Maternidade

Pais, a amamentação também é para vocês

Diz que é o mês ou a semana do aleitamento materno. Não vou falar da amamentação em específico, há por aí muitas pessoas a falar isso, sobre como não desistir, etc., por isso quem quiser é procurar. Hei-de falar de amamentar gémeos que foi algo que me fez espécie desde que soube que estava grávida deles e que connosco não funcionou, mas fica para outra altura.

Falo-vos antes do papel do pai na amamentação. Como também o é num pós-parto de paz, para mim, o pai pode ser essencial na amamentação bem sucedida.

Vamos então à hora do bitaite. Coisas que acho que os pais podem fazer que ajudam e muito:

– Ajudem a decidir

Para mim, a amamentação é uma decisão, não é obrigação e é da mulher e apenas da mulher dado que é ela que vai sofrer as consequências físicas. Mas o processo decisório pode e deve ser conjunto. Apoiem, procurem informações e ajudem a decidir. Respeitem a decisão, qualquer que seja, mesmo que seja contrária à vossa.

– Interessem-se

Muitos pensam, «ela é que dá de mamar, é coisa de mulher, não quero saber» ou, talvez até mais comum, «mamas para mim é para brincar por isso enquanto estiverem fechadas para balanço é um não assunto». Isto pode criar logo uma clivagem entre o casal que não é recomendável numa altura em que se está em privação de sono. Depois de decidir dar de mamar eu cá acho que é bom procurar uma série de informações para não ir completamente em branco porque depois se surgirem dificuldades, e surgem tantas vezes, é mais fácil saber o que fazer. Por isso, participem também nesta saga e informem-se em conjunto, falem sobre isso. Saibam o que é livre demanda, o que são picos de crescimento, quais as dificuldades que podem existir no início, o que são mastites, a quem se pode pedir ajuda, tudo. Não deixem de ouvir quando a mulher fala de máquinas de extracção, quando partilha os planos para fazer armazenamento de leite para quando for trabalhar, o que for. As mamas são dela, mas o puto é dos dois e se é algo que beneficia o puto também beneficia o pai por isso ter interesse é bom e não custa assim tanto.

– Partilhem mesmo quando achem que não dá para partilhar

Se a mulher é que dá de mamar como pode o homem ajudar? Pode pegar na criatura e pô-la a mamar, por exemplo, para deixar a mãe dormir. Quando estão em casa pode trocar as fraldas todas. Pode oferecer-se para a deixar dormir no quarto e ir com o bebé para a sala ou outro quarto até à mamada seguinte, quando a mãe está a ficar sem forças. Pode oferecer-se para ficar totalmente responsável pelo bebé uma noite ou dia se a mãe conseguir extrair leite. Pode não sobrecarregar a mãe com mais nada e fazer a parte dos dois da lida da casa, se conseguir, ou pedir a alguém que o faça. Pode fazer tanto. Imaginem que eram operados e estavam em convalescença em casa, que ajuda gostavam de ter? Pronto, nas alturas de maior drama ou pelo menos no primeiro mês, é isso que podem fazer.

– Cuidado com o que dizem

Não se anda num campo de minas a correr, pois não? Então se não querem ficar sem uma falangeta não digam a uma mãe que quer muito dar de mamar e que gostava de não dar leite adaptado que se calhar o leite dela é fraco e o vosso amigo do café deu um biberão de leite adaptado ao filho dele e ele calou-se. Não digam nada de que não tenham a certeza, não transmitam bitaites sem fundamento e escolham a forma adequada para falar disso a uma mulher que tem uma tonelada de hormonas à bulha dentro dela e acha sempre que está a fazer tudo mal e por isso está muito sensível.

– Promovam o riso para descomprimir

Eu sei que vocês nunca se imaginaram a ajudar a vossa mulher a colocar uma máquina que a faz parecer uma vaca leiteira a funcionar, mas nem ela. Rir é a solução. Brinquem, façam piadas. Eu continuo sempre a achar piada à quantidade de vezes que passámos a dizer mamada com um carácter absolutamente assexuado. Never gets old.

– Abordem a questão de dar de mamar em público

Tentem perceber se a mãe se sente à vontade de dar de mamar em público ou não e ajudem a facilitar a logística. Se tiverem visitas e a mãe quiser privacidade convidem as pessoas a ir beber um café à cozinha e dêem-lhe paz, se estiverem na rua, tentem perceber se há um sítio para a mulher dar de mamar mais resguardada, sei lá, sejam proactivos, não façam àquela cara de «e agora?» que não ajuda ninguém. Se a mãe não se importa de estar em público, não fiquem vocês constrangidos. São só mamas, achar mal ver uma mama a alimentar um bebé é uma coisa meio «eu sou um animal e não me controlo» e não é evoluído da vossa parte.

