, mas oiço falar de pessoas que vão com os filhos só para passarem à frente, que são mal educadas e agem como se fosse tudo delas. É verdade que a lei concede o direito de atendimento prioritário, mas não é menos verdade que as pessoas à frente de quem se passa também têm direito a ser atendidas e estão a ceder a passagem porque se encontram em melhores condições de esperar. Isto significa duas coisas: que não as devemos maltratar para exercer o nosso direito e que o devemos exercer sempre que sintamos que efectivamente não estamos nas mesmas condições para esperar.

Be kind and amazing things will happen.

 

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Maternidade

Dia da Mãe

Hoje foi um bom domingo. O Porto acordou campeão!

Também comemorámos o dia da mãe, em família.

 

Este foi o meu segundo dia da mãe. Há um ano, comemorava o primeiro, mãe do Gonçalo e crente que nunca viria a amar alguém como a ele. Já estava grávida dos gémeos, mas não sabia. Como também não sabia que sim, era possível amar alguém como se ama o primeiro filho. Hoje tenho três, e eles fazem de mim a melhor mãe do mundo. Não se afrontem com a falta de modéstia, duvido disto todos os dias. Mas pensei: faço o que posso, dou-lhes tudo o que sei e tento aprender a ser melhor todos os dias, porque raio é que não me hei de sentir o melhor que eles podem ter? Cansei da culpa, cansei do drama, cansei! Ser mãe é fixe. Às vezes apetece-me pegar no meu livro e ir à minha vida, mas nunca fui, por isso acho que estamos orientados.

Gonçalo, Leonor e Duarte, a minha prole, os meus amores, a minha vida. Não são tudo, sou muito mais que mãe, mas são a minha melhor parte, a minha obra-prima.

Aqui com a minha mãe, a minha heroína. Muito do que sou, sou da minha mãe (também sou muito pai e tenho também muito das outras pessoas da minha vida). Da minha mãe, entre muitas coisas, herdei os ares, o gosto pelo cinema, pelas línguas e pela tradução. Herdei ou aprendi, que talvez os ares seja a única coisa que herdamos, o resto assimilamos. Gosto da forma desprendida como ela nos educou e, hoje, mãe, reconheço-a em muitas coisas que digo e faço e não consigo evitar rir-me. Adoro a forma como deixa que gozemos com ela, foi com ela que aprendi a brincar comigo antes de brincar com os outros, e isso não tem preço (e dá-nos uma casca grossa difícil de quebrar). A minha mãe é a minha mãe e por isso é a melhor. Lamento muito que a minha mãe não tenha podido ter a mãe a vê-la tornar-se mãe, porque eu adoro ter a minha como assistente neste filme.

Apresento-vos a minha mãe:

Prendas?

No dia do Pai propus ao Pedro instituirmos uma tradição de dia do Pai e dia da Mãe: trocarmos livros (para lermos com eles) e fazermos uma doação a uma instituição que ajudasse crianças, mães e pais que não têm a nossa sorte. É uma tentativa de diminuir o consumismo (de que padecemos muito e para o qual já temos as outras datas, como os nossos aniversários), de incutirmos o prazer de comprar e receber livros e sobretudo de reenquadrarmos os nossos dramas lembrando-nos dos menos afortunados. Ah e claro, também é uma forma de simplificar a nossa vida e não perder tempo a pensar em prendas! 🙂

Recebi este livro delicioso que comprámos na Livraria Faz de Conto

e o Pedro contribuiu em meu nome para a Agência da ONU para os Refugiados (mais especificamente para a crise dos refugiados Rohingya – sabiam que o Bangladesh tem um dos maiores campos de refugiados do mundo e que desde Agosto de 2017 acolheu mais de 671 000 pessoas das quais quase 390 000 são crianças?)

Um brinde a todas as mães e força para todas aquelas para quem a luta para dar o melhor aos filhos é dura!

 

 

 

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Séries

Eu até tenho tempo livre e vejo séries

Adoro séries, há anos que vejo um monte delas. Uma das coisas que vou tentando é ver uns episódios enquanto trato deles… Estou meio distraída, vou fazendo coisas, mas dá.