– Festejem

Há uma felicidade algo animal em ver um puto crescer com o nosso leite. Festejem com a mulher depois de irem ao médico ou à pesagem. Qualquer coisa como «Eu sei que não é sempre fácil, mas já viste como ele está crescido e forte? Que bom que estás a conseguir.». Eu acabei de ler isto e pensei imediatamente que isto parece uma tirada do Gustavo Santos e sinto-me mesmo uma parola. Esta dica tem assim uma ponta de carência e fraqueza, mas o pós-parto deita uma gaja abaixo, até as mais duras. Uma vez fomos a uma consulta e o pediatra dos putos disse-me: «Que força, Ana. Que mãe incrível que está a ser.» E eu chorei. Às vezes uma boa lamechice faz falta.

– Juntos vencem o mundo

É certo e sabido que há sempre gente, às vezes até da família, que sabe qual é a solução para amamentação e quer por tudo ou que deixem de dar de mamar ou que o façam de outra forma. Às vezes quando é com a família do pai as mães sentem-se completamente sozinhas e sem poder de resposta. Criem uma frente unida. Não é preciso criar discussões, mas lembrem as pessoas que vos estão a chatear que vocês estão a ser seguidos por profissionais e que o resto é decisão vossa. Se a mãe não for a única a ter que responder a bitaites e se sentir que estão do lado dela vai sentir-se muito melhor. Não deixem que discussões sobre o que «a tua tia-avó que nem nos conhece acha sobre as minhas mamas» vos façam perder tempo que podem passar em paz e a descansar.

 

 

Isto é obviamente o que eu acho. Outras mulheres quererão é que as deixem sozinhas, mas do que vou falando com amigas a partilha com o pai e a vontade dele em participar é muito importante.

Sejam parte da solução e não do problema. (Achavam que o Gustavo Santos que há em mim tinha ficado só ali em cima, não?)

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Maternidade Tudo e Nada

Marias Bitaites

Ora, já se sabe que quando nasce uma mãe nasce uma multidão de Marias Bitaites. Eu já encontrei estas subespécies:

A Ai-o-meu-não:
«Ai o teu filho não come bem? Ai o meu não, logo a primeira vez que lhe dei comeu o prato todo tive que ir aquecer mais!»
«O teu não dorme bem? Ai o meu não, desde que veio da maternidade que dorme 10 horas à noite, eu às vezes até tenho saudades dele!»
«O teu filho está na fase das birras? Ai o meu não, nem sei o que são birras, ele é muito calminho, nunca chorou.»

Die, bitch.

A positiva:
«Sabes, isto não são birras, são eles a comunicarem. E nós temos que ouvir, é só isso.»

Não toutóbir.

A saudosista:
«Ainda vais ter saudades disto, a sério, o meu tem 3 meses e eu já estou cheia de saudades de quando ele nasceu.»

Eu percebo, eu tenho imensas saudades… de quando eles ainda não tinham nascido!

A sabe-tudo:
«O bebé não gosta do banho? Isso é alergia à água. Tens que cristalizar a água que basicamente consiste em ferver a água, deixar evaporar TODA, depois voltar a ferver, abençoar, congelar e depois deixar entre 3 a 5 dias a descongelar e dar banho com essa água. Vais ver que passa.»

What.the.fuck?

A que tem uma prima que também lhe aconteceu isso, mas na volta não:
«A minha prima teve uma bebé que também passou por isso. Mas foi menos tempo, ou mais, já não me lembro. E acho que ficou tudo bem. Ou não, espera, não, ela teve que ser operada, foi isso. A sério, foi isso, ela depois ainda teve que ser operada. Mas depois ficou tudo bem. Ou não, já não me lembro bem, mas acho que ela ainda hoje tem lesões.»

Aaaaah obrigada, pá. Obrigada.

A papa descontos-promoções-preços baixos:
«Espera lá esta fralda que eu estou aqui a ver é da Dodot? Sabias que as de marca branca e são 0,2567 cêntimos mais baratas e são iguais? A sério, SÃO FEITAS NA MESMA FÁBRICA. Nunca mais compres disto, estás a perder 0,2567 cêntimos de cada vez e isso vezes 7 por dia são 7 vezes 0,2567 e no final do ano – acredita que eu já fiz as contas – é uma viagem ao Brasil, a sério.»

Espera, não apontei, são de onde? Viagem ao Brasil, mas não estávamos a falar de fraldas? Ai fónix, queres que eu vá ao Brasil com eles, tu és doida?

A que fala para o bebé e não para nós:
«Ai tens que dizer à tua mãezinha que já não te deve pôr chuchita que isso é para bebés e tu és crescidote.»
«Ai ainda de fraldita, quando é que pedes à mamã para te fazer o desfralde???»

Are you talking to me? É que o meu sensor de recados indirectos escafodeu por isso não percebi.

A que te quer criticar mas não consegue então elogia de forma reles:
«Sabes, no fundo gostava de ser como tu, assim depreendida e relaxada, eu sou muito protectora parece que não consigo desligar-me deles nunca e que os amo mais que tudo, percebes?»

Olha eu cá não quero ser como tu, odeio cabras passivo-agressivas.

A que acha que isto é um jogo e faz sempre raise:
«Ai estás aí a queixar-te, mas tu ainda tens imensa ajuda. Eu não tenho avós e empregadas e ainda faço tudo o que estás a fazer enquanto me balanço numa corda numa daquelas biclas só com uma roda.»

Eia, xau, eu não tinha percebido que isto era um concurso, se soubesse tinha treinado as lamúrias, vim sem estudar.

A que nem quer dizer nada mas depois diz tudo:
«Pois, olha, eu na altura nem quis dizer nada, mas eu sempre achei isso. Sempre. Os pediatras hoje em dia ainda aconselham isso, mas cá para mim é maligno. Mas pronto, quem sou para dizer, é só o que aconselham os mais recentes estudos, mas eu não quero estar aqui a dizer que estás a fazer mal, eu é que como sei estas coisas não consigo ficar calada.»

Mas olha que calada eras uma poeta.

 

Eu, Maria Bitaites, me confesso. É por bem, às vezes quero tanto ajudar que acabo a mandar postas.
Mas não vamos é exagerar, sim? Deixem as mães em paz!

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Maternidade

Dia dos avós

Dos meus

Quis o tempo que crescesse apenas com uma avó, a minha avó paterna, a minha avó Helena, a quem chamei sempre só avó porque a minha avó Rosalina morreu antes de eu nascer. Os meus avôs morreram quando eu era pequena. A minha avó era uma avó tão avó como só os avós sabem ser. Hoje consigo olhar para trás ver que era mãe (e sogra), mas para mim enquanto crescia era só avó, era só minha e da minha irmã (e, mais tarde, da minha prima). Duvido que os meus pais gostassem sempre de tudo o que nos fazia, mas eu adorava. Eu queria, a minha avó dava. Eu queria, a minha avó não desistia até me conseguir dar. Eu existia, ela era feliz. Tenho muitas saudades dela, todos os dias penso que adorava mostrar-lhe muitas coisas. Foi também o meu primeiro luto, e foi com ela que aprendi que nunca estaremos prontos para dizer adeus de quem gostamos e nunca o faremos de forma definitiva. Hoje, neste dia dos avós, e em tantos outros, penso nela e em como me formou e penso que gostava muito de lhe dar um beijo, agradecer-lhe e pedir-lhe um bollycao.

E porque já muito falaram sobre isto e infinitamente melhor:

«No fim de semana, muito antes da hora do almoço, ela fritava batatas, punha num prato, e depois cobria com a tampa de uma panela. O vapor condensava-se no interior da tampa e depois a [h]umidade chovia sobre as batatas. Por isso, as batatas ficavam moles.

Na casa da minha avó, nunca comi batatas que não fossem moles. Quando hoje me põem no prato batatas estaladiças eu penso: essa pessoa sabe fritar batatas, mas ela não me ama. Não fez as batatas com aquela antecedência. Arriscou que as batatas não estivessem prontas quando eu quisesse almoçar.»

Ricardo Araújo Pereira, para a Folha de São Paulo, para ler aqui.

 

 

Dos dos meus filhos

A minha mãe e a Leonor, a minha sogra e o Duarte e o meu pai e o Gonçalo. Avós e netos.

Os avós dos meus filhos são os nossos pais. Isto, além de ser uma verdade de La Palice, é a base de tudo e não há como o esquecer. Os avós dos meus filhos fazem muito por eles, mas muitas vezes fazem muito para eles por nós. Muitos dizem-me que quando os netos nascem nós deixamos de existir para os pais. Por aqui só achará isso quem não sabe ver. Por detrás da euforia, do entrar sem nos cumprimentarem e correram para os ver, os nossos pais estão lá, preocupados connosco, com a nossa sanidade, com o nosso sono, com o nosso casamento, com os nossos trabalhos. Os nossos pais perdem noites com as nossas preocupações e é por nós que fazem muito. São muitas vezes bons avós por serem excelentes pais.

Pelos netos, os avós fazem tudo. O amor dos avós não tem igual. Eu adoro ver os meus filhos terem aquilo que eu tive, avós como só os avós sabem ser. Os meus filhos têm uma sorte imensa de poder ter os avós que têm. Não conheço melhor. O nosso grande azar é termos perdido um elemento do quarteto. Dói-me mais do que consigo dizer que os meus filhos não venham a conhecer o Avó Raul, o meu sogro,  não oiçam as suas histórias por ele e não o ajudem a colar postais. A vida não é muitas vezes justa e o que queremos dela, mas é a que temos. E, apesar disso, o que temos é muito bom.

Os avós são avós, são cuidadores, são apoio, são a nossa força e por isso não merecem só um dia, mas todos de agradecimento.

Dia dos avós, quando se tem avós como estes, são todos os dias. Queridos filhos, que sorte!

 

 

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Gémeos Maternidade

Leonor, a motard

Como disse aqui, a Nonô tem uma plagiocefalia e braquicefalia diagnosticadas desde os 2 meses.

Ambas são deformações do crânio. No caso da Leonor são posicionais, ou seja, resultam da posição que a Leonor adoptou no útero e que depois tentou manter o que a levou a ficar com a cabeça torta.

A plagiocefalia é o desvio lateral da cabeça e a braquicefalia é o achatamento da parte de trás da cabeça.