À noite, depois de pormos todos na cama, tentamos ver um episódio de algo. Antigamente com a noite era só para nós e não a tínhamos que dividir com putos, víamos vários episódios, hoje as noites só dão para um episódio, mas aproveitamos bem esse momento. E somos muito muito cumpridores nas séries que vemos em casal: não podemos trair, só podemos ver juntos. A única vez que me lembro de trair foi na maternidade quando fiquei internada horas antes dos gémeos nascerem a achar que eles só nasceriam daí a dias, em que pedi ao Pedro para me deixar ver um episódio de The Punisher e, bom, vi 20 minutos  e depois entrei em trabalho de parto…

La casa de papel

Vimos nós e o mundo inteiro.

Acho que é uma das sensações de 2018. A série é espanhola e retrata um assalto inteligente e audacioso à Fábrica de Moeda e Timbre de Espanha.

Ficámos com o último episódio pendente enquanto a Leonor esteve internada. Quando voltámos para casa estávamos de rastos mas fizemos o esforço para o ver para terminar a série. Confesso que fiquei um pouco desiludida com o final, gostava de ter sabido mais coisas. No dia seguinte, foi anunciada a 3.ª temporada. Se por um lado gostei porque assim pode ser que respondam ao que quero, por outro acho que é esticar demais e tornar um pouco telenovela (que na verdade já foi um pouco). Ainda assim, aconselho a quem não viu porque é muito gira.

Adorei a señorita Nairobi 💓

 

The good fight

The Good Fight é o spin off da The Good Wife (que vi religiosamente e adorei). The Good Fight herdou algumas personagens da série mãe e focou-se mais nas histórias de cada episódio do que na história geral da série. A segunda temporada está ainda mais interessante que a primeira. Acompanha a vida de uma sociedade de advogados de Chicago e tem sempre histórias muito actuais e inteligentes. Esta temporada está muito focada numa crítica ao Trump, com muito humor e muita perspicácia. Estou fã.

 

The letdown (maternidade e desapontamento)

A minha Netflix sugeriu-me isto há uma semana e já voaram todos. A premissa é básica: acompanhar a vida de Audrey, uma recém-mamã que lida com todas as frustrações e desesperos típicos do pós-parto.  Às vezes é demasiado realista para quem está de licença de maternidade…. Há cenas que se passaram cá em casa de forma praticamente igual. É divertida e sabe bem ver uma séria sem filtros hollywoodescos.

De resto, adoro especiais de comédia (na Netflix está O meu próximo Convidado Dispensa Apresentações do Letterman, por exemplo, mas também há outros bons) e Late Shows norte-americanos (Seth Meyers, John Oliver e Stephen Coldbert) que ponho a dar no YouTube sempre que tenho um tempinho livre ou estou ocupada nas lides domésticas.

Agora vou começar a ver The Handmaid’s Tale da qual já me falaram muito bem e a 2.ª temporada de 13 Reasons Why que estreia 18 de Maio na Netflix. O que me aconselham mais?

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Maternidade Tudo e Nada

Loucas são as noites que passo sem dormir*

Sabem aquelas pessoas que dizem que só precisam de dormir 4 horas e conseguem trabalhar? Ou que dizem que podem andar dias a fio sem dormir bem e recuperar tudo no fim-de-semana? Ou que não gostam de dormir muito? Ou que acham que as manhãs são para se começar cedo e com trabalho? Eu NÃO sou assim. De todo. Eu gosto de dormir. Eu gosto de dormir muito. Pior, eu preciso de dormir muito. Tiram-me horas de sono e eu só faço porcaria. Fico com uma memória terrível. Fico sem vocabulário, pareço o Trump a falar. Fico triste, deprimida. Nada para mim é tão exigente na maternidade como ter que funcionar (e às vezes agir rápido) com sono. Eu preciso de para cima de 10 despertadores para tirar o rabo da cama. Eu não sou pessoa de ouvir um choro e ter logo forças para me levantar e ir lá socorrer/acalmar/colocar chucha/alimentar. Não sou. Mas não tenho hipótese.

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