O diagnóstico foi feito aos 2 meses na Unidade de Intervenção Precoce da Maternidade Bissaya Barreto onde os gémeos são seguidos por terem estado na UCIN. Nós não reparámos, quando percebemos ficámos chocados como é que não tínhamos visto antes. Costumam ser os pais a reparar no diferente formato da cabeça, mas no nosso caso isso não aconteceu. É inevitável não nos sentirmos culpados por não termos visto antes.

Desde então tudo tem sido um caminho longo e foi precisamente a fazer uma ecografia de rastreio para levar tudo certo a um especialista que se detectou a displasia da anca.

Tentámos muito não ter que chegar a esta fase, mas o desvio da Leonor é grande e a opinião médica é que agora só é corrigível com o uso de capacete (banda ortopédica).

Fomos colocá-lo a semana passada. Em princípio terá que usar cerca de 4 meses.

Alerta: esta é a história da Leonor, é o que faz sentido para a Leonor e é o caminho que nós achamos que funcionará para ela. Nem todas as situações são iguais e nem todas as coisas funcionam em todas as crianças. Tenham paciência com a minha falta de paciência, mas não me chateiem com a história da prima da Josefina que também tinha isto e foi só mudar o berço de lugar e pôr uma almofada que ficou boa e não me digam que isto é exagerado porque mais ninguém sem sermos nós conhece a situação em profundidade.

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Maternidade Passear

Ir de férias e não levar o filho

Há cerca de um ano estava a embarcar para Punta Cana para uma semana tudo incluído sem filhos. O Gonçalo tinha 10 meses, quase 11, e decidimos passar férias sem ele.

Na altura houve muita gente que me disse que não conseguia fazer férias sem filhos. Uns porque não tinham onde deixar os filhos e outros porque não conseguiam deixar os filhos (devo dizer que a maior parte das vezes consegui ouvir um tom de «como é que consegues deixar o teu filho tão pequeno, não tens saudades, que espécie de mãe és tu?»).

Na altura em que marquei as férias não sabia que estava grávida, descobrimos entretanto e como a viagem estava paga não deixámos de ir. A minha obstetra disse que preferia que eu tivesse férias em Portugal, mas que, estando a viagem paga, não havia porque não ir. Fui grávida de 15 semanas e obviamente tive alguns cuidados: além dos alimentares que já tinha porque não sou imune à toxoplasmose, não bebi nada sem ser água engarrafada por causa do gelo, não estive junto de águas paradas por causa dos mosquitos e não andei de barco por causa da trepidação. De resto, não tive mais dificuldades.

Aquela mão na barriga para que deixar claro que estava grávida e não com o pior pós-parto da história
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Gémeos Maternidade

Férias sem filhos vs Férias com filhos

Orçamento sem filhos: X. É muito dinheiro, mas viajar é a coisa que gostamos mais de fazer e é um tudo incluído.

Orçamento com filhos: X. Porra, temos que ir em Setembro, com este dinheiro não dá para mais. Bolas, não dá para um hotel porque como somos 5 tínhamos de pagar dois quartos, então temos de arrendar uma casa. E ainda temos de gastar mais em alimentação. Vai ser apertado, não podemos comer fora nem um dia que seja.

O dia sem filhos: Acordar sem despertador, mas cedo porque gostamos de aproveitar o dia inteiro de praia, aí entre as 8h e 9h e ir tomar o pequeno-almoço com calma, sem pressas. Depois de beber um café, espreitar as notícias do dia e seguir para a praia. Escolher o chapéu, estender a toalha, e começar o dia de decisões: Vou primeiro à água ou leio um pouco? Oiço música ou passeio à beira-mar? Seco à sombra ou será que já posso secar ao sol? Bebo um cocktail ou mais uma cerveja? Vou ao mar no final deste parágrafo ou no final deste capítulo? Será que já estou morena o suficiente para pôr fato-de-banho ou continuo a usar bikini para ficar sem marcas?

O dia com filhos: Tic tac, motherfucker, são 7 da manhã e já está tudo de pé. Biberões para os gémeos e pequeno-almoço para o Gonçalo e rápido que eles parece que já estão capazes de matar cachorro a grito. Comer a torrada que ficou mais queimada com um bocado de manteiga e começar a pôr cremes. Felizmente preparámos o saco na noite anterior, agora é só pegar e arrancar. É *só* pegar no saco das toalhas de praia, no chapéu, no saco dos brinquedos, no saco da muda de fraldas, na carteira, colocá-los no carrinho e estamos prontos a sair. Sair. Saí daí, Gonçalo, não coloques isso na boca, pará, anda, por favor, vamos para a praia, não queres ir à praia, anda lá, pára, santa paciência, anda lá, estamos quase a chegar, por favor. Duarte, não te mandes do carro. Leonor, está sol pára de pôr a capota para baixo porque tu és muito branquinha, anda lá, pára, eu sei que queres brincar ao esconde-esconde, mas estão 30.º graus, por favor, pára. Gonçalo, o que é que disse? Anda lá, já chegámos. Montar o chapéu. Gonçalo, pára de chorar, eu sei que tens areia nos pés, estás na praia o que é que querias? Tudo na toalha, estejam quietos, andem lá, só dois segundos, deixem a mãe tirar a roupa. Quem é que quer ir à água? Yeeah. Olha que giro, isto até é giro. Ai espera, tenho que voltar à toalha, esqueci-me das bóias. Gonçalo, pára, por amor da santa, está quieto dois segundos da tua vida para eu te pôr a porra da bóia ou juro que te deixo beber dois pirulitos para veres o que é bom para a tosse. Ai a porra do deus da parentalidade positiva ou consciente, ou lá o que é, que não me ajuda, põe a bóia, anda lá, vês, já está porque é que não tens calma? Ok. Estamos na água, fixe, está bom. Porque é que estás a chorar? Está fria, é? Ok, vamos para a toalha. Toalha. Toalha. EU DISSE TOALHA. Agora estás todo croquete, eu não disse que era na toalha? Porra. Ufa. Olha, agora que eles parecem estar todos quietos vai buscar uma cerveja para nós. São dez, o bar ainda não abriu. O quê? São só dez? F*da-se.

A noite sem filhos: Vamos jantar ao argentino? Ou ao mexicano? E depois queres ver um filme para o quarto ou beber uns copos no bar do hotel? E amanhã vamos dançar?

A noite com filhos: Fazer jantar. Dar jantar. Jantar enquanto eles se engalfinham. Historinha e adormecê-los. Olha que bem, a vantagem é que eles ficam muito cansados com a praia e assim adormecem logo e agora podemos curtir aqui este alpendre. Olha, queres ler um bocado ou aproveitar para ver um filme? Baby? Baby? Baby, vai para cama, sempre dormes melhor que aí na cadeira.

Regresso sem filhos: Que merda. As férias são tão curtas. Amanhã já trabalho, que dor.

Regresso com filhos: NUNCA MAIS. AMANHÃ JÁ TRABALHO, YEAAAAAAAAAAAAAAH.

 

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Passear Tudo e Nada

Quinta das Lágrimas

Nos meus anos, como contei aqui, a minha tia ofereceu-me uma noite na Quinta das Lágrimas. Há muito que queria lá ficar. Para quem é de Coimbra, não faz muito sentido ir passar uma noite à Quinta das Lágrimas, porque uma escapadinha sabe sempre melhor quando se é para mais longe, mas eu sempre quis lá ficar. Já conhecia o restaurante (havia lá ido há anos com os meus pais), já lá tinha estado em festas e conhecia o jardim, mas queria lá estar como turista por isso fiquei muito feliz de lá passar a noite dos meus anos.

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Gémeos Maternidade

Update Leonor e a displasia

 

 

A Nônô já se adaptou ao arnês. Demorou um pouco mais que o normal, mas adaptou-se. Agora sinto que voltou a ela (para bem de todos cá em casa, que a coisa andava muito, muito desregulada). Voltou a dormir praticamente a noite toda e a adormecer sozinha.

 

Acho que também ajuda o facto de ter ficado mais fresco, o arnês ainda lhe causa algum calor e com a descida de temperatura ficou mais fácil.

 

Já tenho a cadeira da displasia cedida pela BebéConfort. Contactei directamente a marca e foram muito simpáticos, mandaram entregá-la na loja Bybebe em Coimbra. Aconselho a quem precise (que seja de Coimbra) a contactar directamente a loja, pois o atendimento é fantástico e fazem o pedido por nós se preciso. Gosto mesmo do atendimento desta loja e é o que me faz voltar sempre lá (instalaram-me a cadeira no carro, sem ganharem absolutamente nada com este serviço que é providenciado directamente pela Bebéconfort). A cadeira é basicamente uma cadeira normal sem os apoios de lado, para que a bebé possa estar sentada de pernas abertas.

 

Recebi uma dica preciosa de uma mãe que está a passar o mesmo que eu que me disse para colocar uma almofada por debaixo da Leonor para a aconchegar mais e a verdade é que foi desde esse momento que ela ficou melhor. É uma almofada com pouca altura que tinha no sofá da sala e à qual coloquei uma fronha normal de linho e ponho-a por baixo dela, nas costas, deixando o rabinho e as pernas de fora da almofada.

Quando fez quinze dias que tinha colocado a tala, fomos à consulta e foi muito animador: já se notava resultados, a evolução estava a ser fantástica e a continuar assim poderemos não precisar de ter tanto tempo como inicialmente previsto. Agora é só ter paciência e logo logo ela estará boa.

 

Obrigada a todos que se preocuparam e que nos desejaram o melhor, estou certa que esta boa energia foi essencial!

 

Mais sobre a displasia da anca da Leonor:



Eu, a Leonor e o checo

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

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Gémeos Maternidade

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Eu sei que isto é estranho e contraditório vindo de quem tem um blogue e de quem gosta de ser lida, mas debato-me muitas vezes com esta questão da exposição da vida íntima, essencialmente porque a maioria das pessoas acha que sou só o que aqui ponho e não compreende que há muito mais para além disto, das redes sociais, daquilo que digo e que nossa vida tem milhentas dimensões que ninguém conhece. Geralmente passa-me, mas sempre que são temas mais sensíveis demoro um pouco a decidir escrever sobre eles.

Ponderei nem escrever sobre a displasia da Leonor e simplesmente desaparecer de cena até me apetecer. Mas felizmente não o fiz porque choveram dicas, perguntas e histórias de sucesso. E claro, muito amor, doses industriais de força, que se antes de virem pensaria que não servem de nada, quando as recebi ajudaram-me muito a ter força para continuar. Obrigada a todos.

Houve muita coisa que não disse e não tenho aspirações a tornar-me uma bíblia da displasia pois não sei o suficiente, mas pode vir cá parar alguém que acabou de entrar neste mundo e esteja à procura de informações, por isso deixo as seguintes notas:

 

  • A Leonor tem uma sub-luxação da anca direita, o que, segundo a minha compreensão totalmente não científica da coisa, é a variante menos grave da displasia, daí não ser detectável no exame físico. A displasia da anca tem diversas «modalidades» que obviamente necessitam de tratamentos diferenciados (há outro tipo de talas e há bebés que precisam de cirurgia logo). Se precisarem, aconselho a procurarem mais informações na internet com o habitual cuidado que é necessário para verificar fontes (aconselho, por exemplo, este site do International Hip Dysplasia Institute).
  • Existe um grupo de Facebook em português (Bebés com Displasia Congénita da Anca) no qual muitas pessoas partilham a sua história e onde partilham também dicas e truques que podem ajudar alguns.
  • Segundo indicações da médica e do técnico que seguem a Leonor, a tala tem de estar colocada 24h por dia e podemos tirar para o banho 10 minutos 3 vezes por semana. Pelo que percebi, a maioria dos casos é assim, a tala é para estar permanentemente, mas também já li de bebés que podiam estar algum tempo sem a tala. Dependerá, claro, do grau da displasia e do tratamento que o médico prescreve.
  • Foi-nos dito que o tratamento duraria entre 14 a 16 semanas, mas que atendendo à idade da Leonor (este tipo de coisas tem mais sucesso quando diagnosticadas mais cedo) deveríamos contar com as 16 semanas.
  • Os bebés reagem todos de forma diferente e explicaram-nos que a Leonor iria recusar a tala e mostrar o seu desconforto para a tirar. Mais de uma semana depois, ela não mostra sinais de se ter habituado e eu já lhe tirei aquilo mais tempo do que devia porque simplesmente não aguento. É muito difícil, temos de ser fortes e voltar a colocar, aturar o desconforto e esperar que melhore. Muitos me dizem que nos custa mais a nós, que eles se habituam rápido, e com sinceridade eu estou mais que mentalizada e já arranjei soluções para tudo, só preciso que ela pare de lutar contra aquilo e que deixe de chorar por uma ajuda que eu não lhe posso dar.
  • Calças, collants, calções e tudo o que lhe possa de alguma maneira impossibilitar o movimento nas pernas está proibido. Inicialmente isto parece complicado, eu já me habituei completamente à ideia e não vejo problema nenhum. O aparelho tem duas botas com fitas que ligam ao colete e porque acho que não é bom ela ter as fitas em contacto com a pele, por baixo, usamos collants cortados (ficam basicamente duas meias longas). No Inverno, presumo que seja mais difícil de os ver de fralda à mostra, mas sinceramente o calor de ter os collants parece-me pior. Para o frio, tapa-se. Para o calor é difícil ter outra solução. Na parte de cima o ideal é usar algo com gola para que as alças do colete não aleijem no pescoço e com manga curta (coloquei um vestido de cavas e arrependi-me porque o colete entrou em contacto com a pele por baixo dos braços e ela ficou vermelha). Para nós funcionam bodies com gola e vestidos com gola. Custa-me ver toda a roupa gira que a Leonor tinha para o Verão e não vai usar, mas perdi apenas cerca de 10 segundos com esta tristeza, na verdade, não acho nenhum drama. Quando tiver a anca boa tem muito tempo para roupas lindas.
  • Imaginei que mudar a fralda fosse um drama, mas não é, na realidade, depois de habituada, demora-se exactamente o mesmo tempo. Para os cocós até dá mais jeito porque não é preciso segurar-lhe nas pernas para ela não as enfiar na fralda (há sempre coisas positivas).
  • Fomos avisados que há miúdos que começam a comer pior fruto do desconforto. Está a acontecer-nos isso. A Leonor nos primeiros dias vomitava com o choro, ficava de tal forma aflita que mandava tudo cá para fora. Vi a minha vida a andar para trás porque ela foi internada aqui há uns meses com uma bronquiolite precisamente por estar a fazer recusa alimentar… Depois lá começou a aceitar, mas no cômputo geral eu diria que está a comer 3/5 do habitual. Eu consigo colocá-la na cadeira da papa assim, ela fica com as pernas mais dobradas, mas, o conselho do técnico foi que a refeição deveria ser dada como costume, mesmo que a posição não seja a mais correcta, para não perturbar ainda mais a alimentação. A nossa cadeira da papa é a do Ikea, e eu coloco-a mesmo junto à ponta de forma a que as pernas fiquem o mais abertas possível.
  • A posição ideal é deitada de barriga para cima (posição frango assado). Perguntei ao técnico e, desde que não se coloque nada debaixo dos joelhos, não há problema de pôr algo debaixo dos pés. Eu tenho colocado umas almofadas para que não fique com as pernas tão em suspensão, mas sinceramente não noto que ela fique mais confortável, o rezinganço continua.
  • O colo tem de ser dado de frente, com ela de pernas abertas para nós ou de lado, poisada na nossa anca. A ideia é, mais uma vez, promover a abertura das pernas.
  • São fortemente aconselhadas as mochilas ergonómicas. Nós já tínhamos uma (manduca) e desde que ela colocou isto tenho passeado muito com ela lá. Ela adormece e já a tentei poisar depois e ela fica, mas passado dez/vinte minutos, volta a acordar. Claro que posso passar o tempo todo com ela lá, mas eu tenho mais dois filhos e por isso é que não ando mais com ela lá e tento por tudo que ela durma sem mim. Estou certa que se a Leonor fosse filha única seria a nossa grande solução para tudo. Atenção que a mochila tem de ser ergonómica (nem todas são) e os bebés têm de estar virados para nós. Virados para a frente (em babywearing ou ao colo) os bebés tendem a fechar as pernas, pelo que não é uma posição aconselhável. Vejam mais sobre babywearing, se precisarem. ATENÇÃO: O babywearing é óptimo para a displasia da anca, para minimizar os desconfortos do tratamento porque não são necessárias adaptações, pois a sua forma normal já promove esta posição, mas não o substitui. Cuidado com achismos, babywearing não substitui de maneira nenhuma a utilização de aparelhos ortopédicos em bebés diagnosticados com displasia da anca.
  • A bebéconfort tem um serviço de aluguer/empréstimo de uma cadeira específica para bebés com displasia da anca. Vejam mais aqui. Eu estou a tratar disto para ver se levanto a cadeira rapidamente.
  • Quando retirei a tala à Leonor reparei que ela esticava muito a perna esquerda (na qual não tem displasia) e a outra continuava dobrada, em posição de sapinho. Isto manteve-se sempre que tiro e durante o tempo todo. Segundo a ortopedista é normal e não se deve puxar a perninha dobrada.

Passam-nos mil coisas pela cabeça, que isto lhe vai atrasar o desenvolvimento, que ela vai andar torta…. É normal, tudo é normal e não adianta pensar nisso. Isto é preciso, vai funcionar, e vai passar rápido. Não nos estamos sempre a queixar que o tempo passa a voar? É porque passa.

Vão vos dizer, como me disseram a mim «isto não causa dor, causa só desconforto.». Amigos, ninguém fez um questionário a bebés de seis meses no qual eles responderam «Dor dor não é, é só aquele desconforto.». «Não causa dor» é comprimido de relaxamento para os pais. Eu não tomo. Aquilo tem de causar dor. Experimentem estar 24 horas por dia com as pernas alçadas como se estivessem a tentar morenar as virilhas e depois falem-me. Eu prefiro «deve doer-lhes no início, até se habituarem, mas antes esta dor que viver com displasia, antes esta dor que as da pós-cirurgia, antes esta dor, da qual ela não se vai lembrar, do que dor crónica em adulta.». Uma amiga disse-me «isto tem solução» e é isso que me guia. Pior são os problemas para os quais não há solução, este tem. É dolorosa para ela, para nós que a vemos pedir ajuda e não podemos fazer nada, mas tem solução e passa.

Já lhe tirei aquilo para dormir. Não é aconselhável, mas medi tudo e preferi tirar uma noite para todos descansarmos e ganharmos forças para nova luta. Dormimos 8 horas e recomeçámos. Não aconselho, não me aconselharam e os médicos dizem que é contraproducente porque ela pode habituar-se a «ganhar». Eu percebo, e não advogo aquilo que fiz, tenho consciência dos riscos, sei que é um passo atrás, mas às vezes também sei que é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente. De manhã, restabelecidas, recomeçámos. Digo-o porque acho preferível assumirmos do que negarmos um momento de fraqueza. Vou dizer à médica que o fiz (temos de dizer sempre a verdade) embora já saiba que me vai responder que não posso nunca desistir. Eu sei. O sucesso do tratamento depende da persistência, é essencial para evitar métodos invasivos. Eu sei. Mas também tenho alturas em que, ao contrário dos médicos, vejo o panorama geral, de uma casa com mais dois bebés que não dormem com o choro, com um marido que trabalha no Porto e faz duas horas e tal de viagem quase todos os dias, e de um bebé que precisa de comer e dormir para crescer (com a anca direita). Não tenho peso na consciência pelo que fiz, acho genuinamente que foi essencial para nós. Às vezes é preciso pensar nisto assim. Mas não pretendo repetir.

São 16 semanas, e uma já passou. Faltam 15. Vamos a isso, sou tão forte quanto os meus filhos precisam, tenho em mim toda a força do mundo.

(E quando não tenho, afasto-me, choro, grito e volto.).



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Gémeos Maternidade

Eu, a Leonor e o checo

Os gémeos são um fenómeno giríssimo, capaz de arrancar suspiros em toda a gente, mas assim que entrei neste mundo soube que são um factor de risco para inúmeras coisas. Nunca valorizei e sempre achei que tudo ia correr bem, sem saber. E tudo correu bem, com uns pequenos percalços, uma prematuridade que não obrigou a mais do que 15 dias na UCIN, os meus meninos passaram pelos pingos da chuva. Mas partilhar o T0 da barriga da mãe obrigou a manobras de acrobacia dignas de filme. O Duarte estava transversal e por isso inspirou mais cuidados quando nasceu para ver se estava tudo bem com ele. Mas afinal foi a Leonor que ficou muito apertada e resultado disso tem dois problemas: displasia da anca e plagiocefalia (coisas que não são exlusivas das gravidezes gemelares, mas para as quais são factor de risco).

 

Da plagiocefalia sabemos desde os 2 meses. Tivemos recentemente uma consulta com um especialista e foi precisamente como preparação para a dita consulta que a semana passada fizemos uma eco às ancas, de rotina. Apesar de no exame físico (feito dezenas de vezes por médicos e pela fisioterapeuta) não se ter detectado nada, na eco lá apareceu, uma displasia da anca. Pouco depois fomos a uma consulta na ortopedia no hospital pediátrico e saímos de lá com o tratamento ditado e aplicado: tala de pavlik. Recebemos as indicações ainda meio sem saber o que nos estava a acontecer: a Leonor tem que a andar com a tala sempre, 24h por dia, com permissão para tirar 10 minutos para o banho 3 vezes por semana. Nos primeiros 3 dias não lhe podíamos tirar nem para tomar banho e tínhamos de aguentar que ela ia refilar, mas, a bem da adaptação, teríamos de ser fortes. Ovo apenas para viagens de carro (porque a segurança está primeiro), nada de espreguiçadeira, de carrinho, tentar que ela esteja sempre deitada de barriga para cima, ou ao colo. Proibidas calças, calções e collants. Andar na rua, sim, ao colo. O técnico que colocou a tala e nos disse isto e comentou que entre o pai e a mãe não teríamos que deixar de fazer nada até lhe dizermos que temos mais dois filhos.

 

O Pedro saiu esse mesmo dia para fora, em trabalho. A antever uma noite má, pedi aos meus pais e sogra para ficarem com os miúdos e fiquei eu, a Leonor e o pavlik (o checo) naquela que foi seguramente das piores noites da minha vida. Ela chorou a noite toda, e não como é habitual,  aquela rabugice suportável de bebé, mas um choro absolutamente desesperado. Adormecia dez minutos ao meu colo e recomeçava. O desespero total. Passar uma noite em branco não é dramático, nem é propriamente novidade para mim, com três bebés, mas aquele tipo de tortura deixou-me de rastos. Na noite seguinte, o mesmo. Na seguinte, ainda sem marido em casa, com os miúdos e a minha mãe em casa para me ajudar, já farta de tudo isto, pu-la a dormir na espreguiçadeira. Ela precisava de descansar e eu também. Funcionou, ela dormiu quase 10 horas seguidas, tal era o cansaço. No terceiro dia tirámos aquilo para o banho e ela riu-se de novo e eu chorei de felicidade. Logo depois tivemos de colocar aquilo e recomeçou o mal-estar.

 

Agora não chora tão desesperadamente como no primeiro e segundo dia, mas não dorme mais de 20 minutos seguidos, está sempre a acordar e a choramingar. É desesperante e muito difícil de suportar quando se tem mais dois filhos para tratar e prazos a cair. Começou a comer pior, deixa sempre metade do biberão.

 

Os gémeos dormiam muito bem. Eu não gosto de publicitar isto, porque sempre que falo eles começam com uma má fase, mas a verdade é que dormiam da meia-noite às seis a maioria das noites, quando não conseguíamos que aguentassem mais. E durante o dia as sestas também eram fáceis, com mais ou menos trabalho, nenhum deles adormecia ao colo e ficavam bem na cama.

 

A alcofa do carrinho deles estava arrumada a um canto e basicamente só quando saíamos à rua é que a usávamos. No meio do caos, fui obrigada a pensar em soluções e só me lembrei de a colocar na alcofa do carro pois sempre a podia abanar. O problema é que ela não cabe lá nesta sua nova forma frango assado. Já estava a ponderar cortar a alcofa (para verem o meu desespero) quando a minha mãe me ajudou a tirar as molas e colocá-la lá com isto aberto.

Já li muito sobre a displasia e só espero que este tratamento funcione, temos medo que não dê certo e que este suplício seja em vão. Espero que a Leonor se adapte, mas já lá vão uns dias e pelo menos eu não me consigo adaptar a esta tortura dela acordar de 20 em 20 minutos e de a ter de adormecer no carrinho ou ao colo.



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